30 de abril de 2018

Quem é o cliente private banking

por Lilian Massena Gallagher

Para quem não sabe, o banco é segmentado por tipo de cliente. Tem a área PJ, que atende as pessoas jurídicas, empresas, e existe a área que atende as pessoas físicas, indivíduos. Por sua vez, a área de pessoa física é dividida em Varejo e Private Banking.

O Private Banking é o segmento do banco que atende os clientes investidores que possuem um volume de investimento bem significativo. Cada banco tem seu corte de valor, mas muitos trabalham com clientes acima de R$ 5 milhões de investimento financeiro na instituição.

Neste post vou focar nesse segmento e na estatística disponível na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).  Vejamos o que mostram os números do final de 2017.

Como está dividido esse segmento?  Onde está o dinheiro desses brasileiros?  Onde aplicam esses afortunados financeiramente?  Confira a seguir a alocação desses clientes:

47,6% deles estão alocados em fundos de investimento, sendo 42,6% em fundos da Instrução CVM 555 (inclui fundos abertos e exclusivos) e 5,0% em fundos estruturados (FIDC, FII, FIP e outros);

25,2% em fundos multimercados;

14,8% estão investidos em ações, em fundos ou diretamente na bolsa;

33,8% em títulos de renda fixa, sendo 3,0% em títulos públicos e 30,7% em títulos privados;

9,1% em previdência privada.

Considero uma fatia relevante a da previdência privada.  Certamente por isso que a previdência passou a fazer parte do conteúdo das provas de certificação CPA-10, CPA-20 e CEA.

É de imaginar que quem tem muito dinheiro não precisaria fazer uma previdência.  Entretanto, muitas previdências privadas, nesse caso, são VGBLs, visam planejamento sucessório.  Isso porque, no caso de falecimento do titular, o beneficiário receberá o valor em até 30 dias, sem passar por inventário, atendendo às primeiras necessidades da família.  Além disso, é uma forma de indicar beneficiários específicos, sem que haja contestações a respeito.

Outro dado que merece destaque é a fatia destinada ao segmento de renda variável, mais especificamente ao mercado acionário.  De acordo com o imaginário popular, gente rica deve investir muito em ações.  No entanto, as estatísticas mostram que esse tipo de investimento não chega a 15%.

Uma hipótese a ser verificada é a idade desses clientes e sua propensão a correr riscos.  Minha experiência diz que grande parte desses investidores já tem mais de 50 anos e vê esse dinheiro como preservação de capital, e não de risco.  Daí alocar somente 14,8% nesse segmento.

Em próximo post tratarei sobre os bankers, como são chamados os profissionais de atendimento desse segmento, e onde habitam esses clientes. 

Para quem tem mais interesse no assunto, possuo duas obras que tratam dos exames de  certificação da ANBIMA, para profissionais que desejam atuar no mercado financeiro e de capitais. São elas Exame de Certificação ANBIMA CPA-10 e Exame de Certificação ANBIMA CPA-20.

Fonte: Lilian Gallagher

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  • Lilian Massena Gallagher
    Lilian Massena Gallagher

    Atua no mercado financeiro há mais de 26 anos e, desde os primórdios da exigência de certificação pelo Banco Central do Brasil, vem ajudando pessoas a alavancarem suas vidas profissionais. É Mestre em Administração pela Universidade Estácio de Sá e tem mestrado em Administração pelo Instituto COPPEAD de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora convidada de diversas universidades, trabalhou nos bancos Bozano Simonsen, Nacional/Unibanco, BankBoston e Brascan. Autorizada pela CVM a prestar Consultoria de Valores Mobiliários. Certificada pela ANCORD e CPA-20. Autora de vários livros voltados para as provas de certificação do mercado financeiro e de finanças pessoais, entre eles Exame de Certificação ANBIMA CPA-20, publicado pelo GEN | Atlas.