31 de janeiro de 2019

Aprenda conceitos e objetivos relativos à elaboração do fluxo de caixa

por Edson Cordeiro da Silva

Fluxo de caixa é uma ferramenta que controla a movimentação financeira (as entradas e saídas de recursos financeiros) de uma empresa, em um período determinado. Fluxo de caixa é um instrumento de gestão financeira que projeta para períodos futuros todas as entradas e as saídas de recursos financeiros da empresa, indicando como será o saldo de caixa para o período projetado.

O fluxo de caixa facilita a gestão de uma empresa no sentido de saber exatamente qual o valor a pagar com as obrigações assumidas, quais os valores a receber e qual será o saldo disponível naquele momento. Denomina-se saldo a diferença entre os recebimentos e os pagamentos. Ao analisar o fluxo de caixa, se o saldo for negativo significa que a empresa tem gastos a mais. Nesse caso, o gestor terá que rever os gastos para conseguir aumentar a entrada de dinheiro. Por outro lado, se um saldo for positivo, ele indica que a empresa está conseguindo pagar as suas obrigações e ter disponibilidade financeira.

O fluxo de caixa é um recurso fundamental para os gestores saberem com precisão qual a situação financeira da empresa e, com base no resultado, decidir os caminhos a seguir, ou seja:

É o principal instrumento da gestão financeira que planeja, controla e analisa as receitas, as despesas e os investimentos, considerando determinado período projetado. Pode-se também dizer que consiste numa representação gráfica (planilha) e cronológica de entradas (ingressos) e saídas (desembolsos) de recursos monetários, o que permite às empresas executar suas programações financeiras e operacionais, projetadas para certo período de tempo.

É possível, a partir da elaboração do fluxo de caixa, verificar e planejar eventuais excedentes e escassez de caixa, o que provocará medidas que venham a sanar tais situações. É importante ressaltar que o caixa é o instrumento fundamental para tomada de decisões financeiras e representa a “disponibilidade imediata”, ou seja, é diferente do “resultado econômico contábil”.

O caixa de uma empresa gera lucro quando há disponibilidade de recursos para aplicação, que consequentemente receberá juros. Do mesmo modo, se não houver caixa, isso impactará no resultado, porque a empresa utilizará recursos de terceiros, pagando juros pela captação, para fazer frente aos compromissos assumidos, o que tornará o resultado menor.

Aprenda conceitos e objetivos relativos à elaboração do fluxo de caixa

Foto: Istock/Getty Images

O resultado econômico, isto é, o lucro ou prejuízo de uma empresa, pode ser diferente do resultado financeiro, que é a geração de caixa. O que se quer dizer é que existe diferença entre lucro e caixa; mesmo que o caixa tenha liquidez, não significa que se tenha lucro no decorrer do tempo.

Alguns aspectos podem gerar diferenças entre o lucro e o fluxo de caixa, dos quais citaremos alguns casos:

  • A não pontualidade das receitas e o não reconhecimento como perda geram diferenças que podem ser tanto temporárias como permanentes. Mesmo quando se recebem os atrasos com juros, tais valores ajustados podem gerar diferenças, caso a taxa de juros cobrada pelos atrasos seja diferente do custo de oportunidade da empresa.
  • A depreciação e a amortização de valores, devidamente contabilizadas, ocasionam o reconhecimento contábil no lucro. Entretanto, não representam saída de caixa. Elas constituem, porém, o critério de atribuir parcelas ao resultado ao longo da vida útil do ativo. Dessa forma, afetam o cálculo de impostos, os quais refletem no fluxo de caixa da empresa.
  • O capital de giro também sofre impacto, pois os tempos de recebimentos e pagamentos são diferentes. Outro fator ligado ao capital de giro são os estoques, que também geram diferenças.
  • Quaisquer tipos de provisões afetam a demonstração de resultados; porém, não afetam o fluxo de caixa. A provisão de longo prazo pode impactar o caixa em casos de contingências e disputas judiciais, por exemplo, e também pode impactar em curto prazo, como os casos de encargos provisionados ao final do mês, para serem pagos no início do período seguinte.
  • Receitas geradas, mas não recebidas, como são os casos de investimento no mercado financeiro, em que são reconhecidos os juros; porém, só serão recebidos no final do período de investimento.

