21 de junho de 2019

Como iniciar um empreendimento? Saiba como funciona a escolha do ramo

por Luiz Antonio Bernardi

Como iniciar um empreendimento? Confira a seguir como funciona a escolha do ramo com o livro Empreendedorismo e Armadilhas Comportamentais:

Como iniciar um empreendimento?

 
A concepção de um empreendimento pode surgir através de várias fontes, pela observação, percepção e análise de necessidades não atendidas; das tendências evoluções na cultura, tecnologia e sociedade, nos hábitos sociais e de consumo; das necessidades e das demandas prováveis, atuais e futuras, definindo as possibilidades de empreendimento detectadas ou visualizadas de forma racional, lógica ou até intuitiva.

Pode surgir também através de contatos especializados nos vários ramos de atividade, em círculos de conhecimento tecnológico e de conhecimento mercadológico como complementação ou associação, por vezes, das habilidades, gosto pessoal e outras características pessoais, até mesmo por quem não teve experiência no ramo, inovando ou criando novas formas de negócio.

Caso clássico, por exemplo, é o da Dell Computer, cujo fundador Michael Dell, então no início dos anos 1990, um estudante de medicina, montava computadores pessoais e os vendia. Idealizou e modelou um negócio que revolucionou a indústria de computadores nos EUA, e em cerca de dez anos assumiu as primeiras posições no mercado, desbancando várias empresas tradicionais do setor.

A concretização da intenção de empreender surge por várias formas, iniciando uma empresa, com compra total ou parcial de uma empresa, nova ou existente, ou por franquias, cada uma com diferentes implicações do ponto de vista dos negócios e dos aspectos emocionais e riscos envolvidos.

Há, portanto, vários fatores e complexidades envolvidas, racionais e emocionais, trazendo consigo armadilhas implícitas ou explícitas na decisão de empreender, as quais, se não forem conhecidas e realisticamente avaliadas e não havendo um autoconhecimento e preparação, causam imensos problemas, entre eles a escolha do ramo, a viabilidade da ideia, a vocação empreendedora, as motivações, as origens e motivos, os custos e benefícios emocionais, aspectos que serão estudados adiante.

São fundamentos e pilares de sustentação indispensáveis para a futura empresa, portanto, causas emocionais finais e determinantes, com efeitos bem definidos.

Escolha do ramo

 
A escolha do setor de atividade não é uma decisão refletida e bem avaliada, quando impulsionada pela necessidade ou intenção de empreender decorrente de uma ideia surgida aleatoriamente, por avaliações de hábitos de consumo, observação de tendências, por influência de outras pessoas e outras formas, o que pode levar o candidato empreendedor a uma obsessão por uma eventual oportunidade percebida.

A escolha do ramo pode também ser induzida por aquele desejo interno de realizar um sonho, aventurando-se numa ilusão, o que ocorre com grande frequência em idades precoces ou avançadas. Há vários problemas relacionados a entrar em ramos saturados ou pouco atrativos, normalmente os escolhidos por necessidades, como levantado na pesquisa GEM, de intensa concorrência e baixa rentabilidade, por características indiferenciadas, baixas barreiras de entrada, baixo nível de competências e tecnologia.

Por outro lado, entrar em ramos nos quais o empreendedor não tem profundo conhecimento ou experiência reduz as chances de sucesso, a menos que se cerque de pessoas do ramo, o que o obrigará eventualmente a dedicar-se, no futuro, a algo que não lhe traz prazer ou não desperta sua real paixão e motivação empreendedora.

Se o motivo ou causa determinante é o ganho econômico ou mobilidade social, os custos pessoais e emocionais podem ser altos, além das eventuais surpresas do ramo; é um balanço de ônus e bônus.

Partindo de decisões altamente emocionais, por motivos pessoais ou compulsórios e não por motivações, entrar num ramo e empreender nessas condições é decisão de risco com boa probabilidade de frustrações e insucessos; é assunto que precisa ser muito bem refletido: prevalece o motivo ou a motivação?

Ideias

 
Ideias mirabolantes, geniais, confidenciais, complexas e misteriosas geralmente são fortes candidatas ao fracasso, notadamente quando explicadas com aquele entusiasmo fulgurante e ofuscante, quase obsessivo do candidato a empreendedor.

Num primeiro momento, mostram incongruência e inconsistência, somente percebidas por alguém que não esteja emocionalmente envolvido. A experiência mostra que boas ideias geralmente são simples, podendo ser explicadas em poucas palavras e compreendidas em muito pouco tempo. Originalidade, simplicidade e efetividade são os principais quesitos de uma boa ideia.

