21 de novembro de 2019

Como o PBL pode te ajudar em sala de aula

por GEN.N&G

Como o PBL pode te ajudar em sala de aula? De que forma a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), pode ser identificada como uma solução oportuna para aumentar a praticidade, retenção e aplicabilidade dos conhecimentos de cursos na área de negócios? Confira mais informações com o livro Aprendizagem Baseada em Problemas:

Como o PBL pode te ajudar em sala de aula?

 
A atividade docente é algo muito relevante na vida das pessoas, e, muitas vezes, acreditamos que a solução para a sua evolução esteja fora do ser humano. Podemos, por exemplo, achar que a tecnologia simplesmente substitui tudo que já foi feito. Isso não é verdade. A Figura 1.1 mostra uma sala de aula da Idade Média, onde os filhos dos representantes da classe mais abastada da época compareciam a uma sessão para busca de conhecimento.

Como o PBL pode te ajudar em sala de aula

O curioso é que a turma do “fundão” clássico já existia. Alguns “viajando”, conversando sobre temas fora do contexto da aula ou simplesmente ignorando o que ocorria em sala de aula. Eles sempre existiram. Outros nem piscavam para absorver o conhecimento despejado pelo sábio mestre; graças a Deus, eles sempre existiram, embora não na quantidade que gostaríamos. Outros demonstravam o tédio provocado pela permanência na aula: certamente teriam coisas melhores a fazer. Por outro lado, alguns dormiam descaradamente, e outros faziam lições de outras disciplinas. Igual às nossas salas de hoje. Nem mais, nem menos, com todas as mudanças sociais, econômicas e da tecnologia que ocorreram em todo esse tempo.

Entendendo tecnologia em seu sentido mais amplo, abrangendo metodologias, internet, mecanismos, instrumentos, esta palavra tem provocado transformações em todos os segmentos da sociedade, quanto a rapidez e eficiência. Apesar das transformações, o ser humano continua o mesmo. Ou quase.

Bom, não falamos sobre os professores. Certamente, hoje não estão no púlpito que eram colocados no passado. O desafio mudou, e o papel está em contínua mudança, e, cada vez mais, pensamos no professor como aquele que é o facilitador do processo. A tecnologia tem muito a ver com isso, pois os conteúdos, os tais conhecimentos, podem, com certa facilidade, ser disponibilizados antes, durante e depois de uma aula, de um curso. Ou mesmo esses conhecimentos já estão disponíveis e são de fácil acesso na internet. Quem nunca, diante de alguma dúvida, não recorreu à plataforma de pesquisa Google® ou ao YouTube®?

O que acontece é que, se os conhecimentos podem ser facilmente afetados pela tecnologia, no sentido amplo, percebemos que pouco tem sido feito para proporcionar tanto a melhor absorção como maior facilitação para as práticas. Tudo mudou, mas a combinação de elementos ainda é preservada, em virtude das dificuldades de atender as demandas dos alunos em sua colocação no ambiente.

Devemos particularizar essa preocupação com o que chamamos de área de negócios, tratada nas faculdades pelos cursos de administração, ciências contábeis, economia, engenharia e sistemas de informações. São cursos que focam a organização, em seus mais diversos processos, mas que privilegiam a gestão, o planejamento, a execução e o controle. Esse tipo de curso demanda uma intensa interação entre as questões técnicas e a praticidade da evolução da aprendizagem e passa pela aplicação em algum tipo de contexto e realidade.

Por outro lado, o professor tem de ser preparado para atender a essa demanda. E, tendo em vista a falta de alinhamento entre a demanda dos alunos e a disponibilização de conhecimento por parte dos professores, esses, cada dia mais, enfrentam questões de reflexão, e, em casos extremos, é colocada em xeque a continuidade de seu ofício, questionando sua prática docente.

Provavelmente, você, em algum momento, deparou-se com as seguintes perguntas:

  • Por que os alunos não participam de minhas aulas?
  • Por que os alunos não leem?
  • O que posso fazer para entusiasmar meus alunos?
  • O que posso fazer para ajudar os alunos a se tornarem mais analíticos em sua escrita?
  • Como posso ajudar os alunos a vincular a teoria com a prática vivenciada por eles?
  • O que há de errado em minhas aulas expositivas quando meus alunos não falam?
  • Por que os alunos não usam a biblioteca?
  • Por que as taxas de retenção e progressão estão caindo?
  • O que posso fazer para tornar meu estilo de apresentação mais acessível?

