7 de dezembro de 2020

Em livro, economistas alertam para risco do aumento dos gastos públicos após pandemia

por Fábio Giambiagi

A economia brasileira pode crescer 3,3% em média nos próximos dez anos ou 1,4%. Vai depender da capacidade do governo e do Congresso Nacional em aprovar as reformas estruturais, sobretudo nos primeiros anos da década de 2020. A projeção consta no livro “O Futuro do Brasil”, a 7ª coletânea organizada pelo economista Fábio Giambiagi.

O volume, que será lançado nesta segunda-feira, reúne 20 artigos escritos por diversos economistas que listam as reformas mais urgentes e necessárias para a retomada do equilíbrio das contas públicas, no período pós pandemia.

O desafio, alertam os economistas, é não ceder à pressão pelo aumento dos gastos públicos para impulsionar a atividade econômica e atenuar os problemas sociais, causados pela recessão.

“Para mim a tônica do volume é esta: não há grandes esperanças. Estamos dependendo de nós mesmos para fazer as reformas que precisamos — podemos confiar em nós?” indaga o economista Samuel Pessoa, que escreveu o prefácio.

‘A hora da política’

 
Segundo Giambiagi, as reformas defendidas no livro vão desde mudanças no campo regulatório à agenda fiscal, passando pela tributária. E esses ajustes requerem uma costura cuidadosa no campo da política.

— Se eu tivesse que escolher um título alternativo, eu diria que poderia ser “A hora da política” — disse Giambiagi.

Segundo ele, a questão fiscal se impõe aos demais problemas e se não for devidamente enfrentada poderá ter consequências no dia a dia como pressão sobre o dólar, preços e juros. Na visão dele, a economia está se recuperando em V, como argumenta o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sendo assim, o fim do auxílio emergencial em janeiro deve ser visto com naturalidade.

— Não dá para dizer ao mesmo tempo que a economia se recupera e que a situação é dramática como de fato era em abril. Quando você vê os gráficos dos indicadores agregados, o formato de V é visualmente óbvio. Portanto, vejo o fim do auxílio emergencial em janeiro como algo natural — destacou Giambiagi.

Ponte para 2023

 
Ele lembrou que em 2015 o déficit público girava em torno de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e que foram feitos sacrifícios para reduzir o rombo nas contas públicas para 6% do PIB de 2019. Mas com a pandemia, o país terá uma dívida de quase 20% do PIB e um déficit previsto para 2021 superior ao registrado no ano passado, “com uma margem de manobra política menor”.

— Assim como em 2016, tivemos aquele documento “Ponte para o futuro”, tenho dito que precisamos de uma política “Ponte para 2023” — disse Giambiagi.

Ele critica o que chama de grandes ambições de Paulo Guedes. Entre elas, as propostas de uma ampla abertura da economia, um processo massivo de privatização, capitalização da previdência e a ideia de “passar a faca” no Sistema S.

— Temos que trocar as grandes ambições refundacionais do Ministro Paulo Guedes de 2019 por objetivos mais modestos, ligados à importância de chegarmos com uma economia razoavelmente organizada a dezembro de 2022. Os desafios de 2023 ficam para 2023.

Especialista em previdência, Giambiagi cita um capítulo do livro que trata especificamente do tema e diz que o país terá de fazer uma nova reforma porque a despesa do INSS continuará crescendo. As regras de aposentadoria rural, que não foram alteradas, terão que ser repensadas, destacou.

Para combater o desemprego, outro assunto abordado no livro, os economistas defendem uma agenda de propostas que incluem a criação de regimes trabalhistas diferenciados, maior flexibilidade dos contratos e ampliação das possibilidades de arbitragem no âmbito do Judiciário para resolver conflitos trabalhistas.

Giambiagi destaca também o capítulo que trata da reforma tributária e defende explicitamente que “o país terá de se debruçar sobre o debate da tributação do lucro dos negócios digitais”. Segundo ele, será importante acompanhar o debate sobre o tema na União Europeia, onde a discussão está mais avançada.

O livro não trata da questão ambiental, que tem se tornado um desafio para o Brasil, principalmente no atual governo. Também ficou de fora a defesa da concorrência. Mas inclui entre as reformas, os temas da educação e segurança.

O economista resume o livro em três pontos:

— O futuro vem aí e pede passagem; o Brasil não está se preparando bem para ele e há um tremendo potencial de capital humano no Brasil querendo ajudar.

FONTE: O GLOBO

Quer saber mais? Conheça o livro O Futuro do Brasil

 

Para além da perspectiva e do potencial real de crescimento: um estudo sobre as mais diversas áreas da economia. O Futuro do Brasil parte do crescimento da economia e se aprofunda em temas essenciais como educação, saúde, segurança, trabalho e saneamento.

Fábio Giambiagi promove um debate de ideias, que busca uma discussão profunda, por meio de uma avaliação e um compilado de estudos nas mais diversas áreas da economia, sem deixar de lado temas da agenda macroeconômica, todos fundamentais para a construção de um país que pensa nas próximas gerações.

Para finalizar e mostrar a importância deste livro, Giambiagi ainda joga uma luz sobre a nova economia e o futuro do trabalho.

Não perca a live “O Futuro do Brasil”, com Fábio Giambiagi

 
Vamos lançar um olhar provocativo sobre os horizontes do país? Convidamos três grandes nomes para trazer suas visões sobre o futuro do Brasil, abrindo espaço para que você participe também e, juntos, possamos conversar sobre esse tema tão relevante nos dias atuais. No dia 10/12, às 17h, no canal do GEN Atlas, não perca a live com os convidados Fábio Giambiagi, Samuel Pessoa e Paulo Hartung.

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  • Fábio Giambiagi
    Fábio Giambiagi

    Economista, com graduação e mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ex-professor da UFRJ e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Funcionário concursado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desde 1984. Ex-membro do staff do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington, ex-assessor do Ministério de Planejamento, ex-Coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do IPEA; ex-Chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES e ex-Superintendente de Planejamento do BNDES. Atualmente, é gerente do Departamento de Pesquisas Econômicas do BNDES. Autor ou organizador de mais de 30 livros sobre Economia Brasileira. Colunista regular dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.