11 de setembro de 2020

Contabilidade Rural: Momento da avaliação

por José Carlos Marion

Um dos problemas encontrados é quanto ao momento de avaliação: como se deve avaliar o estoque vivo a valores de saída? O ideal seria, no encerramento do Balanço Patrimonial, evidenciar patrimônio (estoque) corrente compatível com a data desse relatório. A prática, porém, é um pouco complicada, pois têm-se bezerros e novilhos com idades diferentes naquela data, uma vez que os nascimentos acontecem durante todo o ano.

Momento da avaliação

 

Nascimentos planejados

 
Já se observam empresas pecuárias que planejam lotes de nascimento em determinados períodos do ano (seca e inverno – períodos em que os bezerros não pastejam) por meio da inseminação artificial ou da estação de monta planejada, aceleração dos “cios” etc. Nesse caso, o processo contábil é simplificado, pois o balanço será encerrado logo após os nascimentos e ocorrerão, a partir daí, coincidências nos aniversários do rebanho (um ano, dois anos, três anos…) para as sucessivas avaliações. Mesmo que se quisesse dividir o rebanho em categorias de idade semestral, o processo seria simples. Todavia, quando os nascimentos são distribuídos durante o ano, vários critérios podem ser utilizados.

Avaliação na mudança de categoria (anual)

 
O bezerro seria avaliado por ocasião do seu nascimento e, nos anos seguintes, no mês do seu aniversário (já na categoria de novilho(a)). No encerramento do balanço, seria relacionado no estoque, conforme a avaliação recebida na mudança de categoria. Esse critério traria imperfeições ao estoque, com valores desatualizados, principalmente para o rebanho nascido logo após a data do encerramento do balanço. Embora os valores fossem mais atuais que os do método de custo, seriam obtidos valores de poder aquisitivo diferentes, de diversos meses do ano.

Avaliação na mudança de categoria (semestral)

 
Em vez de planejar a contabilidade distribuindo-se o rebanho em faixa etária anual, a distribuição seria feita semestralmente, por exemplo, bezerros de zero a seis meses; bezerros de sete a doze meses; novilhos de treze a dezoito meses; novilhos de dezenove a vinte e quatro meses, e assim sucessivamente. Dessa forma, ter-se-ia um estoque mais atualizado que no critério anterior, embora houvesse defasagem de preços
de até seis meses para o rebanho nascido imediatamente após o encerramento do balanço. Esse método é um dos mais recomendados.

Avaliação na mudança de categoria e no encerramento do balanço

 
Admitindo-se 31-12 como data-base de encerramento do balanço, o rebanho nascido até 30-6 seria considerado no encerramento do balanço, para efeito de avaliação, como pertencente à faixa etária seguinte (13 a 24 meses ou 25 a 36 meses etc.); o rebanho nascido após 30-6 seria mantido na faixa etária real, não sendo avaliado no levantamento do balanço; manteria, no entanto, a avaliação na mudança de categorias. Se a distribuição de nascimento for razoavelmente uniforme durante o ano, o estoque, em média, refletirá monetariamente o seu potencial (salvo oscilações de preço relevantes no semestre). Esse critério será significativamente melhorado se as categorias forem divididas em faixa etária semestral. Observe-se que, nesse critério, os bezerros serão avaliados sempre a preço de mercado por ocasião do seu nascimento, para compor os balancetes intermediários. O rebanho nascido até 30-6 é avaliado, normalmente, no encerramento do balanço, enquanto o nascido após 30-6, na mudança de categoria.

Avaliação no encerramento do balanço

 
O rebanho é avaliado apenas no encerramento do balanço, considerando-se a sua idade. Assim, um bezerro nascido e avaliado durante o ano será novamente avaliado no final do período contábil, considerando-se a quantidade de meses vivida. Dessa forma, deve existir um controle de gado por idade (não se desprezando as categorias), a fim de que se conheça a idade em meses para a avaliação no final do período. A fazenda, portanto, fará um mapa e controlará o rebanho por lote nascido mensalmente. Particularmente, considera-se esse critério o mais adequado. Todavia, quando há concentração de nascimentos em certo período do ano – e isso ocorre com frequência – o ideal é encerrar o balanço após esse período e trabalhar com a mudança de categoria.

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  • José Carlos Marion
    José Carlos Marion

    É mestre, doutor e livre-docente em Contabilidade pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/ USP). É professor e pesquisador do Mestrado em Contabilidade na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Dentre os 29 livros publicados na área contábil, é autor de Contabilidade rural, Contabilidade empresarial e Contabilidade básica e coautor de Curso de contabilidade para não contadores, Contabilidade avançada, Introdução à teoria da contabilidade, Contabilidade comercial, Administração de custos na agropecuária, Manual de contabilidade para pequenas e médias empresas, Contabilidade geral para concurso público, Contabilidade da pecuária e Normas e práticas contábeis, publicados pelo GEN | Atlas.