Pois é, os alunos não estão reclamando das suas ou das minhas aulas, mas do sistema em geral. Isso foi o que a professora Lin S. Norton constatou e comunicou em seu livro Action Research in Teaching and Learning: a practical guide to conducting pedagogical research in universities (2009). Principalmente em um momento que o questionamento sobre o status quo é relevante, entender o que se espera de um processo educacional mais eficiente, interessante e agradável é muito oportuno.

De qualquer maneira, como mostrado na Figura 1.1, esse não é um problema contemporâneo, mas algo que já vem desde longa data afetando o sono dos educadores. O que mudou? Certamente, a intensidade da demanda por mudanças e respostas que resolvam os problemas da interface entre o modelo educacional e empresarial. Só dá para entender a questão se percebermos que a motivação por abordagens ativas de ensino-aprendizagem passa pela dimensão de cinco diferentes ângulos, inteiramente interligados:

O ângulo do aluno

 

Os alunos questionam frequentemente as metodologias utilizadas e expressam interesse em ampliar experiências em sala de aula que se aproximem da realidade das organizações. Esse movimento deve aumentar, tendo em vista que a competitividade dos egressos tem se elevado, e sua chance de sucesso no ambiente profissional tem sido atribuída à formação prática, que pode ser adquirida em uma combinação de permanência em uma organização e vivências na entidade educacional.

Por outro lado, as aulas expositivas, embora questionadas, são convenientes para os alunos e, também, para os professores quanto ao esforço. Em outras palavras, a discussão de processo e produto educacional não é percebida como algo integrado e mutuamente impactante.

A abordagem baseada em problemas proporciona um enorme aumento de proximidade com as organizações por focar situações vivenciadas, o que aproxima o conhecimento da utilidade e, por consequência, a competitividade do indivíduo.

Assim sendo, ao menos inicialmente, demanda mais tempo de dedicação.

O ângulo do professor

 

Os desafios de sempre estar preparado para mudanças de conteúdo, de perfis de alunos e, também, de demanda de trabalho extra-aula fazem parte da vida dos professores, mas eles percebem que a obsolescência do conhecimento ocorre. Metodologias ativas demandam adaptação de postura e de perfil e atualizações que nem sempre aparecem como oportunidades, mas, sim, como grandes ameaças. Isso porque, na abordagem de ensino tradicional, a sala de aula é um ambiente de certo modo controlado e previsível, o que não ocorre nas abordagens ativas.

De outro ponto de vista, a abordagem baseada em problemas pode ser percebida como uma grande oportunidade de aumento “da vida útil” por parte do professor, por sempre ser afetado por questões contemporâneas relevantes que serão solucionadas sob a sua coordenação. E, especificamente, no tocante às instituições públicas de ensino superior, a abordagem em PBL pode servir para diminuir a distância entre teoria e prática, potencializada pelas restrições legais de atuação docente no mercado de trabalho em razão dos regimes de trabalho em dedicação exclusiva.

O ângulo do mercado de trabalho

 

A expectativa do mercado de trabalho é encontrar profissionais que tenham combinação de conhecimentos úteis, habilidades desenvolvidas e atitudes direcionadas para suas necessidades. O acesso ao conhecimento foi uma fronteira muito expandida nos últimos tempos e a democratização do mesmo é uma realidade paulatinamente conquistada nas mais variadas perspectivas sociais e geográficas. Existe um verdadeiro clamor de órgãos representativos de classes profissionais e das empresas, no sentido de aperfeiçoar a preparação dos alunos para a prática, como exteriorizaram Stanley e Marsden (2012), referindo-se ao ambiente profissional contábil australiano.

Por outro lado, as habilidades e as atitudes são competências “delicadas” que podem ser evidenciadas e estimuladas, e podem corresponder ao grande divisor de águas no aumento da competitividade entre as organizações. Mecanismos que favoreçam o desenvolvimento dessas competências precisam ser incluídos ao longo da vida dos indivíduos, nos vários papéis desempenhados, seja na família, seja na escola, seja no trabalho.

O foco no contexto resolve uma parte desse problema, proporcionando a ancoragem do conhecimento em algo que faça sentido para as pessoas e elas possam adaptar os conhecimentos em uma dosagem de habilidades e atitudes possíveis. A abordagem de solução de problemas tem uma contribuição importante, pois permite evidenciar que essa combinação é possível de se tornar realidade.

