6 de dezembro de 2019

Os cinco passos da mudança, segundo o coaching

por Arnaldo Marion

Durante um processo de coaching, é muito comum enfrentar um grande vilão: a resistência a mudanças. É da natureza humana que qualquer pessoa saudável psicologicamente deseje progresso em sua vida. Contudo, o progresso está necessariamente ligado a mudanças que acontecem ou precisam acontecer. A nossa natureza, todavia, prefere acomodar-se, procurar uma zona de conforto, conhecida, previsível e controlável.

Não gostamos de mudar, pois mudanças implicam incertezas, evocam nossas crenças mais profundas sobre nós (quem somos, do que somos capazes ou o que é possível ser feito). Mudanças, como vimos, exigem perdas em troca daquilo que vamos ganhar (menos tempo de TV, para fazer um novo curso, para promover minhas chances de crescimento profissional) ou qualquer tipo de troca; perdemos algo para ganhar algo.

Apesar de considerar natural a resistência ao novo desconhecido, encontramos casos especiais em que há um histórico de traição, decepção, frustração contínua, fracassos, a partir do qual se criou um mecanismo de defesa e proteção psicológico destinado a evitar ou minimizar mais sofrimento. Essa resistência nada mais é do que travas e bloqueios interiores que se revelam como obstáculos ao novo. Ficamos presos por diferentes motivos:

a) As crenças pessoais são as “verdades absolutas” criadas a partir de experiências doloridas do passado que estabelecem um condicionamento limitador e interpretador do mundo à nossa volta.

b) O estado emocional afeta a disposição de mudança, a autoestima, a energia de superação e busca por crescimento. Sem recursos emocionais, inviabiliza-se a superação de obstáculos comuns em um processo de mudança, como o medo, a ansiedade e a incerteza, tornando-nos mais vulneráveis a desistir, a voltar atrás e a sabotar o progresso em nossa vida.

c) Os hábitos são rotinas de um estilo de vida e comportamento aprendido, muitas vezes incorporado falsamente como traço de personalidade, tornando-se justificativa para resistir à mudança.

Os “Cinco Passos para Mudança” são um recurso simples que o coach poderá utilizar visando ajudar o seu coachee a superar a resistência. A seguir, descrevemos em detalhe cada um dos cinco passos.

Conheça os 5 passos da mudança

 
PASSO 1: VEJA A SITUAÇÃO COMO É, E NÃO PIOR DO QUE É

Ajude seu coachee a ver o problema como ele é, mas não torne o problema maior do que ele é. Aumentar o problema o inclinará a desistir. Não importa qual a situação, veja-a como é, e não pior. Tende-se muitas vezes a dramatizar uma situação além da realidade; isso acontece na linguagem que usamos, generalizando-se realidades pontuais. Por exemplo, quando seu coachee, reclamando
de uma situação em que seu colega não o convidou para um happy hour, aumentaria-a, dizendo: “… sou sempre excluído dos convites sociais dos meus amigos”.

É nesse momento que as pessoas se deprimem e reagem de maneira a criar uma compensação à sensação de rejeição, dor, perda, decepção etc. Se lançam num prato de comida, alcoolizam-se, drogam-se, entre outros compensadores escolhidos. Essa reação resultará em um pessimismo generalizado e na própria estagnação. Algumas estatísticas sugerem, inclusive, que 63% dos norte americanos acreditam que o estilo de vida futuro será pior que o estilo de vida passado.

PASSO 2: VEJA A VERDADE E ENFRENTE-A!

Boas perguntas que poderão ser feitas pelo coach nesse passo são: Qual é a verdade por trás desse fato? O que preciso admitir a mim mesmo? Ajude seu coachee a assumir responsabilidade pela realidade na qual ele se encontra. Procurar culpados, reclamar e justificar apenas prolongarão a sensação de miséria e incapacidade de mudar.

Vamos supor que eu esteja procurando um emprego há dois anos na mesma indústria a que me dediquei em toda minha vida. Contudo, essa indústria foi ultrapassada por uma nova tecnologia, reduzindo expressivamente a demanda pela qualificação que eu apresentava. Qual a verdade que terei que encarar? O mercado mudou. Precisarei me reinstrumentalizar em outro campo de conhecimento que me coloque de volta no mercado. Talvez tenha me acomodado por anos e decidi ignorar as mudanças que vinham acontecendo.

O disco de vinil foi uma indústria milionária durante 85 anos; chegaram as fitas cassetes e essa indústria ainda permaneceu. Contudo, chegou o CD e a digitalização da música e hoje disco de vinil é um mercado de colecionadores. Se você atua no negócio de disco de vinil, é necessário que se reinstrumentalize. Por pior que seja a verdade, por mais impossível, injusta, dolorosa… é preciso confrontá-la.

