5 de dezembro de 2019

O espaço profundo e as nossas deficiências cotidianas

por Tadeu Cruz

A NASA, agência espacial americana, ativou um relógio atômico, no dia 23 de agosto de 2019, que funcionará como uma espécie de GPS espacial para guiar futuros astronautas em suas viagens a outros planetas e naves autônomas navegando no espaço profundo. “Cada nave espacial que explora o espaço profundo é guiada por navegadores daqui da Terra. O Relógio Atômico do Espaço Profundo, DSAC sigla em Inglês para Deep Space Atomic Clock, mudará tudo isso, permitindo a navegação autônoma a bordo”, disse Jill Seubert, vice-diretora da pesquisa que desenvolveu o sistema. Qualquer relógio atômico precisa ser incrivelmente preciso para ser usado nesse tipo de navegação. A imprecisão de apenas um segundo no relógio pode significar a diferença entre pousar em Marte ou errar por milhares de quilômetros. O DSAC é 50 vezes mais estável que os relógios atômicos dos satélites de GPS. Além disso os pesquisadores estimam que o DSAC se defasará gradualmente um segundo a cada 10 milhões de anos e será um dos relógios mais precisos do universo.

Nós somos uma espécie muito peculiar e particular, acreditando-se que existem milhares de outras nos universos conhecidos e desconhecidos. Somos capazes de criar um instrumento que permitirá guiar nossas naves com precisão infinitesimal em viagens a lugares nunca antes explorados, mas, ainda não sabemos como vamos alimentar 10 bilhões de seres humanos por volta do ano 2050. Pior, destruímos, inexoravelmente, o planeta, exaurindo seus recursos ano após ano, como se já pudéssemos “vazar daqui, numa boa” quando o ano de 2050 enfim chegar.

Há uma série de deficiências cotidianas que ainda não somos capazes de resolver ou, pelo menos, apontarmos soluções plausíveis, factíveis, e que vão do aquecimento global às crises migratórias também globais.

Em termos empresariais, nossas deficiências estão ligadas a coisas que vão da incapacidade de implantarmos processos melhorados, racionalizados a soluções para resolver a exclusão digital ainda presente em todo mundo, independentemente das gigantescas redes de satélites que estão sendo projetadas e construídas por empresas americanas.

Tomemos, por exemplo, a necessidade inexorável das organizações de todos os tipos e tamanhos, implantarem os processos preconizados pela LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados, e que a maioria absoluta sequer ainda pensou em como implantar as obrigações oriundas da referida lei.

Dia destes, conversando com um amigo que atua na área de gestão eletrônica de documentos, GED, perguntei como estava o sendo implantada a LGPD, ao que ele me respondeu:

– Há uma certa histeria eletrônica em torno do tema. As empresas estão muito preocupadas com o acervo eletrônico, mas pouco ou nada preocupadas com o acervo físico. E a quantidade de papel existente nas organizações ainda é enorme e crescente,

Isto é o que eu chamo de deficiência cotidiana.

Mas, ainda que estejam preocupadas com o acervo eletrônico, e segundo este meu amigo, pouco está sendo feito apesar das preocupações, até por conta da ignorância sobre processos, as organizações ainda não conseguem pensar corretamente no que é exigido pela LGPD. A Lei exige que sejam atualizados ou criados:

• Mapa de fluxo de dados pessoais (Personal Data Flow Map).

• Tabela de temporalidade de guarda de logs de consentimento.

• Política de gestão de dados pessoais.

• Política para tratamento de dados pessoais para terceirizados.

• Termo de uso e Política de privacidade.

• Contratos.

• NDA.

• Check-list Compliance.

• Código de Conduta.

• Política de Segurança da Informação.

Mesmo as pequenas empresas têm condições de pensar na LGPD, até porque a complexidade de cada item acima está ligada ao tamanho de cada organização.

As profundas deficiências cotidianas costumam ser relegadas, mas não podem ser apagadas da realidade.

Fonte: Tadeu Cruz

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  • Tadeu Cruz
    Tadeu Cruz

    É Graduado em Administração de Empresas e em Filosofia pela Universidade São Marcos (1982). Especializado em System Software e em Data Communication Software pelo Cologne International Training Centre (Colônia, Alemanha) (1980). Especializado em System Engineering pela Hewlett Packard de México (1987). Mestre em Engenharia de Produção – Pesquisa Operacionale Gerência da Produção pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE-UFRJ) (2005). Professor de diversas universidades em cursos de graduação e pós-graduação. Ex-professor do curso de Engenharia de Produção da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Autor de 25 livros técnicos (3 em coautoria, sendo 1 em inglês), 6 livros de poesias e 1 livro de contos. Participou de mais de 140 cursos de extensão e especialização na Itália, França, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Argentina e México. Possui 43 anos de vivência e experiência em Tecnologia da Informação e da Comunicação, e 33 anos de vivência e de experiência em Qualidade e Desenvolvimento Organizacional. Trabalhou como consultor de Tecnologia de Informação e da Comunicação e de Gerência de Processos e Projetos no Uruguai, Chile, Argentina, Alemanha, Angola, Moçambique, Paraguai, Venezuela e Estados Unidos. Criador da Metodologia DOMP™ para mapeamento, análise, modelagem, implantação e gerenciamento de processos de negócio, utilizada em empresas localizadas em vários países e referenciada em dezenas de trabalhos acadêmicos.