Aqui, inserimos uma separação entre as instituições públicas e privadas, onde a disponibilidade de recursos em confronto com a pressão por respostas rápidas pode fazer com que uma nova solução possa ser implementada com rapidez ou demore muito tempo em razão de debates alimentados por diferentes ideologias. De qualquer maneira, pressionada pelo reclamo da sociedade, ou de esferas superiores, ou mesmo pelo mercado, a busca por respostas que caminhem para a praticidade dos formatos e mecanismos dos cursos se constitui em algo que desafia os dirigentes dessas instituições o tempo todo.

O ângulo dos órgãos reguladores

 

Aqui dispomos as diretrizes dos cursos que, na verdade, são e deveriam ser flexíveis o suficiente para que o contexto das instituições possa absorver e responder com mudanças, ajustes, investimentos e modelos de gestão que possam impulsionar as entidades. A customização dos planos pedagógicos dos cursos é de significativa relevância, tendo em vista os diferentes perfis dos alunos nas instituições, a demanda do mercado local, seu contexto e a própria expertise dos docentes.

Se esmiuçarmos os vários ângulos, perceberemos que algumas convergências ocorrem entre os agentes, com anseios em proporcionar educação de qualidade, dentro de um horizonte de prazo razoável e que coloque rapidamente os egressos em atuações com adequados níveis de eficiência, em contextos próprios.

O interesse pelo PBL nasceu da percepção de que a visão prática do curso deve levar em conta aspectos como solução de problemas reais do cotidiano do grupo de alunos e que os recursos e esforços despendidos sejam dosados em razão da análise, discussão e resolução desse problema. Isso é muito atraente para os alunos, pois, em um primeiro entendimento, eles “não perderão tempo estudando coisas que nunca usarão”. Entender e aplicar dado conceito em uma situação contextual proporciona a percepção de que estão estudando temas e gerando soluções com potencial de aplicação prática.

O uso da palavra “prática” se tornou um mantra na condução de cursos de administração, economia e ciências contábeis. Tudo o que se faz no ensino, de algum modo, deve ser “prático”, e a necessidade de uma solução metodológica motiva os professores a saírem da zona de conforto para buscar respostas e propostas. Essa promessa de praticidade é muito relevante e deve ser alimentada ao longo do tempo. Ademais, explicitando o que é prática, esse termo é vago para um aluno de graduação, pois envolve também um grau relevante de incerteza quanto ao produto proporcionado. Nem sempre isso é claro aos olhos dos alunos. Igualmente, pode-se dizer, aos olhos dos professores.

Por outro lado, existem inúmeras tensões durante o período que o curso se desenvolve. A concorrência com outras disciplinas, por exemplo, constitui-se em elemento relevante, pois o tempo do aluno é disputado por várias outras atividades, inclusive com o emprego. A diferença de tipos de disciplinas (formação geral, formação específica, obrigatórias, optativas, por exemplo) nem sempre se mostra clara para que os alunos se posicionem perante um novo desafio. Talvez nem o seja para o professor.

Para um aluno que conheça a realidade de uma organização, por exemplo, se existe alinhamento entre o emprego e a faculdade, o aluno percebe a praticidade dos conteúdos aprendidos em sala de aula. Se essa experiência não existe, por mais que a disciplina proporcione benefícios, deixa de ser percebida como “prática”. Esse quadro com uma percepção pragmática de curto prazo é parte do mundo vivido pelo docente ao ministrar uma disciplina pela abordagem PBL, em um curso relacionado com negócios.

Particularmente, Ribeiro e Mizukami (2004) referem-se a duas críticas dos alunos quanto ao PBL, a saber: a identificação e o tratamento do problema antes da teoria geram insegurança nos alunos que não tiveram contato mais amplo com os assuntos anteriormente, e a organização dos conteúdos proporcionados pelo método PBL resulta em instabilidade na compreensão de alunos acostumados com métodos mais estruturados e lógicos de ensino. Os dois aspectos criam um contraponto entre o fator atraente do PBL (sua praticidade) e uma desvantagem (a incerteza), o que pode gerar tensão nos alunos. Como consequência dessas características, o PBL deve ser planejado e dosado no currículo.

Mais conteúdo no livro Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL)

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