15 de setembro de 2021

ESG: por que devemos ficar de olho nessa sigla

por Sandra R. Turchi

A sigla, em inglês, ESG para “environmental, social and governance” (ambiental, social e governança, em português) está promovendo uma transformação nos negócios por meio da incorporação de novos critérios de avaliação e acompanhamento. Tradicionalmente, as empresas no mundo todo eram avaliadas apenas pelos critérios de risco, rentabilidade e liquidez, um modelo cada vez mais desgastado. E isso está mudando. O ESG adota novas métricas que levam em conta o meio ambiente, o impacto social e a governança de uma instituição.

Não basta apenas ter a liquidez se a empresa não adotar ações que mitigam os impactos ambientais. Além disso, é preciso ter o olhar de se preocupar com a condição social, diversidade da equipe, com um ambiente de trabalho inclusivo e saudável que vai impactar na produtividade, no relacionamento com a comunidade, e aplique práticas corretas de conduta corporativa, como um regime de auditoria para acabar com a corrupção, por exemplo. Os investidores e todo o mercado estão de olho nesse conjunto de ações que permeiam as relações institucionais e de mercado.

As empresas devem criar um olhar estratégico para os novos indicadores (meio ambiente, social e governança) e traçar um caminho que irá contribuir com a sociedade dentro desses parâmetros. A pandemia do coronavírus acelerou as mudanças e a comunidade e os consumidores estão mais criteriosos quanto às empresas que adotam a responsabilidade social como fio condutor dos negócios. A opinião pública passou a ter um papel fundamental na construção da marca dessas empresas.

Dentro dessa estratégia, é preciso ter a visão que adotar uma posição sustentável deixou de ser uma opção e virou uma necessidade para o sucesso dos negócios. A responsabilidade com o meio ambiente se tornou tão ou mais importante quanto o lucro que as organizações podem demonstrar como resultado. São questões fundamentais que podem fazer diferença no valor de mercado da instituição, pois, atualmente, os investidores estão priorizando as empresas que se preocupam com o descarte de resíduos do processo industrial, como utilizam recursos naturais, o nível de poluição produzido, energia adotada na produção, entre outras questões sustentáveis que podem gerar impacto no meio ambiente.

Nos últimos anos, investidores passaram a direcionar seus recursos para as empresas que adotam as práticas de ESG. Segundo a Ambima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), o patrimônio dos fundos na categoria sustentabilidade e governança chegou, em 2021, a R$1,07 bilhão, quase o dobro do que foi registrado há um ano. Muito além das práticas de ESG, as atitudes sustentáveis, sociais e de governança nas empresas geram benefícios concretos com a viabilização de investimentos impactados pelos compromissos regulatórios e de gerenciamento de riscos.

A prática vai além de novas métricas e a implantação de uma gestão dedicada a se adaptar à nova realidade corporativa. O impacto da mudança é de longo prazo e só surtirá efeito quando houver uma profunda transformação cultural. A análise ESG deve levar em conta, além dos dados, a realidade da empresa e a cultura que os colaboradores estão inseridos. Não basta apenas aplicar o ESG, é preciso replicar aquilo que as pessoas são no dia a dia e, por isso, uma educação corporativa é necessária nessa transformação.

A transformação digital já segue nesse caminho. Acelerada pela pandemia, essa transformação está mudando a realidade e o panorama das empresas que trabalham para integrarem essa nova fase. A adequação tem que ser ampla para promover uma mudança no escopo das organizações que desejam aliar as práticas de ESG com a digitalização dos negócios, conforme o mercado impõe novas mudanças.

No campo do conhecimento, o ESG também deverá provocar mudanças. A educação não deve ser mais vista como antigamente. A transformação do ensino precisa compreender a importância de ações sustentáveis, seja no âmbito pessoal ou profissional.

O impacto social com essa transformação está se tornando essencial para o ecossistema empresarial. A adequação das práticas promove aos negócios crescimento, rentabilidade e confiança do mercado e dos consumidores.

A pandemia ampliou o foco nas estratégias de ESG e, cada vez mais, o valor gerado pelas empresas irá além das questões financeiras tradicionais. As pautas discutidas em todo o mundo, através da prática do ESG, se tornaram extremamente importantes para a sociedade e não podem mais ser ignoradas pelas empresas que desejam prosperar em um mercado focado na sustentabilidade ambiental, social e de governança em um ambiente mais justo e consciente, mas para isso, a educação corporativa é um pilar extremamente necessário nessa transformação dos negócios.

FONTE: SANDRA TURCHI

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  • Sandra R. Turchi
    Sandra R. Turchi

    É sócia-fundadora da Digitalents, empresa de Consultoria, Treinamentos e Talentos (hunting, coaching e outsourcing) focada no universo digital. Administradora de empresas formada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School SP e Toronto University. Também cursou empreendedorismo na Babson College. Foi executiva de marketing por mais de 20 anos nos setores de Varejo, Financeiro, Educacional e de Serviços em empresas como Lojas Arapuã, Grupo Zogbi, Finasa-Bradesco, FGV, Associação Comercial de SP e Boa Vista Serviços. Eleita um dos professores de marketing mais influentes nas mídias sociais no mundo pela revista SM Magazine. Leciona nos MBAs em Marketing Digital da FGV, FIA, Saint Paul, entre outras instituições. Coordenadora dos cursos de extensão em Marketing Digital e Mídias Sociais na ESPM-SP desde 2008. Articulista de diversos veículos, como revistas e portais, no Brasil e na Europa.