PASSO 3: ESTABELEÇA UMA VISÃO E SE FORTIFIQUE NELA

A visão é o combustível psicológico e a força propulsora de que precisamos para mudar. Quanto mais clara e inspiradora for a visão, maior será o seu efeito para superar obstáculos, como a resistência. No livro de sabedoria de Provérbio, diz-se que um povo sem visão está suscetível a se corromper ou perecer. Visão é um vislumbre de como o futuro se parece para mim, uma foto de um futuro que visitei. A visão precisa ser escrita, ou melhor, desenhada em uma imagem e continuamente visualizada.

PASSO 4: TENHA UM MODELO DE REFERÊNCIA E APRENDA SUAS ESTRATÉGIAS

Não precisa reinventar a roda. Pode-se aprender com a experiência de outros que já passaram por aquilo que seu coachee está passando. Nessa etapa é necessária uma investigação, uma pesquisa quanto à experiência de outras pessoas vivas ou mortas, que pode facilitar e agilizar a lacuna de onde você está para onde você quer chegar. De tempos em tempos, o mercado passa por um ciclo econômico de crise. É uma fase repleta de pessimismo, e as pessoas tendem a assumir uma atitude conservadora, apegando-se ao máximo às coisas que têm.

Um coach desafiaria um cliente a olhar para uma crise econômica com outro olhar, talvez encontrando oportunidade que um mercado aquecido não oferece. Ao se deparar com esse quarto passo, podemos encontrar alguns modelos de pessoas que desenvolveram estratégias para enriquecer na crise, ou seja, tomaram proveito do pessimismo do mercado. Uma intrigante história é a de Sir John Templeton, um investidor multibilionário de origem humilde que decidiu quando jovem que iria enriquecer a ponto de não se privar de ajudar pessoas financeiramente. O resultado disso foi a criação de uma das maiores fundações filantrópicas do mundo, a “John Templeton Foundation”.

O curioso nessa história, que pode ser encontrada em diversos livros, na Wikipédia ou mesmo no site , é que, para ele, pessimismo era o segredo do sucesso. Com base nesse modelo, ele montou sua primeira estratégia. No auge da Segunda Guerra Mundial, quando todos estavam pessimistas, certos de que Hitler dominaria o mundo e vendendo seus bens pelo preço que podiam, Sir John Templeton juntou 10 mil dólares e comprou ações com valor igual ou menor do que 1 dólar. O que aconteceu? Após a guerra, a economia foi retomada, as indústrias voltaram a produzir e crescer e o preço das ações se multiplicou.

PASSO 5: DÊ MUITO MAIS DO QUE ESPERA RECEBER

Esse último passo é um dos grandes segredos que levam à mudança e à apreciação do valor que ganhamos diante dos outros. Quando você decide fazer pelos outros mais do que qualquer outra pessoa, procurando uma forma de atender às necessidades das pessoas à sua volta (negócios, família, funcionários), terá um novo jogo. A doação é a melhor comunicação. Pense um pouco em alguém que realmente ame e valorize na sua vida.

Perceba que o valor das pessoas está diretamente relacionado à maneira como nos serviram e nos ajudaram mais do que qualquer outra pessoa. Não só isso: ao fazer, não crie a expectativa de receber algo em troca, isso lhe dará uma sensação de liberdade contra frustrações e decepções que poderá sofrer.

Na imagem a seguir você encontra um modelo de como aplicar esses cinco passos, por meio de um exercício de simples aplicação.

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  • Arnaldo Marion
    Arnaldo Marion

    Estrategista em Desenvolvimento Pessoal e Profissional. CEO da Coaching 4 Change LLC, Texas (EUA), uma empresa de tecnologia, treinamento e formação em coaching, atua também como membro do Conselho Diretor do Instituto Marion. É professor e membro do Conselho Consultivo do programa de MBA da Anderson University, Carolina do Sul (EUA), e instrutor da Small Business Development Center, da University of Texas at San Antonio (UTSA), também no Texas (EUA). Serviu por dez anos na indústria bancária e financeira, ocupando diferentes posições em diversas organizações, como Arthur Andersen e ABN AMRO Bank. Formado em Administração, com MBA em Governança e Avaliação de Empresas e Mestrado em Administração pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), é coach certificado pela Florida Christian University (FCU) e Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis), com aperfeiçoamento na Creative Results Management. É autor de livros em temas de negócios e espirituais.