Uma oportunidade pode ser percebida a partir de uma nova ideia ou do aprimoramento de alguma ideia existente, ou alguma diferenciação que gere uma oportunidade, o que implica risco de sucesso ou de fracasso. Novas ideias e inovações são mais arriscadas do que aprimorar as existentes, embora seja um imperativo do atual cenário dos negócios, mas pelo menos há um ponto de partida.

Fatores de sucesso (ou de fracasso) na Auditoria

Foto: Istock/Getty Images

Nem sempre uma boa ideia pode se tornar um bom negócio. Tudo dependerá dos processos envolvidos, da complexidade e de uma série de fatores empresariais, que podem torná-la inviável e pouco atrativa, mas a obsessão ou o envolvimento emocional influenciam tais avaliações.

Em suma, ideias recomendam revisitar os tradicionais conceitos de marketing e de plano de negócios quando o empreendedor, emocionalmente envolvido e obcecado pela ideia em si, visualiza a oportunidade, ficando preso à perspectiva íntima e àquilo que o mercado vai comprar, sem considerar os processos envolvidos, não pelas razões que levarão o mercado a comprar, recusando-se a ouvir e a aceitar opiniões divergentes ou então flexibilizar ou repensar a ideia.

Aquilo que o empreendedor acredita ser uma grande ideia e ao qual fica preso emocionalmente, rejeitando outras evidências, só será negócio se o potencial comprador concordar que é uma grande ideia e comprá-la; é uma armadilha passional e poderosa.

Vocação empreendedora

 
Há basicamente três tipos de razões para empreender: necessidade, oportunidade e vocação, o que implica efeitos futuros na empresa, que, se não bem conhecidos e ponderados, podem gerar enormes frustrações a todos, do ponto de vista econômico e emocional.

Tornar-se empreendedor ou empresário não é somente obter o cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ) ou ter uma mera ocupação ou alternativa por motivos compulsórios, mas algo profundo e interior que impele uma pessoa a criar algo, ou um conceito, uma forma de viver, e concretizá-lo de forma a unir criatividade, trabalho e o imenso prazer da realização, a despeito de obstáculos, dificuldades, riscos e incertezas, e com isso ter bons resultados; isso extrapola o conhecimento, o trabalho e o dinheiro, que ao final será consequência.

Uma boa forma de entender o significado de vocação talvez seja obtida, por exemplo, ao conversar com pessoas que exercem várias profissões, notadamente as que apresentam altos graus de dificuldades e riscos, exigindo alto grau de senso de missão, compromisso e de entrega. Pergunte como e por que superam tantas dificuldades e riscos? Boa parte desses profissionais tem até condições de buscar alternativas e, no entanto, dedicam-se com afinco àquele caminho escolhido.

As raízes vocacionais estão ligadas a fortes aspectos íntimos de realização, altruísmo, bondade, generosidade, benevolência, grandeza, integridade, aquele sentimento inexplicável de alguma vez cumprir uma missão ou de agregar valor, sem que sejam, contudo, exemplos de perfeição, mas com a convicção de bons efeitos, consequências e resultados individuais e coletivos, lastreados por intenções, propósitos, valores e significados que extrapolam em muito o aspecto meramente material.

Finalizando, trata-se do sonho e da motivação de realizar algo positivo e de valor, de empreender pelo prazer de empreender e concretizar algo altamente satisfatório, obviamente com resultados econômicos, a despeito das dificuldades e obstáculos; é um ato, na essência, de paixão e emoção, do interior para o exterior. Tais empreendedores são figuras raras.

Mais conteúdo no livro Empreendedorismo e armadilhas comportamentais

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  • Luiz Antonio Bernardi
    Luiz Antonio Bernardi

    É contador, administrador de empresas, com mestrado em Finanças pela PUC/SP. Durante 18 anos foi executivo de empresas internacionais, no Brasil e nos EUA, gerente geral, diretor executivo e diretor comercial em empresas nacionais. Desde 1988 desenvolve pesquisa e consultoria a pequenas e médias empresas, e empresas familiares, como sócio-diretor da Wots Consultoria Empresarial (www.wotsconsultoria.com.br). Professor universitário por cinco anos e de pós-graduação por sete anos das disciplinas Planejamento Empresarial, Finanças, Controladoria, Contabilidade Gerencial e Custos, e por três anos foi coordenador do curso de pós-graduação em Controladoria na FECAP. Conferencista, palestrante e professor em cursos livres em várias instituições sociais e de classe, conselhos regionais, associações industriais e comerciais no Brasil. Autor dos livros Manual de formação de preços: políticas, estratégias e fundamentos; Manual de empreendedorismo e gestão: fundamentos, estratégias e dinâmicas; e Manual de plano de negócios: fundamentos, processos e estruturação, publicados pelo GEN | Atlas.