8 de março de 2019

O que são os Fundos de Investimento?

por Juliano Pinheiro

Depois da queda na taxa de juros básica da economia, SELIC, para 6,5% ao ano, muitos investidores vem buscando formas de melhorar sua rentabilidade. Neste contexto, os Fundos de Investimento têm sido muito recomendados e utilizados na montagem de carteira de investimento.

Apesar de já fazerem parte de nosso mercado financeiro desde a década de 50, os fundos de investimento ainda são uma incógnita para vários investidores.

O que são os Fundos de Investimento? Conheça a história

 
O primeiro fundo de investimento, no Brasil foi o Crescinco. Aberto à captação no dia 18 de janeiro de 1957, foi idealizado por uma companhia financeira americana, a International Basic Economy Corporation, e apoiado por influentes bancos brasileiros e investidores particulares. O fundo foi constituído em “regime de condomínio aberto”, com estruturas muito próximas às das companhias de investimento americanas do tipo aberto. Sua administração foi confiada à Companhia de Empreendimentos e Administração IBEC, uma subsidiária brasileira do grupo Rockefeller. Foi até os anos 70 o maior fundo brasileiro.

Fundo de Investimento é uma comunhão de recursos, constituído sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em carteira de títulos e valores mobiliários, bem como em quaiquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais.

Os Fundos mútuos de investimento são como um condomínio que investe em um portfólio diversificado. São entidades financeiras que, pela emissão de títulos de investimento próprios, concentram capitais de inúmeros indivíduos para aplicação em carteiras diversificadas de títulos e valores mobiliários. São regidos por um regulamento e têm na Assembleia Geral seu principal fórum de decisões.

O que são os Fundos de Investimento?

É importante destacar que o fundo não é de propriedade de uma instituição financeira, mas sim dos condôminos que o compõem.

Os fundos agem em nome de uma coletividade, substituindo grande número de investidores, oferecendo as vantagens decorrentes dessa concentração. Os principais elementos que os diferem das demais modalidades de aplicação são:

O que são os Fundos de Investimento?

A administração dos recursos de um fundo mútuo é feita por administradores especializados com expertise de mercado. O investidor não adquire títulos que compõem o fundo mútuo e sim compra e vende cotas desse fundo.

Os fundos são condomínios voluntários porque seus proprietários participam dele por livre e espontânea vontade, visando atender a interesses individuais de investimento. Por meio desses fundos, cada cotista participa até o limite de suas cotas, expressas por um único título representativo de propriedade, chamado Certificado de Investimento, emitido pelo administrador do fundo. Os cotistas proprietários do fundo nomeiam – ou aceitam, se já nomeado – um administrador ou mandatário, que se serve de um contrato de mandato, regulamentos e outros instrumentos jurídicos, para administrar os valores do condomínio, segundo regras previamente estabelecidas.

Os principais agentes na estrutura de fundos são:

 
Administrador – constitui o fundo e o representa em todos os seus atos. Não há necessidade do administrador estar vinculado a uma instituição financeira tradicional, uma vez que o mesmo deterá apenas a propriedade fiduciária dos ativos, fato que evita que os mesmos sejam atingidos por falência ou recuperação judicial.
Gestor – identifica oportunidades de investimento e administra a carteira de ativos do fundo.
Custodiante – responsável pela custodia (guarda) dos ativos do fundo. Recomenda-se a eleição de uma instituição financeira sólida, uma vez que há o risco dos ativos custodiados virem a ser atingidos por falência ou recuperação judicial.
Auditor Independente – auditor registrado na CVM, encarregado de auditar as Demonstrações Financeiras do fundo.

Por serem constituídos sob a forma de condomínio, todos os cotistas devem possuir direitos, receitas e despesas iguais. Em função de sua forma jurídica os investimentos em cotas de fundos não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O administrador deverá manter em ordem todos os livros legais e fiscais do fundo, assim como a sua contabilidade, o arquivamento de sua documentação, apresentar tempestivamente ao Bacen e a quem mais de direito os balancetes e balanços, aplicar e resgatar os recursos aplicados e zelar por todos os direitos dos condôminos.

Não é permitido aos fundos aplicar recursos dos condôminos em outros ativos que não sejam aqueles específicos do mercado financeiro e de capitais, tais como fazer empréstimos, prestar avais, fianças e outras exposições do patrimônio dos condôminos.

Analisando sob o aspecto jurídico, podemos classificá-los em dois tipos: aberto e fechado. Fundo aberto emite ilimitadamente cotas, aceita investidores em geral e não tem limite de capital. Os recursos captados são investidos em novos ativos. O fundo fechado é lançado com número fixo de cotas; após a venda dessa quantidade de cotas, o fundo estará fechado para novos investidores.

O que são os Fundos de Investimento?