Assim, podemos dizer de forma simples que lucro (no regime de competência, o registro do documento se dá na data em que o evento aconteceu) é o total de dinheiro que lhe resta depois de obter o seu retorno e pagar as suas despesas. Fluxo de caixa (regime de caixa é o regime contábil que apropria as receitas e despesas no período de seu recebimento ou pagamento, respectivamente, independentemente do momento em que são realizadas) ocorre quando você de fato recebe e paga o dinheiro. Cashflow é uma expressão inglesa, muito conhecida no meio financeiro, que significa fluxo de caixa.

A importância de um sistema confiável de projeção de fluxo de caixa

 
O fluxo de caixa projetado e real da empresa representa uma importante informação gerencial. Através dessas demonstrações do fluxo de caixa, podem ser analisadas as alternativas de investimentos, os motivos que ocasionaram as mudanças da situação financeira da empresa, as formas de aplicação do lucro gerado pelas operações e também as razões de eventuais reduções no capital de giro.

Para o fluxo de caixa se tornar referência de gestão, é necessário que seja possível mensurar o efeito resultante entre as decisões gerenciais e o nível de liquidez; aumentar o horizonte de projeção, e, consequentemente, aumentar uma visão futura da empresa; acompanhar os processos vigentes, bem como fazer uma revisão contínua desses processos no caso de eventuais mudanças nos negócios. A integridade das informações financeiras inerentes aos cálculos, premissas, cenários e informações operacionais, considerados na projeção, é muito importante na avaliação financeira e de auditoria (quando necessário) do negócio.

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  • Edson Cordeiro da Silva

    Edson Cordeiro da Silva, graduado em Contabilidade e Economia, mestre em Sistema de Gestão pela Escola de Engenharia de Produção (Latec) da Universidade Federal Fluminense (UFF), com MBA em Finanças e Mercado de Capitais e pós-graduado em Ciências Contábeis pela Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ). Ex-diretor do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), ex-vice-presidente da ANEFAC-RJ (1991\1992), ex-diretor do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IAIB/Ibracon- RJ), ex-Auditor Independente-Pessoa Física (CVM) 1984, ex-membro efetivo da Câmara de Fiscalização (1990/1993) do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-RJ), ex-membro da Associação dos Peritos Judiciais do Estado do Rio de Janeiro, ex-membro do Conselho Empresarial de Varejo e Governança Corporativa da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), membro da Academia Nacional de Economia (ANE) (cátedra no 050 – Coordenador do Grupo de Estudos Acadêmicos em Governança Corporativa) e Certificate of Membership – The Institute of Internal Auditors Inc. New York (1978). Possui experiência de mais de 20 anos em cargos de gerência e diretoria nas áreas de Controladoria e Finanças em empresas de grande porte nas atividades de Varejo, Serviços, Seguros, Indústria, Mercado de Capitais, Governo e Informática. Atua também como consultor financeiro nas áreas de Finanças, Governança Corporativa, Gestão Empresarial, Controladoria e Projetos para Investimentos. Ex-professor colaborador da Universidade Federal Fluminense (UFF), credenciado junto ao Curso de MBA – Desenvolvimento Gerencial Avançado com ênfase em Gestão de Negócios para ministrar a disciplina Governança Corporativa. No período de 1986 a 2000, foi Diretor de Controladoria do GRUPO GLOBEX UTILIDADES S/A (companhia de capital aberto) e de 2001 a 2006, foi Diretor Financeiro da IPLANRIO (Empresa Municipal de Informática S/A.) e Presidente do Conselho Fiscal da RIOURBE (Empresa Municipal de Urbanização S/A). Conselheiro de Administração certificado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, IBGC, SP, 2010. Atualmente, trabalha como consultor na empresa Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRAS, na Diretoria de Governança e Conformidade (DGC) na área de Governança Corporativa. Autor dos livros Governança corporativa nas empresas, 4a edição/2016, e Relação com investidores (RI) e governança corporativa nas empresas, 1a edição/ 2012, publicados pelo GEN/Atlas.