21 de abril de 2021

Diferenças individuais em competências: aptidão física x aptidão cognitiva

por Idalberto Chiavenato

Algumas pessoas são dotadas de habilidades e competências e são bem-sucedidas em sua vida pessoal e profissional. Outras apresentam deficiências e têm dificuldades com relação ao seu trabalho na organização. Na verdade, as pessoas diferem profundamente entre si. As diferenças individuais ocorrem graças a diversos fatores, entre os quais as aptidões e a personalidade. Aptidão é uma predisposição inata e natural para determinadas atividades ou tarefas.

Representam uma predisposição ou potencialidade de cada pessoa em aprender determinadas habilidades ou comportamentos. Assim, a aptidão é uma habilidade em estado latente ou potencial e que pode ser desenvolvida ou não por meio de exercício ou prática.

Aptidão física

 
As aptidões podem ser classificadas em físicas e cognitivas. As aptidões físicas estão relacionadas com a capacidade física das pessoas. As primeiras pesquisas sobre esse tipo de aptidão são relativamente recentes.

A aptidão física é composta de três dimensões principais:

1. Força muscular: capacidade para exercer pressão muscular contra objetos, como puxá-los, empurrá-los, levantá-los, carregá-los ou baixá-los. Envolve também exercer força muscular em investidas rápidas (energia muscular) e exercer força muscular contínua no tempo, com resistência à fadiga (resistência muscular).

2. Resistência cardiovascular: capacidade para manter atividade física que resulte em aumento da pulsação por um período prolongado.

3. Qualidade do movimento: capacidade para flexionar e estender os membros do corpo para trabalhar em posições incômodas ou contorcidas. Envolve também a capacidade de manter o corpo numa posição estável e resistir a forças que provoquem perda de estabilidade (equilíbrio), e a capacidade de movimento sequencial dos dedos, dos braços, das pernas ou do corpo para resultar em ação qualificada (coordenação).

As organizações utilizam testes de aptidão física para selecionar seus funcionários para trabalhos como os de construção, cujas funções exigem força física e agilidade. Esses testes permitem prever não só o desempenho no cargo, mas também o risco de ferimentos associados a ele.

Aptidão cognitiva

 
Além das aptidões físicas, as pessoas se diferenciam pelas aptidões mentais ou intelectuais. Quase sempre as pessoas utilizam mais de uma aptidão mental. As aptidões mentais não são unidimensionais. Elas apresentam várias facetas. Entretanto, isso não impede que haja relações positivas entre desempenho no trabalho e resultados nas provas de capacidade mental. Alguns especialistas utilizam o termo aptidão cognitiva geral em lugar de inteligência, por ser mais preciso e suscitar menos controvérsia sobre o papel dos fatores genéricos na aptidão mental.

O termo inteligência é comumente utilizado de maneira vaga, dando-lhe elevado valor social, o que dificulta a discussão de aspectos como idade, sexo e diferenças raciais. Spearman tomou por base a análise fatorial para desenvolver uma teoria bifatorial da organização mental, em que haveria um fator geral G que entraria com maior ou menor grau em todas as atividades mentais, ao lado de fatores específicos S responsáveis por atividades de caráter restrito. Para ele, qualquer atividade mental envolveria o fator geral e o fator específico correspondente.

A teoria de Spearman tem grande aceitação nos países europeus. Há muitos testes baseados nessa teoria, como as matrizes progressivas de Raven, o D-48 (dominós) e a INV (inteligência não verbal) de Weil. A aptidão cognitiva apresenta basicamente quatro dimensões:

1. Compreensão verbal: capacidade de compreender e utilizar efetivamente as linguagens escrita e falada.

2. Habilidade quantitativa: capacidade de resolver todos os tipos de problemas com rapidez e precisão, inclusive adição, subtração, multiplicação e divisão, bem como de aplicar regras matemáticas.

3. Capacidade de raciocínio: capacidade de pensar indutiva e dedutivamente a fim de criar soluções para problemas novos. No cerne de um problema de raciocínio, está a necessidade de inventar uma solução ou captar um princípio, e não a de fazer cálculos.

4. Visualização espacial: capacidade de detectar com precisão a disposição espacial dos objetos com relação ao próprio corpo. Reflete a capacidade de imaginar como um objeto pareceria se sua posição no espaço fosse alterada. A visualização espacial está relacionada com o sucesso nas carreiras de engenharia, ciências físicas e artes.

Como a organização mental é complexa e dinâmica, cada autor tem espaço para definir suas categorias ou dimensões. Na verdade, existem várias abordagens a respeito das aptidões mentais.

Os testes psicológicos apresentam duas importantes características, a saber:

1. Validade: capacidade do teste de prognosticar adequadamente a variável que se pretende medir. Um teste de aptidão é válido quando é capaz de prognosticar o desempenho futuro da pessoa naquele aspecto específico medido pelo teste.

2. Precisão: capacidade do teste de apresentar resultados semelhantes em várias aplicações na mesma pessoa. Um teste é preciso quando – aplicado várias vezes em uma mesma pessoa – apresenta o menor desvio-padrão ao redor da média dos vários resultados obtidos. Um teste apresenta pouca precisão quando os vários resultados obtidos em uma mesma pessoa são diferentes e dispersos.

O ideal está em fazer com que todo instrumental utilizado no processo de mensurar características humanas apresente características de validade e de precisão.

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  • Idalberto Chiavenato
    Idalberto Chiavenato

    Idalberto Chiavenato é Doutor (PhD) e Mestre (MBA) em Administração pela City University of Los Angeles-CA, EUA, especialista em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, graduado em Filosofia/Pedagogia, com especialização em Psicologia Educacional pela USP e em Direito pela Universidade Mackenzie. É professor honorário de várias universidades do exterior e renomado palestrante ao redor do mundo. É autor de mais de 30 livros das áreas de Administração, Recursos Humanos, Estratégia Organizacional, Comportamento Organizacional publicados no Brasil e no exterior. É fundador e presidente do Instituto Chiavenato, conselheiro do CRA-SP e membro vitalício da Academia Brasileira de Ciências da Administração onde ocupa a cadeira nº 47. Recebeu dois títulos de Doutor Honoris Causa por universidades latino-americanas e a Comenda de Recursos Humanos pela ABRH-Nacional.