9 de abril de 2020

Assista a live “EAD: onda ou tsunami?”, com Andrea Ramal, Silvia Casa Nova e Guilherme Klafke

por Andrea Ramal

A atual crise mostra como cenários mudam bruscamente, de um dia para o outro. Por conta da pandemia da Covid-19, instituições, coordenadores, professores e professoras foram chamados a se adaptar rapidamente para uma oferta urgente de disciplinas online. E isso não só no Brasil, mas no mundo todo. O que pode acontecer com o ensino superior após a pandemia?

Fomos todos chamados a um processo de adoção forçada e urgente de ferramentas tecnológicas para educação a distância. Na live realizada na quarta-feira (08), os autores do GEN | Atlas discutiram alguns pontos:

– O que fazer, como fazer a transição de nossos cursos e disciplinas do formato presencial para o online? Isso envolve pensar em que ferramentas temos disponíveis e como utilizá-las.
– O que permanecerá depois que a crise passar: será que uma leva grande de professores está apenas torcendo para tudo isso terminar e voltar para as aulas presenciais?

Bem, a impressão é que o novo normal é a constante mudança. Então, os autores sugerem utilizar essa crise para sermos melhores depois que ela passar.

A live rendeu bons frutos: muitos participantes,  perguntas, discussões interessantes e até mesmo um pedido para realizarmos outro bate-papo! Ficamos felizes com o resultado e pretendemos, em breve, fazer outros vídeos.

Por enquanto, você pode conferir um pedacinho do bate-papo entre Andrea Ramal, Silvia Casa Nova e Guilherme Klafke, em que eles comentaram sobre o futuro da educação após a pandemia do novo coronavírus. Em seguida, fique com o vídeo completo da live!

Andrea: O que vai mudar na educação superior depois do COVID-19?

 
Silvia: Penso que a mudança já começou. Tivemos todos, instituições, coordenadores e coordenadoras, professores e professoras e estudantes que nos adaptar rapidamente a algo que não estava inicialmente em nosso contrato pedagógico.

Mas é ainda difícil antecipar o que veio para ficar. Será que estamos todos esperando que a crise passe para voltarmos ao que éramos antes?

Acho que não. Tenho alguns palpites sobre o que veio para ficar, e o primeiro palpite é sobre a mudança de nossa relação com a tecnologia. É entendermos que ela veio para ficar e que não poderemos virar as costas para ela. Não estamos aqui em uma live pelo Instagram? É algo que a crise nos trouxe como possibilidade de interação nesse momento de isolamento social. E aproveitando a deixa: FIQUEM EM CASA!

Voltando ao tema, temos teorias sobre resistência ou aversão à tecnologia. Muitas explicam porque não adotamos a tecnologia. Mas o fato é que esse contexto de crise, e de uma crise que parece que veio para ficar, mostrou que temos que nos habituar à tecnologia, que temos que tê-la como aliada, temos que ficar fluentes em seu uso. Ou seja, nós docentes e discentes, para além de qualificação profissional, precisamos buscar a qualificação tecnológica.

Pense no contexto da educação superior em nosso país. Ela cresceu enormemente, com as matrículas nos últimos dez anos aumentando 56,4%. E ainda há espaço para crescer, principalmente com oferta de cursos à distância.

Mas a possibilidade de termos esse crescimento, que é necessário para um país com a dimensão e as especificidades regionais do nosso, passa por políticas públicas, por investimentos na estrutura das instituições, pelo desenho de soluções tecnológicas e pela qualificação dos docentes, tanto a qualificação pedagógica quanto a qualificação tecnológica. Recentemente, temos falado muito sobre metodologias ativas e é importante que falemos. Mas como usar a sala de aula invertida em um curso online? É esse o desafio que temos agora.

A crise trouxe uma necessidade rápida de se adaptar à oferta online possível. Mas o que acontecerá depois, quando esse depois chegar, necessariamente passará por um planejamento e pela definição de estratégias que sejam mais perenes.

E, por último, penso que devemos aproveitar esse momento de aprendizado forçado para pensar nesse depois e alimentar esse processo de planejamento. Se possível, guardarmos memórias e relatos desse momento.

Andrea: Todo mundo teve que se adaptar a toque de caixa. Que ajustes serão necessários?

