25 de junho de 2021

Coaching é diferente de liderança? E de mentoring? Entenda!

por Idalberto Chiavenato

Coaching é um conceito que veio para ficar. Não deve ser encarado como um simples modismo, daqueles que vêm e logo desaparecem. Fala-se muito nele hoje em dia, tanto na vida pessoal como na profissional e mesmo na organizacional. No entanto, o significado real desse conceito nem sempre fica muito claro. O motivo é que existem muitas distorções sobre o conceito de coaching. E muita confusão no meio de campo. Ele é geralmente confundido com conceitos que limitam e distorcem o seu real significado.

1. Coaching é confundido com treinamento

 
Geralmente, o coaching é confundido com técnico, treinador ou preparador. Daí o conceito de técnico ou personal trainer. Na realidade, ele é muito mais do que um simples programa de treinamento ou de preparação física individual. O treinamento é um processo a partir de um currículo prescrito ou corpo de informações que é destinado a uma ou mais pessoas com específica expertise.

O treinamento não leva em consideração as diferenças individuais das pessoas nem suas habilidades, motivações ou compromissos. O treinamento tende a reforçar a estrutura organizacional tradicional e a cultura baseada na dependência das decisões da cúpula.

O coaching envolve total adequação às características do cliente, preparação intelectual, criação de novas habilidades, desenvolvimento de competências etc.

2. Coaching é confundido com orientação profissional

 
O coaching pode ser confundido com orientação por meio de um conselheiro, orientador ou guru. Na verdade, ele oferece aconselhamento e orientação para valer. Contudo, diferentemente da orientação tradicional – que focaliza o desempenho aceitável por meio de um conjunto de comportamentos e atitudes que devem se situar entre padrões estabelecidos em descrições de cargos, políticas ou procedimentos e que tem por objetivo resolver problemas de comportamento e atitudes e retornar ao desempenho aceitável por meio de um processo de intervenção não colaborativa e hierárquica em sua orientação –, o coaching envolve o compromisso de apoiar e de ajudar as pessoas a realizar metas desafiadoras que estão colocadas no médio ou longo prazos.

No papel de coach, este compromisso é básico na medida em que o coach atua no campo do desempenho, no alcance de resultados e na realização pessoal, influenciando, inclusive, no desenvolvimento de padrões éticos, comportamentais e de excelência.

3. Coaching é confundido com gestão de carreira

 
Para muitos, o coach é um preparador profissional que melhora o desempenho das pessoas em relação ao cargo ocupado no sentido de possibilitar ou acelerar o seu encarreiramento. Com o autogerenciamento da carreira, a prática de coaching tornou-se vital em muitas organizações. O chamado personal consulting está em voga, mas ele é um conceito limitado perto das amplas possibilidades do coaching.

4. Coaching é confundido com liderança: também aqui reina uma enorme confusão

 
Coaching envolve necessariamente liderança, mas a liderança como a concebemos hoje nada tem de coach. O coach deve ser um líder, mas o líder nem sempre é um coach. Coaching é muito mais do que liderança.

5. Coaching é confundido com mentoring

 
Mas coaching não é mentoring. O mentoring é um relacionamento de apoio em que uma pessoa mais experiente transfere o seu conhecimento, sabedoria e experiência a uma pessoa novata. Muitas vezes, a relação de mentoring é utilizada para passar sobre a cultura organizacional e assessorar uma pessoa em fazer contatos e redes de relacionamento que são importantes para o seu desenvolvimento de carreira.

Na verdade, o coaching engloba os quatro primeiros conceitos que alinhamos anteriormente. E vai mais além. Coaching significa um esforço conjugado de desenvolvimento pessoal, um processo de aconselhamento e de encarreiramento, bem como um processo de liderança renovadora. Uma aglutinação disso tudo. Abrange todos esses quatro conceitos e mais alguns aspectos adicionais que veremos adiante.

O coaching é um conceito complexo e poderoso que tem características realmente marcantes e diferentes. Vale a pena utilizá-lo na vida organizacional ou pessoal. É um investimento que traz retornos significativos, no curto e longo prazos, tanto para as pessoas como para as organizações. E o cliente ficará agradecido com isso.

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  • Idalberto Chiavenato
    Idalberto Chiavenato

    Idalberto Chiavenato é Doutor (PhD) e Mestre (MBA) em Administração pela City University of Los Angeles-CA, EUA, especialista em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, graduado em Filosofia/Pedagogia, com especialização em Psicologia Educacional pela USP e em Direito pela Universidade Mackenzie. É professor honorário de várias universidades do exterior e renomado palestrante ao redor do mundo. É autor de mais de 30 livros das áreas de Administração, Recursos Humanos, Estratégia Organizacional, Comportamento Organizacional publicados no Brasil e no exterior. É fundador e presidente do Instituto Chiavenato, conselheiro do CRA-SP e membro vitalício da Academia Brasileira de Ciências da Administração onde ocupa a cadeira nº 47. Recebeu dois títulos de Doutor Honoris Causa por universidades latino-americanas e a Comenda de Recursos Humanos pela ABRH-Nacional.