8 de junho de 2020

A emissão de moeda é uma alternativa para reaquecer a economia pós pandemia?

por José Luis Oreiro

A Blue Solution realizou a segunda edição do Diálogos Blue, na forma de webinar, em 20/05/20, sobre o tema “A emissão de moeda é uma alternativa para reaquecer a economia após a crise provocada pela pandemia?”.

Debatedores:

  • Romero Jucá, economista e consultor-chefe da Blue
  • Mírian Lavocat, advogada e economista (representando a ABRIG) • José Oreiro, economista e professor da UnB •
  • Roberto Ellery Jr., economista e professor da UnB

Confira os principais trechos do debate “A emissão de moeda é uma alternativa para reaquecer a economia pós pandemia?”:

 
Romero Jucá: “Não há uma receita única para resolver esse impasse. Teremos que usar o aumento da divida pública e a emissão de moeda de forma balanceada, conforme a necessidade e prioridade dos gastos. É uma construção permanente a ser discutida coletivamente. Defendo a separação dos orçamentos de investimento de retomada da atividade econômica daquele de custeio de funcionamento dos ministérios. O teto de gasto deve funcionar para o gasto público. Nós temos que planejar a retomada da economia agora, não podemos esperar o COVID passar. O papel das relações governamentais é fundamental para sintonizar e construir com a sociedade as soluções necessárias para retomar o crescimento do Brasil.”

Mírian Lavocat: “O endividamento do país não poderá ser repassado exclusivamente ao setor produtivo. Inconcebível pensar em reforma tributária com aumento de tributos. Neste cenário, o profissional de RelGov será fundamental para apresentar estudos e proposições que permitam soluções eficazes, necessárias à adequação dos problemas de natureza política e econômica”.

José Oreiro: “Não há razão para nos preocuparmos com a relação da dívida pública como proporção do PIB nos próximos anos como decorrência da crise do Coronavírus. Não há evidência empírica de que um endividamento público elevado esteja associado a uma menor taxa de crescimento. Caso a sociedade brasileira deseje reduzir o crescimento da dívida pública, a alternativa é recorrer ao financiamento monetário (parcial) do déficit público. Para tanto é necessário que a taxa de juros Selic seja reduzida a zero por cento ao ano durante a vigência do estado de calamidade pública.”

Roberto Erelly: “Como financiar as políticas necessárias para combater a crise? Elevação de tributos está fora de questão. A dívida pública do Brasil é muito alta para padrões de países emergentes, embora não seja fácil dizer qual o limite para a dívida pública esse limite existe. Daí aparecer o flerte com emissão de moeda, mas não é simples. O excesso de dinheiro (na realidade de reservas bancárias) joga a Selic para baixo. Se o Banco Central aceitar essa queda, a taxa de juros passará a ser determinada pelo Tesouro.

Se quiser manter o controle sobre os juros o BC terá de vender títulos o que aumentará a dívida de qualquer maneira. A emissão de moeda implica no abandono do instrumento central do regime de metas de inflação, o controle de juros pelo Banco Central, ou em crescimento da dívida. Permitir o financiamento do Tesouro por meio de emissão monetária aumenta o poder do Planalto, fica mais fácil atender demandas corporativas ou eleitoreiras. Talvez devamos prestar mais atenção na eficiência do gasto público. A experiência com as compras de respiradores sugere que é mais fácil conseguir o financiamento do que garantir a qualidade das compras. No fim do dia, apesar dos problemas, o aumento da dívida será a forma menos custosa de financiar o combate à pandemia.”

Para saber mais, assista ao vídeo a seguir!

 

Fonte: José Luis Oreiro

Mais conteúdo no livro Macroeconomia do Desenvolvimento - Uma Perspectiva Keynesiana

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  • José Luis Oreiro
    José Luis Oreiro

    Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 1992), Mestre em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio, 1996) e Doutor em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2000). Atualmente, é professor adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), Pesquisador Nível IB do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e líder do grupo de pesquisa “Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento”. Foi presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB) no período 2013-2015. Tem cerca de 100 artigos publicados em revistas científicas no Brasil e no exterior, como no Journal of Post Keynesian Economics, Cambridge Journal of Economics, Metroeconomica, Investigación Económica, Revista de la Cepal, Revista Brasileira de Economia, Revista de Economia Política e Estudos Econômicos.