1 de julho de 2021

Afinal, o que é Coaching? Definições por Chiavenato

por Idalberto Chiavenato

Afinal, o que é coaching? Segundo Chiavenato, é um tipo de relacionamento no qual o coach se compromete a apoiar e a ajudar o cliente ou aprendiz para que este possa atingir determinado resultado ou seguir adiante em determinado e melhor caminho. Todavia, coaching não significa apenas um compromisso com relação aos resultados, mas com a pessoa em si, com seu desenvolvimento profissional e sua realização pessoal.

Na verdade, coaching é um relacionamento que produz novas competências e novos resultados. E isso vale tanto para o seu cliente, o aprendiz, quanto para o próprio coach. É que o retorno que o cliente proporciona ao coach pode produzir novos conhecimentos e novas experiências para ambas as partes. Nessa interação, todos os envolvidos saem ganhando.

Assim, coaching é um relacionamento que envolve pelo menos duas pessoas – o coach e o cliente ou aprendiz. O que mais caracteriza o coaching é o valor que ele agrega a ambas as partes que interagem. Ele se baseia em um vínculo que impulsiona talentos, cria competências e estimula potencialidades. Nesse relacionamento, o coach lidera, orienta, guia, aconselha, treina, desenvolve, estimula, impulsiona o aprendiz, enquanto o cliente aproveita o impulso e a direção para aumentar seus conhecimentos, melhorar o que já sabe, aprender coisas novas e deslanchar seu desempenho.

De modo geral, o coaching é mais do que um simples processo de treinamento, de aconselhamento, de encarreiramento ou de liderança. Um bom programa de treinamento e desenvolvimento de pessoas pode produzir e desenvolver competências e habilidades previamente definidas e localizadas, e não costuma ir além disso. Um programa de aconselhamento para o desempenho ou para a carreira pode proporcionar orientação e direcionamento para o futuro, mas não proporciona ajuda efetiva, contínua e prática para o cliente.

Por outro lado, a liderança pode incentivar, comunicar e motivar as pessoas para uma performance mais eficaz, mas quase sempre está voltada para a atividade da equipe e de objetivos previamente definidos. A diferença é que o coaching ultrapassa todos esses aspectos e inclui um poderoso processo socrático e continuado de descobrir competências, desenvolver habilidades, preparar intelectualmente, orientar, incentivar, comunicar e motivar. O coach permanece com a pessoa até o momento que ela conseguir atingir o resultado esperado ou chegar até ao ponto que se espera chegar – uma espécie de missão que somente termina quando o objetivo é alcançado. O coach procura dar força e poder para que as intenções da pessoa se transformem em ações efetivas e que se traduzam em resultados concretos.

Entretanto, no fundo, o fator principal que caracteriza o coaching é o fato de que ele realmente agrega valor às pessoas. Estamos falando de valor intelectual. Além disso, o coaching é um instrumento vital para a criação e a disseminação do conhecimento corporativo. Ele agrega valor à organização e ao cliente. Você quer mais do que isso?

O coaching está em voga em muitas organizações tanto quanto o personal trainer. O coach é mais que um treinador do mundo dos negócios e recebe também o nome de personal business training. Nos Estados Unidos, a profissão é organizada, tem federação e sites interativos, até mesmo com a apresentação de vídeos pela web.

Os profissionais passam por cursos de especialização e certifi cação. Em nosso país, o segmento esboça fortes sinais de crescimento, mas ainda se depara com falta de cursos para formação específica. Lá fora, a prática do coaching é comum, tanto internamente na empresa quanto por meio da contratação de profissionais externos que auxiliam na retenção e no desenvolvimento de talentos. Existem empresas de consultoria em coaching que oferecem seus serviços para as organizações. Isso traz benefícios, pois, à medida que a organização demonstra o interesse em oferecer tal serviço, o profissional percebe que é tratado como um elemento-chave na organização.

A utilização de coaches se dá em decorrência da velocidade das mudanças no mundo corporativo e em consequência tanto do enxugamento da hierarquia organizacional quanto do encurtamento na duração da carreira. Nos tempos atuais, o profissional não pode mais permanecer dois ou cinco anos na mesma posição para poder adquirir experiência. Há muito mais a ser aprendido e em pouquíssimo tempo face às mudanças exponenciais no mundo dos negócios.

A compressão do tempo disponível e a inclusão de mais e mais conhecimentos em tempo real requerem novas abordagens mais rápidas e profundas. E sobretudo a partir da autogestão da própria pessoa atuando como sujeito ativo, e não passivo. Com a autogestão da carreira, as pessoas passam a precisar de maior ajuda substancial para poderem ter sucesso com a rapidez necessária. Sem essa ajuda externa, as pessoas não têm condições de, por si próprias, galgarem rápida e eficazmente os degraus da carreira, uma vez que esta não é mais definitiva e permanente, mas mutável, incerta e extremamente flexível.

Muitas organizações incentivam o papel de coaching para ajudar as pessoas com objetividade, transparência e cuidado a fim de que elas possam se desenvolver com mais eficácia e prontidão. Em muitas organizações, as pessoas – até mesmo aquelas que transitam nos escalões mais elevados – recorrem aos coaches para perguntar como são vistos na organização e o que podem fazer para melhorar o seu desempenho e satisfação. A tarefa do coach é ajudá- as a aprender a tomar as melhores decisões na sua carreira, a melhorar continuamente o seu desempenho e criar condições de sucesso profissional e pessoal.

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  • Idalberto Chiavenato
    Idalberto Chiavenato

    Idalberto Chiavenato é Doutor (PhD) e Mestre (MBA) em Administração pela City University of Los Angeles-CA, EUA, especialista em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, graduado em Filosofia/Pedagogia, com especialização em Psicologia Educacional pela USP e em Direito pela Universidade Mackenzie. É professor honorário de várias universidades do exterior e renomado palestrante ao redor do mundo. É autor de mais de 30 livros das áreas de Administração, Recursos Humanos, Estratégia Organizacional, Comportamento Organizacional publicados no Brasil e no exterior. É fundador e presidente do Instituto Chiavenato, conselheiro do CRA-SP e membro vitalício da Academia Brasileira de Ciências da Administração onde ocupa a cadeira nº 47. Recebeu dois títulos de Doutor Honoris Causa por universidades latino-americanas e a Comenda de Recursos Humanos pela ABRH-Nacional.