15 de julho de 2020

Comportamento das ações: se a economia vai mal, por que a Bolsa subiu nos últimos dias?

por Juliano Pinheiro

Recentemente, tivemos um pequeno rali nas bolsas de valores, o que gerou muitos questionamentos por parte dos investidores. Para entender o que aconteceu, é preciso compreender o comportamento das ações e como os preços delas são formados.

Continue a leitura e entenda como as ações da Bolsa se comportam e como é possível gerenciar os investimentos de forma otimizada.

Comportamento das ações: dinâmica de preços

 
O preço das ações é influenciado por diferentes fatores, tais como:

  • Fluxo de oferta e demanda da ação;
  • Comportamento histórico dos preços;
  • Projeção da performance da empresa; e
  • Notícias sobre a empresa e/ou mercado.

Algumas variáveis interferem diretamente no comportamento das ações, afetando a dinâmica dos preços, o que provoca altas e baixas.

Os preços das ações sobem em função de:

  • Crescimento acentuado dos negócios e dos resultados das empresas, acima das expectativas anteriores;
  • Queda dos juros básicos da economia, reduzindo a atratividade da renda fixa;
  • Queda na percepção de risco quanto aos acontecimentos futuros, produzindo melhora nas expectativas futuras; e
  • Crescimento consistente de resultados e das perspectivas econômico-financeiras.

Já a desvalorização ocorre em função de:

  • Crises financeiras, que levam a perdas nos investimentos e favorecem a migração para renda fixa na busca por mais liquidez e segurança;
  • Crises econômicas, que afetam as expectativas de crescimento dos negócios da empresa e reduzem o otimismo futuro;
  • Elevação dos juros básicos da economia levando a um maior retorno da renda fixa com baixo risco; e
  • Aumento dos riscos associados aos negócios das empresas, levando à reversão de suas expectativas futuras.

Diante disso, podemos perceber que entender o comportamento das ações não é uma tarefa tão simples quanto pode parecer, e requer análise cuidadosa de diversos fatores.

Imagine agora uma carteira hipotética de investimentos. Como entender o comportamento das ações, de forma a refletir o desempenho do mercado como um todo? Isso requer compreender, inclusive, os índices de ações que são utilizados para acompanhar o movimento das bolsas. Se a carteira envolve investimentos no exterior, o processo é ainda mais complexo.

Esclarecidos estes aspectos iniciais, vamos discutir, especificamente, a recente alta das bolsas no Brasil e no mundo, com as economias local e internacionais destruídas pelo Coronavírus.

Comportamento das ações: se a economia vai mal, por que a Bolsa subiu nos últimos dias?

 
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, as bolsas não refletem a situação atual de uma economia, mas sim antecipam o comportamento que terão em futuro próximo. Dessa forma, elas estão mais para um barômetro do que para um termômetro.

Para enfrentar a crise causada pela paralisação das atividades econômicas, vários países adotaram um conjunto de medidas para socorrer seus agentes, como as empresas que perderam seu faturamento e as pessoas que perderam seus empregos. Países como os Estados Unidos e diversos países europeus anunciaram pacotes bilionários de socorro que injetaram e injetarão muita liquidez na economia, afetando o comportamento das ações em nível global. No caso do Brasil, esta ajuda, além de bilionária, foi executada no momento oportuno.

Outro fator que contribuiu positivamente para a melhora nas expectativas para as economias foram as notícias do início da flexibilização das medidas de isolamento nos países europeus e nos Estados Unidos. Tais medidas, apesar de ainda tímidas, representam a possibilidade da retomada econômica destes países e, consequentemente, de suas economias. Portanto, as bolsas de valores refletiram não a realidade atual das economias, mas a possível recuperação que começarão a apresentar no final do ano.

Muitos têm questionado se os preços das ações ficaram inflados ou se ainda há espaço para mais valorizações. A resposta a esta questão está ligada à situação de cada segmento e cada empresa. Não podemos nos guiar por figuras e formações comportamentais para discutir o valor real dos negócios das empresas. Para isto, é necessário um estudo dos fundamentos da economia, seus setores e de cada concorrente nos setores. Ou seja, trabalho para analistas bem preparados e com muitos anos de experiência nesse tipo de análise. Além dos analistas, precisaremos também dos estrategistas de investimento para traçar cenários e identificar ameaças e oportunidades para as carteiras de investimento dos clientes.

Agora que você entendeu um pouco mais sobre o comportamento das ações, saiba como o mercado de capitais pode ser uma saída para o Brasil superar a crise e garantir a retomada da Economia.

FONTE: JULIANO PINHEIRO

Mais conteúdo no livro Mercado de Capitais

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    Juliano Pinheiro

    Juliano Lima Pinheiro É Doutor e Mestre em investimentos e mercado de capitais, professor e palestrante. Ao longo de mais de 30 anos de uma trajetória profissional abrangente, Juliano Pinheiro passou pela vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento, como conselheiro em instituições representativas de mercado como Anbima e Apimec, e também pela área de ensino e pesquisa acadêmica atuando em cursos de MBA, doutorado, mestrado e graduação do Ibmec, FDC, PUC e UFMG. De 2007 a 2018, montou e foi o Diretor de Gestão da Fiere Investimentos, uma Gestora de Recursos, gerindo fundos de investimento e administrando carteiras para clientes. Detentor da Medalha Economista Paulo Camilo de Oliveira Pena em 2013, Juliano é referência na área de Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Atualmente é Vice Presidente Executivo do IBEF-MG, leciona na UFMG nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Ciências Contábeis e realiza palestras por todo o Brasil.