16 de outubro de 2019

O que é preciso para abrir um Family Office?

por Juliano Pinheiro

Apesar de ser uma área ainda pouco explorada no Brasil, o setor de wealth management tem crescido de forma consistente em vários países. Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group, por exemplo, há cerca de US$ 55,7 trilhões em riqueza privada somente nos Estados Unidos e Canadá. Assim, como diz aquele ditado – ‘quem chega primeiro bebe água limpa’ -, abrir um Family Office no Brasil pode ser um projeto interessante para os profissionais especializados em gestão de grandes fortunas. Mas, o que é preciso?

O que é preciso para abrir um Family Office?

 
Primeiramente, é necessário seguir as regras e manter a etiqueta ao deixar o atual emprego, que possivelmente deve ser um banco. Em muitos casos, os funcionários de serviços financeiros têm obrigações contratuais com seus empregadores que os impedem de trabalhar para uma empresa concorrente e de anunciar serviços externos a clientes. É preciso consultar o contrato de trabalho, antes de qualquer decisão.

É preciso também considerar os custos envolvidos em abrir um Family Office, uma vez que os profissionais assumirão muitos riscos, especialmente, no início dos trabalhos. Diferentemente da maioria das pequenas empresas, os Family Offices devem atender a vários requisitos regulatórios complexos, que podem ser bastante caros. Há ainda os custos de seguro, despesas de escritório, papel timbrado, sites, custos bancários, custos de associação, assinaturas e vários outros custos que podem facilmente chegar a dezenas de milhares de reais.

Os profissionais também devem considerar o custo de oportunidade de estabelecer sua própria prática independente, pois é provável que apenas uma parte da carteira de clientes migre para o novo empreendimento. A priori, os demais clientes possivelmente irão preferir continuar nos grandes bancos. Esses custos também podem chegar a dezenas de milhares de reais, mas são compensados por uma maior lucratividade por cliente.

Importante destacar que as empresas recém-estabelecidas ainda não têm reputação e reconhecimento no mercado. Além disso, possui um alto nível de risco em termos de solvência. Assim, os gestores precisam destacar o conjunto de habilidades e a vantagem competitiva que possuem, em comparação com instituições maiores. Por exemplo, o Family Office pode se especializar no uso de algoritmos de computador para identificar as melhores oportunidades. Também pode apontar que empresas menores de gestão de patrimônio familiar são capazes de fornecer suporte ao cliente mais personalizado, dada a menor base de clientes, garantindo mais atenção à conta e maximizando seus retornos.

Processo complexo

 
A criação de um Family Office pode ser um processo complexo e demorado, pois envolve um amplo trabalho jurídico, regulatório e de conformidade já que sua estrutura jurídica é a de uma “Entidade Financeira” autorizada e supervisionada pela CVM e autorregulada pela ANBIMA. Talvez não seja de conhecimento de todos, mas as atividades exercidas no mercado de capitais estão reguladas pela CVM e algumas já possuem autorregulação. No caso de um Family Office existe uma linha tênue entre as atividades de Administração de Recursos de Terceiros (Gestor CVM) e Gestão de Patrimônio. Portanto, as empresas devem possuir tais autorizações junto a CVM para atuação.

Além disso, há a necessidade da adesão aos códigos da ANBIMA de Gestão de Patrimônio e Fundos de Investimento quando for trabalhar com fundos de investimento próprios. Embora os consultores financeiros possam estar familiarizados com muitas dessas coisas, estabelecê-las geralmente requer assistência profissional de um bom escritório de advocacia que realmente entenda desse tipo de negócio e tenha muita experiencia em processos junto a CVM. Além disso, os novos empreendedores devem considerar investir em uma forte base jurídica, no marketing e em conhecimentos sólidos sobre a gestão do patrimônio familiar.

O investimento em tecnologia também deve ser considerado. Existem muitas ferramentas que os gestores de grandes fortunas podem usar para melhorar seus serviços e otimizar a lucratividade.

Dessa forma, ainda que abrir um Family Office seja um processo complexo, com a ajuda de especialistas e as ferramentas certas, a tendência é que o negócio seja um grande sucesso!

Qualquer dúvida entre em contato comigo que tentarei te ajudar.

Abraços!

 

Fonte: Linkedin

 

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  • Juliano Pinheiro
    Juliano Pinheiro

    Juliano Lima Pinheiro É Doutor e Mestre em investimentos e mercado de capitais, professor e palestrante. Ao longo de mais de 30 anos de uma trajetória profissional abrangente, Juliano Pinheiro passou pela vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento, como conselheiro em instituições representativas de mercado como Anbima e Apimec, e também pela área de ensino e pesquisa acadêmica atuando em cursos de MBA, doutorado, mestrado e graduação do Ibmec, FDC, PUC e UFMG. De 2007 a 2018, montou e foi o Diretor de Gestão da Fiere Investimentos, uma Gestora de Recursos, gerindo fundos de investimento e administrando carteiras para clientes. Detentor da Medalha Economista Paulo Camilo de Oliveira Pena em 2013, Juliano é referência na área de Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Atualmente é Vice Presidente Executivo do IBEF-MG, leciona na UFMG nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Ciências Contábeis e realiza palestras por todo o Brasil.