2 de março de 2020

O futuro da mão de obra qualificada

por Sandra R. Turchi

O Brasil vive uma expectativa gigantesca quanto aos investimentos que vão resultar no crescimento e desenvolvimento de muitas empresas ao longo de 2020. A tendência é que seja gradual e orgânico, se a receita seguir aquilo que foi aplicado ao longo do ano passado. Porém, a preocupação do empresariado vai além. Com a retomada da economia, a produção tende a recuperar patamares pré-crise, utilizando toda mão de obra disponível, mas, para continuar crescendo o país vai depender de trabalhadores qualificados e mais conectados.

É possível perceber que na maioria das empresas há falta de mão de obra qualificada, principalmente, aquelas ligadas a tecnologia. Na era digital, conseguir um trabalhador suficientemente qualificado para ocupar determinada vaga tem sido o desafio a ser enfrentado pelas empresas. O ano começou com muitas vagas abertas na área de tecnologia, porém, são vagas que deixaram de ser preenchidas ao longo de 2019.

Muitas empresas que apostaram em uma expansão esbarraram na limitação da mão de obra. Um exemplo, são os aplicativos de serviços que oferecem entrega de comidas, encomendas, transportes e por aí vai. Por trás do aplicativo, há uma centena de desenvolvedores dedicados a otimizar o serviço e desenvolver novos sistemas para as empresas, no entanto, os processos seletivos terminam sem preencher todas as vagas.

O Brasil demorou a abrir os olhos para o boom dos serviços oferecidos por aplicativos e outras empresas de tecnologia. De repente, nos vimos cercados por uma infinidade de soluções na tela do celular. Agora, é preciso correr atrás para formar novos estudantes qualificados para dar conta da demanda. O problema, é que isso está longe de uma solução. Ainda iremos sofrer em busca do profissional certo.

Um levantamento aponta que neste ano haverá um déficit de 1,8 milhão de pessoas qualificadas para vagas especializadas. Até 2030. esse número deverá crescer a um percentual de 12.4% ao ano. E, em um país com cerca de 12 milhões de desempregados e quase 40 milhões vivendo na informalidade, isso é uma tragédia. Com tanta gente fora do mercado, e com tantas vagas abertas na área de tecnologia, nos leva a crer que estamos caminhando por lados opostos. Deixamos de qualificar os trabalhadores, deixamos de incentivar jovens estudantes, esquecemos de olhar para o futuro por comodismo.

E agora a conta vem, cobrando alto. Com a retomada da economia, nossas empresas podem deixar de crescer por falta de trabalhadores qualificados. O mesmo estudo aponta que nos próximos anos as empresas deixarão de faturar e, consequentemente, não irão expandir a produção, por falta de funcionários especializados. Precisamos rever a formação dos jovens, aquilo que estamos incentivando nas escolas.

Estamos em outros tempos e, se não corrermos atrás, veremos empresas saírem do país em busca de profissionais qualificados. E mais que isso, quando há urgência, o risco de formarmos profissionais “meia-boca” é maior ainda. Então, vamos atrás do prejuízo, mas pelo caminho certo, sem atropelar as coisas, pois o que ficou para trás não volta mais. O jeito é usarmos de lição para melhorarmos o futuro.

Fonte: Linkedin Sandra Turchi

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  • Sandra R. Turchi
    Sandra R. Turchi

    É sócia-fundadora da Digitalents, empresa de Consultoria, Treinamentos e Talentos (hunting, coaching e outsourcing) focada no universo digital. Administradora de empresas formada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School SP e Toronto University. Também cursou empreendedorismo na Babson College. Foi executiva de marketing por mais de 20 anos nos setores de Varejo, Financeiro, Educacional e de Serviços em empresas como Lojas Arapuã, Grupo Zogbi, Finasa-Bradesco, FGV, Associação Comercial de SP e Boa Vista Serviços. Eleita um dos professores de marketing mais influentes nas mídias sociais no mundo pela revista SM Magazine. Leciona nos MBAs em Marketing Digital da FGV, FIA, Saint Paul, entre outras instituições. Coordenadora dos cursos de extensão em Marketing Digital e Mídias Sociais na ESPM-SP desde 2008. Articulista de diversos veículos, como revistas e portais, no Brasil e na Europa.