22 de novembro de 2016

Punição de funcionários é a melhor forma de corrigir?

por Amarildo de Souza Nogueira

Será que a punição é o melhor caminho para corrigir atos ou procedimentos que foram transgredidos? Para refletirmos melhor busquei no dicionário Aurélio o significado da palavra punição que é o seguinte: ato de punir, castigo ou penalizar. Acredito que qualquer um dos termos utilizados acima (punir, castigar, penalizar) dá a conotação de algo ruim, que com certeza quando aplicado as pessoas ao invés de estimular para motivar, desmotivará ainda mais e criará revolta e indignação se não houver um critério bem definido para aplicação.

Tenho observado, com o decorrer dos anos, que o ser humano e nossa sociedade vem mudando sua forma de ser, agir e se comportar.  No decorrer de nossas vidas, muitos são os responsáveis pelo que somos, muitos influenciam em nossas decisões, em nossos pensamentos e na forma de nos produzir como “homens”. Somos o resultado do desejo de nossos pais, professores, líderes religiosos e políticos. Somos influenciados pelos meios de comunicação, o mais eficaz modo de se propagar ideias, onde destacamos a TV como o maior deles, massificando a cultura, ao incutir e padronizar.

A punição pode produzir inúmeros efeitos negativos, conforme Marinho (1999), dentre eles destaca-se o comportamento antissocial. Crianças, adolescentes e até adultos, que passam a apresentar comportamentos agressivos e rebeldes têm em sua história de vida a constante presença da punição como principal forma de controle de seus comportamentos. Essas crianças, adolescentes e adultos mostram-se desconfiadas, inseguras e incapazes e, muitas vezes, tornam-se membros de grupos e gangues para se sentirem importantes e reconhecidas. O rendimento escolar também pode se agravar, uma vez que a própria escola pode também ganhar função de estímulo aversivo para as crianças.

Acredito que ao invés de punição é importante utilizar de técnicas disciplinares para administrar conflitos, cultura da empresa e problemas do dia a dia, com conversas e acompanhamento com regras claras para todos sem qualquer distinção. Na grande maioria das ocorrências não precisamos punir para evitar ou impedir as pessoas de agirem mal, porém em alguns casos se faz necessário, para não virar bagunça, desde de que a regra esteja clara. Porém, podemos alcançar o mesmo fim com reforçadores positivos, sem produzir os indesejáveis efeitos colaterais da coerção. Uma maneira de impedir que as pessoas façam algo sem puni-las é oferecer-lhes reforçadores positivos por fazerem alguma outra coisa positiva (SIDMAN, 1995, p. 248).

O reconhecimento é uma das principais medidas para motivar e promover conquistas pessoais e profissionais para um profissional, além de trazer benefícios para a empresa, como maior produtividade, funcionários em busca de resultados e com maior foco para o sucesso da organização. O problema é que nem sempre isso acontece…

Reconhecimento é o processo pelo qual ao reforçar as boas ações, proporcionamos nas mentes humanas a absorção do aprendizado dos que nos ensinam e motivação para ir em frente. Eu não sou eu: eu sou as palavras que os outros plantaram em mim. Como disse Fernando Pessoa: ‘Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim’.

 

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  • Amarildo de Souza Nogueira
    Amarildo de Souza Nogueira

    Consultor empresarial, Mestre em Gestão de Negócios pela Universidade Católica de Santos, MBA em Logística Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Business and Management International Professional pela University of California (Irvine – EUA). Possui especialização em Metodologia do Ensino Superior e Metodologia da Pesquisa pela FGV. É Bacharel em Sistemas de Informação pelo Centro Universitário Fundação Santo André (FSA) e tem formação em Coaching Integrado Internacional pelo ICI – Integrated Coaching Institute. Professor de cursos de graduação e MBA nas áreas de logística, administração e gestão de pessoas.