Os recursos dos fundos podem ser aplicados em carteira diversificada – títulos de renda fixa públicos e privados, títulos de renda variável, commodities, mercado de índices etc. – dependendo de seu perfil operacional. Em virtude do risco que o aplicador assume no ato de seu ingresso no fundo, é obrigação do administrador prestar todas as informações necessárias, entregando-lhe cópia do Regulamento do Fundo, para sua opção de aplicar ou não naquele fundo.

Para administrar esses recursos, os administradores cobram dos condôminos um percentual sobre o valor da carteira que somente pode ser alterado se devidamente autorizado pela assembleia de condôminos. Esse percentual varia de acordo com a concorrência entre os administradores em remunerar melhor os seus investidores ou na alavancagem que esses recursos possam lhes trazer. Normalmente, os principais custos relacionados a fundos são:

Taxa de administração – remunera os gestores pela análise dos ativos a serem colocados na carteira de investimentos, pela decisão e administração. Incide sobre o patrimônio do fundo.
Taxa de performance – em alguns fundos, o gestor cobre um percentual do ganho do ciente caso a rentabilidade supere um indicador predefinido.
Taxa de entrada e/ou saída – pode ser cobrada no momento de aplicação ou no resgate das cotas, e pode ser utilizada como forma de inibir resgates antes do tempo estabelecido em estatuto.

A regulamentação prevê completa segregação entre as atividades do fundo e de seu administrador: O patrimônio do fundo não se confunde nem se comunica com o da instituição financeira. Desta forma, se um banco falir, os ativos dos fundos que estão sob sua administração não são afetados, com exceção dos títulos e valores de emissão do próprio banco que estiverem na carteira do fundo.

No Brasil, como em todo o mundo, temos inúmeras opções de fundos, tendo esses várias opções de risco, montante de aplicação, prazo e volume de negócios. Para a escolha do fundo mais adequado a suas necessidades, os investidores devem avaliar qual a sua tolerância a risco e custos envolvidos em cada fundo. Portanto, alguns aspectos devem ser avaliados, como:

• estratégia e objetivo adotado pelo fundo;
• composição da carteira do fundo;
• custos;
• rentabilidade comparada ao risco oferecido (relação risco-retorno):
• rotatividade dos gestores do fundo;
• liquidez;
• volatilidade (risco em relação à taxa); e
• regulamento do fundo.

Para o controle e fiscalização dos fundos, a CVM os classifica segundo as seguintes classes:

a. Fundos regidos pela ICVM nº 409:
• Fundos de Curto Prazo
• Fundos de Renda Fixa
• Fundos de Ações
• Fundos de Dívida Externa
• Fundos Multimercado
• Fundos Cambiais
• Fundos Referenciados

b. Fundos regidos por regulamentação própria
• Fundos de Investimento em Participações
• Fundos de Investimento em Empresas Emergentes
• Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios
• Fundos de Investimento Imobiliário

Já os fundos que contêm em seu nome a expressão “Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento”, também conhecidos como FIC ou FICFI, são fundos que em vez de investir diretamente nos ativos objetos de seu regulamento, optam por adquirir cotas de outros fundos de investimento.

Muitas instituições optam por criar alguns fundos de investimento principais (FI) e outros diversos FICFI que investem naqueles FI principais. Esta estrutura é conhecida como “Master & Feeder”.

O que são os Fundos de Investimento?

Por fim é muito importante que os investidores estejam sempre atentos a:

• Promessas de lucros e rendimentos;
• Fórmulas mágicas para ganhar dinheiro;
• Informações e ofertas via internet; e
• Investimento que não entendam.

Se você tiver mais informações a respeito e quiser compartilhar deixe nos comentários. Ou se quiser me envie por email: jlp@gold.com.br

Fonte: https://julianopinheiro.net.br/

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  • Juliano Pinheiro
    Juliano Pinheiro

    Juliano Lima Pinheiro É Doutor e Mestre em investimentos e mercado de capitais, professor e palestrante. Ao longo de mais de 30 anos de uma trajetória profissional abrangente, Juliano Pinheiro passou pela vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento, como conselheiro em instituições representativas de mercado como Anbima e Apimec, e também pela área de ensino e pesquisa acadêmica atuando em cursos de MBA, doutorado, mestrado e graduação do Ibmec, FDC, PUC e UFMG. De 2007 a 2018, montou e foi o Diretor de Gestão da Fiere Investimentos, uma Gestora de Recursos, gerindo fundos de investimento e administrando carteiras para clientes. Detentor da Medalha Economista Paulo Camilo de Oliveira Pena em 2013, Juliano é referência na área de Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Atualmente é Vice Presidente Executivo do IBEF-MG, leciona na UFMG nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Ciências Contábeis e realiza palestras por todo o Brasil.