29 de junho de 2020

Precisamos olhar além dos benefícios gerados pela Inteligência Artificial

por Sandra R. Turchi

Estamos cercados por informações desde o momento em que o celular desperta até quando deitamos no fim do dia para tentar desconectar desse mundo acelerado. Porém, até durante nosso sono, os dados estão trabalhando por nós. Em qualquer canto, o volume de dados gerados a cada minuto é gigantesco. Se aproveitando disso, ferramentas que têm como base a Inteligência Artificial conseguem compilar essas informações de uma maneira mais eficiente que qualquer um de nós.

A tecnologia capaz de aprender com os dados gerados por nós e aplicados pela ciência, por meio de softwares e ferramentas, tem uma capacidade, muitas vezes inimaginável, de replicar habilidades, processar dados, raciocinar, otimizar processos, corrigir erros, etc. Tudo isso vem transformando a maneira como lidamos com a tecnologia, mas isso também pode ser um problema.

Os impactos dessa nova realidade são perceptíveis em nossa rotina. A grande maioria dos aplicativos que utilizamos em nossos celulares carregam a tecnologia, como o GPS, o app de compras que identifica suas necessidades e até mesmo o corretor ortográfico do celular. Nas empresas não é diferente. Muitos Recursos Humanos utilizam a IA para fazer a seleção de candidatos com o perfil mais adequado para a vaga, o setor financeiro aplica a tecnologia para prevenir fraudes, e assim por diante. Fica claro, olhando por essa perspectiva, dos inúmeros benefícios que a Inteligência Artificial proporcionam em nosso dia a dia.

Porém, a tecnologia ainda gera debates quanto a sua utilização. A aplicação dentro de algumas empresas acaba substituindo a mão de obra em determinadas situações, especialistas do setor afirmam que o uso contínuo pode levar a um isolamento social, a IA não possui habilidades cognitivas para desenvolver criatividade e, dentro dessa realidade, surgem os questionamentos éticos, sociais e morais.

O mundo está discutindo a falta de representatividade que a Inteligência Artificial pode provocar em uma base de dados, sugerindo a intensificação de vieses sociais por meio de algoritmos. No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNDA), na última década, somente 38% das pessoas brancas não usaram a internet, contra 60% da população negra. Isso acaba gerando menos dados sobre essa parcela da população que não acessa à internet, bem como, também exclui os mais pobres. Esse exemplo pode ir além, uma vez que a Inteligência Artificial pode reproduzir situações sociais pré-existentes de algoritmos no aprendizado de máquina.

Apesar dessa discussão pertinente acerca da representatividade, o uso da Inteligência Artificial está em plena expansão por todo o mundo. A chinesa Alibaba, maior plataforma de comércio eletrônico do mundo, utiliza a Inteligência Artificial diariamente. As operações são capazes de prever o que os clientes desejam comprar gerando automaticamente produtos para o site. O Facebook está utilizando a tecnologia para capturar e remover da plataforma imagens consideradas impróprias, como pornografia. No Brasil, a Volkswagen, criou um manual cognitivo para responder dúvidas dos motoristas. O aplicativo consegue reconhecer imagens, como a luz piscando no painel, para identificar o que precisa ser feito e informar ao motorista.

Não dá para fugir da Inteligência Artificial e nem negar que a tecnologia está revolucionando a maneira como vivemos. Muitas empresas encontraram fórmulas de sucesso utilizando a IA para reduzir perdas e melhorar a eficiência produtiva. E isso é maravilhoso para qualquer empresário, desde que os recursos economizados sejam revertidos para mais investimentos e aperfeiçoamento da mão-de-obra. Porém, precisamos ficar atentos a expansão da tecnologia. Regras e boas práticas nunca são demais e elas podem reduzir os efeitos negativos, como a discriminação provocada pelos vieses sociais. A acelerada transformação digital requer atualização e vigilância permanentes.

FONTE: SANDRA TURCHI

Mais conteúdo no livro Estratégias de Marketing Digital e e-commerce

newsletter

LEIA TAMBÉM

 

Tags: , , , , , , , , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Sandra R. Turchi
    Sandra R. Turchi

    É sócia-fundadora da Digitalents, empresa de Consultoria, Treinamentos e Talentos (hunting, coaching e outsourcing) focada no universo digital. Administradora de empresas formada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School SP e Toronto University. Também cursou empreendedorismo na Babson College. Foi executiva de marketing por mais de 20 anos nos setores de Varejo, Financeiro, Educacional e de Serviços em empresas como Lojas Arapuã, Grupo Zogbi, Finasa-Bradesco, FGV, Associação Comercial de SP e Boa Vista Serviços. Eleita um dos professores de marketing mais influentes nas mídias sociais no mundo pela revista SM Magazine. Leciona nos MBAs em Marketing Digital da FGV, FIA, Saint Paul, entre outras instituições. Coordenadora dos cursos de extensão em Marketing Digital e Mídias Sociais na ESPM-SP desde 2008. Articulista de diversos veículos, como revistas e portais, no Brasil e na Europa.