8 de junho de 2018

IA: 10 insights sobre onde estamos e para onde vamos

por Martha Gabriel

Ainda não vivemos a era das máquinas superinteligentes que habitam o imaginário popular, mas estamos caminhando cada vez mais rapidamente para chegar lá. E a grande questão que não quer calar e permeia essa jornada é: para onde vamos com o uso da inteligência artificial?

O que não falta na mídia são tanto visões utópicas (como O Homem Bicentenário ou The Jetsons) quanto distópicas (como O Exterminador do Futuro ou Black Mirror) sobre o nosso futuro com as máquinas. As discussões tornam-se cada vez mais acaloradas e passam a ocupar todo tipo de ambiente: universidades, mídia, mercado, negócios, invadindo também as conversas de bares e rodinhas de amigos.

Não é à toa que vemos esse aumento repentino e gigantesco de interesse ao redor de tudo aquilo que se refere à Inteligência Artificial (ou AI, devido às iniciais de Artificial Intelligence, em inglês) – apesar de habitar o imaginário da humanidade desde a antiguidade e de ser reconhecida oficialmente como disciplina desde a década de 1950, somente nos últimos anos é que as tecnologias computacionais alcançaram um estágio de evolução suficientemente avançado para dar vazão a esse tipo de processamento.

As aplicações práticas de inteligência artificial têm se disseminado com rapidez em virtualmente todas as áreas do conhecimento: medicina, agronegócio, finanças, educação, marketing, segurança etc. De algoritmos de linguagem natural (que viabilizam os chatbots) a sistemas de visão computacional e análise preditiva, as APIs inteligentes passam a ser disponíveis, escaláveis e acessíveis para qualquer tipo de negócio, ampliando ainda mais suas possibilidades de uso.

Dominar o desenvolvimento e o uso de inteligência artificial tem ser tornado cada vez mais fundamental e estrategicamente importante, pois significa melhoria de produtividade e vantagem competitiva. Por isso estamos vivendo uma espécie de “corrida do ouro” em torno da AI – países e empresas estão investindo cada vez mais para liderar a área e se tornarem mais inteligentes. O IDC (set./2017) prevê que o gasto mundial em sistemas cognitivos e AI suba, de U$ 7,5 bi, em 2016, para U$ 57,6 bi, em 2021. Hoje, os Estados Unidos são líderes mundiais em AI, mas a China criou um plano com investimento de meio bilhão de dólares com meta de assumir a liderança até 2030, em três etapas estratégicas:

1) 2020: estar no nível dos melhores do mundo;

2) 2025: AI como driver principal para a indústria chinesa;

3) 2030: liderar o topo das tecnologias de AI.

E a largada foi dada, para países, empresas e pessoas!

O relatório AI Index da Stanford University (focado em rastrear as atividades e os progressos nas iniciativas de AI) mapeia em dados esse movimento crescente de tudo o que se refere a AI:

-14 vezes mais startups ativas de AI desde 2000;

-6 vezes mais investimentos de VC em startups de AI desde 2000;

-5 vezes mais vagas de trabalho requerendo skills de AI;

-As três habilidades mais demandadas no Monster.com (popular site de empregos nos USA) são Machine Learning, Deep Learning e NLP (Natural Language Processing).

Isso se torna bastante evidente também nas palestras e discussões apresentadas nos eventos de ponta sobre AI, como é o caso do EmTech Digital da MIT Tech Review, um dos mais importantes do mundo quando o assunto são tecnologias emergentes. Tive o prazer de participar novamente desse evento nesse ano, reforçando, complementando e ampliando as minhas reflexões sobre AI, e compartilho, no próximo post, alguns desses insights.

Para os interessados, o meu livro Você, Eu e os Robôs: Pequeno Manual do Mundo Digital trata de todos esses assuntos de maneira mais aprofundada. Vale a leitura!

 

Fonte: Martha Gabriel

Tags: , ,
  • Martha Gabriel
    Martha Gabriel

    É considerada uma das principais pensadoras digitais no Brasil, referência em inovação, transformação e educação digitais. Autora de dois best-sellers e finalista do Prêmio Jabuti, é também premiada palestrante keynote internacional, tendo realizado mais de 70 apresentações no exterior, além de 4 TEDx. É uma das palestrantes mais requisitadas do Brasil, realizando mais de 100 palestras por ano. Apresentadora da websérie “Caminhos da Inovação” da Desenvolve SP e do Mundo Digital e “SEBRAE Digital” na Rádio Jovem Pan. Rankeada entre os 50 profissionais mais inovadores do mundo digital brasileiro pela ProXXIma, entre os Top 50 Marketing Bloggers mais influentes do mundo pelo KRED e Homenageada Especial do Prêmio Profissional Digital ABRADi 2017. Executiva e consultora nas áreas de business, inovação e educação. Engenheira pela Unicamp, pós-graduada em marketing pela ESPM-SP e em design pela Belas Artes-SP, mestre e Ph.D em artes pela ECA-USP e educação executiva pelo MIT. Professora de pós-graduação na PUC-SP, no TIDD – Tecnologias da Inteligência e Design Digital, de MBAs, e de Faculty Internacional da CrossKnowledge. Sócia da Martha Gabriel Consulting & Education e da startup Nethics Educação.