3 de maio de 2021

As cinco dimensões da personalidade

por Idalberto Chiavenato

Como há uma infinidade de traços de personalidade apresentados na literatura científica, surge a necessidade de algum tipo de classificação para melhor entender os traços em si e em suas inter-relações. A maior parte das abordagens de personalidade supõe que há alguns traços mais básicos do que outros.

Há uma vasta literatura sobre a estrutura dos traços de personalidade. A maior parte, sobretudo a que se aplica ao CO, está focada em cinco grandes dimensões da personalidade:

  1. Extroversão: sociável, gregário (vive em grupo), decidido, assertivo, falante, expressivo.
  2.  Ajustamento emocional: emocionalmente estável e equilibrado, seguro, feliz, satisfeito, tranquilo e não deprimido.
  3. Afabilidade (simpatia): cordial, confiante, de boa índole, tolerante, colaborador e cooperador, complacente.
  4. Senso de responsabilidade: responsável, digno de confiança, organizado, perseverante, autodisciplinado, íntegro, empreendedor.
  5. Abertura e interesse: curioso, imaginativo, criativo, sensível, flexível, aberto, brincalhão.

Muitas organizações utilizam intensivamente programas de mensuração da personalidade, seja na seleção de candidatos, seja na avaliação e na promoção de seus talentos. E utilizam esses programas como peneiras ou filtros para contratação inicial.

Enquanto as “cinco grandes dimensões” emergiram recentemente da pesquisa básica como significativamente relacionadas com o desempenho no trabalho, a tipologia Myers-Briggs, baseada na teoria de Carl Jung, tem sido intensamente utilizada em aconselhamento de carreira, construção de equipes, gestão de conflitos e análise de estilos gerenciais. Jung havia diferenciado as pessoas em extrovertidas e introvertidas e em dois processos mentais básicos – percepção e julgamento. Posteriormente, dividiu a percepção em sensação e intuição e o julgamento em pensamento e sentimento.

Jung define quatro dimensões ou traços de personalidade para avaliar cada pessoa. Posteriormente, Katharine Briggs e Isabel Briggs-Myers desenvolveram um teste de personalidade – com cem itens para medir as preferências nos quatro pares de traços – denominado Indicador de Tipos Myers-Briggs.

Contudo, apesar de sua enorme aceitação, o uso de medições de personalidade, seja por meio de testes, seja por meio ou de inventários, tem sofrido várias críticas, a saber:

  • Senso de responsabilidade é a única dimensão da personalidade que apresenta alguma validade como indicador de sucesso para várias categorias de trabalhos. Trata-se de um indicador válido de desempenho no trabalho, tanto para comportamentos aceitáveis quanto para comportamentos inaceitáveis.
  • A extroversão é relevante para alguns tipos de trabalhos, como vendas e posições gerenciais, mas o nível de previsibilidade é baixo e contingente em relação a outros fatores, como o grau de liberdade inerente ao trabalho.
  • Embora se encontrem no mercado mensurações confiáveis de cada uma das dimensões de personalidade, o nível de evidência de sua validade e suas possibilidades de generalização ainda são baixos.
  • O baixo nível de validade nos critérios de mensuração da personalidade é mais evidente quando se comparam suas medidas com os testes de aptidão cognitiva ou física necessários ao desempenho de determinado trabalho.

Mais conteúdo no livro Comportamento Organizacional

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  • Idalberto Chiavenato
    Idalberto Chiavenato

    Idalberto Chiavenato é Doutor (PhD) e Mestre (MBA) em Administração pela City University of Los Angeles-CA, EUA, especialista em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, graduado em Filosofia/Pedagogia, com especialização em Psicologia Educacional pela USP e em Direito pela Universidade Mackenzie. É professor honorário de várias universidades do exterior e renomado palestrante ao redor do mundo. É autor de mais de 30 livros das áreas de Administração, Recursos Humanos, Estratégia Organizacional, Comportamento Organizacional publicados no Brasil e no exterior. É fundador e presidente do Instituto Chiavenato, conselheiro do CRA-SP e membro vitalício da Academia Brasileira de Ciências da Administração onde ocupa a cadeira nº 47. Recebeu dois títulos de Doutor Honoris Causa por universidades latino-americanas e a Comenda de Recursos Humanos pela ABRH-Nacional.