20 de fevereiro de 2020

Consumo consciente: sabemos o que é, mas por que temos tanta dificuldade em aplicar

por Sandra R. Turchi

Os tempos mudam e, com ele, também precisamos mudar. Ao longo dos anos vivenciamos diversas transformações e até levamos um certo tempo para nos adaptarmos a todas elas, porém, nada é mais urgente que o consumo consciente. E o brasileiro parece caminhar nesse rumo, no entanto, a passos lentos e, isso, não só por culpa do próprio consumidor, mas, também, de toda uma cadeia que por muitos anos negligenciou as necessidades ambientais, sociais e econômicas.

O consumo consciente tem ganhado cada vez mais espaço nas nossas tarefas e hábitos. Ele nada mais é que a sua preocupação com o produto ou o serviço que adquire, isto é, você tenta fazer um equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e as questões ambientais, sociais e financeiras. E vai além disso, envolve conhecer a origem e os processos de fabricação daquilo que você consome e ter a preocupação até com o descarte do material.

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito, revelou que o consumidor brasileiro está mais consciente em relação ao consumo, as pessoas conhecem as práticas, sabem da importância, porém, não estão colocando totalmente em prática. A maior parte dos consumidores entrevistados (97%) diz ter dificuldade em adotar as boas práticas, principalmente, pelo fator financeiro que é apontando como maior entrave.

O maior exemplo disso encontramos nos supermercados. Experimenta fazer um compra de uma semana com produtos orgânicos e que adotam as boas práticas do consumo consciente. O gasto será bem maior que uma compra tradicional onde a maioria das famílias brasileiras procura pelo melhor preço para o custo se encaixar no orçamento mensal. É normal se assustar com o preço de alguns produtos orgânicos nas prateleiras dos supermercados e existem razões para isso.

O produto sustentável deixa de causar impactos ambientais e sociais, mas o custo disso é bancado pela empresa que produz, naturalmente, o produto é mais caro, pois, além disso, ele é fabricado em escala menor e sem uso de defensivos agroquímicos.

Como a pesquisou reforçou, o brasileiro sabe da importância, conhece boa parte da prática consciente e, se adaptar a tudo isso é questão de tempo. Os serviços de troca ou compartilhamento, impulsionados pelo uso da tecnologia, já fazem parte da rotina das pessoas, como aluguel de roupas, uso de carro compartilhado, aplicativos para caronas, aluguel de imóveis por temporada, e aí por diante.

Mas, não só os consumidores tem o papel fundamental nessa transformação. O Governo precisa oferecer a infraestrutura e informações necessárias; as empresas devem investir na produção de produtos saudáveis e sustentáveis, bem como, divulgar os impactos sociais e ambientais; as Ongs, tem o poder de educar o consumidor e levar a informação até a ele.

Assim, o ciclo se fecha e a mudança de hábito sem torna mais sustentável. Atualmente, o consumidor pode até não estar pagando pelo preço para adquirir os produtos sustentáveis, mas de uma forma ou de outra, ele acaba pagando, seja com a sua saúde, com o custo ambiental ou social.

Fonte: Sandra Turchi

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  • Sandra R. Turchi
    Sandra R. Turchi

    É sócia-fundadora da Digitalents, empresa de Consultoria, Treinamentos e Talentos (hunting, coaching e outsourcing) focada no universo digital. Administradora de empresas formada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School SP e Toronto University. Também cursou empreendedorismo na Babson College. Foi executiva de marketing por mais de 20 anos nos setores de Varejo, Financeiro, Educacional e de Serviços em empresas como Lojas Arapuã, Grupo Zogbi, Finasa-Bradesco, FGV, Associação Comercial de SP e Boa Vista Serviços. Eleita um dos professores de marketing mais influentes nas mídias sociais no mundo pela revista SM Magazine. Leciona nos MBAs em Marketing Digital da FGV, FIA, Saint Paul, entre outras instituições. Coordenadora dos cursos de extensão em Marketing Digital e Mídias Sociais na ESPM-SP desde 2008. Articulista de diversos veículos, como revistas e portais, no Brasil e na Europa.