 
Silvia: Sim, a adaptação teve que ser feita a toque de caixa e isso nos impactou em diferentes níveis, no nível pessoal, no nível de grupo, no nível social.

Algumas instituições decidiram paralisar temporariamente seus calendários e aguardar. Outras determinaram um período de transição e partiram para as aulas online. Finalmente, algumas nem aguardaram, fizeram uma transição automática. No caso da minha instituição, foi o segundo cenário, houve um tempo pequeno de transição com a constituição de um comitê de crise para coordenar algumas ações.

Mas o fato é que muitos colegas estão em um momento de extrema ansiedade, se sentindo pressionados e responsabilizados por fazer uma mudança muito rápida e sem uma preparação prévia adequada.

Não temos dormido, temos corrido contra o relógio, temos que oferecer respostas rápidas em um momento de extrema incerteza e em que nosso trabalho se mistura com nossa casa, em que nossa vida profissional se funde com a vida pessoal. E temos que considerar que as pessoas estão com medo, estão tensas. Temos enfrentado muitas perdas.

A transição do presencial para o online não é automática. Inicialmente estamos fazendo de maneira automática e é o melhor que podemos fazer. Ou seja, nesse momento, como educadores espero que aprendamos a lidar com o imponderável, com o possível, com a responsabilidade de fazer ou não fazer algo.

Mas depois teremos que buscar a qualificação, tanto pedagógica como tecnológica. E para isso o ideal é que contemos com o apoio de nossas instituições.

Como instituições penso que é necessária uma ação coordenada dentro do possível, para que as pessoas se sintam apoiadas e tenham recursos para se capacitar muito rapidamente. No momento teremos problemas de estrutura, de conexão, de plataforma. Essas questões precisam ser endereçadas pelos gestores e coordenadores das instituições. Não podem ficar na conta do professor.

Aulas online, ótimo! Mas é possível um treinamento rápido para mostrar algumas possibilidades? Gravações? Ok. Mas serão mais caseiras nesse momento, depois podemos tentar melhorar. Interação por fórum? Ótimo, mas podemos pensar formas de moderar, de organizar, de condensar as participações e oferecer um retorno aos estudantes.

Como professores, vamos ter que aprender a tentar, internalizar nossos erros como possibilidades de aprendizagem para podermos melhorar a cada dia. Gosto muito da proposta de Donald Schon, do professor reflexivo, do professor que aprende pela prática e pela reflexão sobre a sua prática, claro que sempre buscando formação e informação. Teremos que adotar um modelo como esse e buscar essa reflexão.

Por exemplo, no GoogleMeet podemos ter uma aula online. No Zoom podemos dividir a sala em grupos pequenos para discussões. E no Moodle, temos a possibilidade de fóruns para debater questões colocada durante a aula online. E que tal chamar uma especialista para apresentar sua experiência sobre um tema? Ontem, na minha aula on-line, que contei com a Haydee Svab para falar sobre mobilidade e o direito à cidade.

Que tal fazer uma enquete rápida com Socrative para quebrar um pouco a aula expositiva? Ou colocar um QRCode para acessar uma pesquisa online e depois trazer os resultados para a aula? Afinal, ninguém aguenta 4 horas de aula expositiva online, nem o professor, nem o estudante …

Para os estudantes, sabemos que o contrato mudou. Nenhum de nós está tendo o que queria inicialmente, mas o que podemos juntos aprender disso. E se estiver muito difícil, peço ajuda. São tempos de exceção. E se tiver dicas e experiências, ofereça ajuda, compartilhe.

Live: “EAD: onda ou tsunami?”, com Andrea Ramal, Silvia Casa Nova e Guilherme Klafke

 

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  • Andrea Ramal
    Andrea Ramal

    Andrea Ramal é consultora, escritora e palestrante. Doutora em Educação pela PUC-Rio, atua como comentarista sobre o tema no programa Encontro com Fátima Bernardes, na Rede Globo, e no quadro semanal Escola da Vida, da Rádio CBN. Implantou programas de formação de professores no Brasil, na Colômbia e em outros países da América Latina. Apoia o GEN | Grupo Editorial Nacional na produção de conteúdo multimídia para o ensino superior. É consultora na implementação de inovação educacional.