14 de março de 2018

Pesquisa de IES: docentes por formação e organização acadêmica

por Pedro Demo

Vamos neste remix analisar os docentes das instituições de ensino superior (IES) quanto à sua formação e à sua distribuição organizacional (pública ou privada). Dessa forma, neste primeiro texto, vamos encarar as informações disponíveis no Censo da Educação Superior de 2016.

É costume atribuir importância decisiva à formação docente, até se chegar à situação na qual todos, sem exceção, tenham doutorado. No entanto, estamos muito longe disso: apenas 38,5% dos docentes tinham doutorado, pouco mais de um terço. Nas entidades públicas, essa cifra chegava a 58,4%, já maioria. Nas IES federais eram 62,8%, e nas universidades federais, 70%, próximo já de três quartos.

Enquanto as entidades públicas de ponta (federais e estaduais paulistas, em especial) investem fortemente na qualificação docente, as entidades privadas, por razões mercadológicas, podem restringir a presença de doutores, preferindo categorias mais baratas.

Além disso, a dedicação laboral pode ser muito importante: enquanto entidades federais de ponta esperam dedicação exclusiva ou integral, muitas privadas preferem horistas, apenas para darem aula. E isso pode definir se uma entidade faz da pesquisa seu sentido maior, também para formar melhor os estudantes, ou se se dedica apenas à “transmissão de conteúdos”, como é a praxe de cursos noturnos privados.

No próximo post, vamos analisar o perfil geral dos docentes brasileiros. Para conferir a pesquisa completa, acesse meu blog.

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  • Pedro Demo
    Pedro Demo

    Pedro Demo é professor aposentado e emérito da Universidade de Brasília, Departamento de Sociologia. Tem doutorado na Alemanha (1971) e pós-doutorado na UCLA/Los Angeles (1999-2000). Tem colaborado com Estados e municípios em programas de formação permanente de professores, dentro da máxima de que o estudante aprende bem com professor que aprende bem. Autor de mais de 90 livros, grande parte sobre sociologia da educação.