17 de abril de 2020

Gestão da aprendizagem: resultados, avaliação e “fechar o loop”

por Hong Yuh Ching

A escolha de uma atividade de aprendizagem deve ser adequada à complexidade do objetivo a ser avaliado. Se o docente pretende avaliar nos alunos o desenvolvimento da competência visão sistêmica, ele deve escolher uma atividade que permita atingir esse objetivo.

Nessa etapa, o docente irá pensar nas medidas para avaliar a aprendizagem. A avaliação pode ser distinta de acordo com sua finalidade. Pode ser do tipo diagnóstica, em que o professor coleta evidências dos seus alunos logo no início do processo de aprendizagem, normalmente no início do curso ou do programa.

O outro tipo é a formativa ou de processo, em que o professor colhe evidências da aprendizagem do aluno mediante atividades que ele deve desenvolver ao longo do curso ou do programa. Dessa forma, o professor pode fazer intervenções, se necessárias, modificando suas atividades e/ou fornecendo feedback aos alunos.

Finalmente, temos a somativa ou de resultado, aplicada ao final do curso/programa. Ela possibilita ao professor obter insumos para analisar e revisar o planejamento do curso, em partes ou no seu todo.

Os instrumentos de avaliação devem ser capazes de medir o nível de aprendizagem do aluno e seu desenvolvimento quanto aos objetivos de aprendizagem propostos. Eles são os mesmos utilizados nas atividades de aprendizagem.

Rubrica é uma ferramenta de avaliação que claramente indica os critérios de realização ao longo de todos os componentes de qualquer tipo de trabalho. Ela serve para auxiliar a avaliação das atividades e identificar os diferentes níveis de aprendizagem dos alunos. Também serve como instrumento de feedback aos alunos.

Um tipo de rubrica, a analítica, separa diversos componentes de avaliação na vertical de uma matriz e na horizontal os valores de avaliação, que podem ser expressos numericamente ou por letra, ou em escala que vai do pobre para o excepcional. Esse tipo de rubrica pode também permitir diferentes pesos para diferentes componentes. No Quadro 1.3, temos um exemplo de rubrica e critérios sugeridos para avaliação de um mapa conceitual.

Gestão da aprendizagem: resultados, avaliação e "fechar o loop"

Gestão da aprendizagem: resultados, avaliação e "fechar o loop"

Os componentes de avaliação são transformados em critérios nesse exemplo e os valores de avaliação são expressos em quatro níveis, cada um correspondendo a uma nota. O docente deverá avaliar o mapa conceitual dando nota para cada critério de forma individual e somar essas quatro notas para chegar à nota final dessa atividade. Assim, se ele der nota 5,0 para agrupamento, nota 6,0 de conceito, nota 7,0 de hierarquia e 3,0 de elementos de ligação; se todos os critérios tiverem o mesmo peso, a média aritmética será de 5,25. O docente pode sofisticar dando pesos diferentes para cada critério de acordo com a importância dada por ele.

Você pode realçar a experiência de aprendizagem dos alunos envolvendo-os no processo de desenvolvimento das rubricas. Isso pode resultar em maior experiência de aprendizagem, mas também possibilita a eles terem um maior sentido de propriedade e inclusão no processo de tomada de decisão.

Avaliação (Av)

 
Os resultados obtidos na etapa anterior irão permitir ao docente acompanhar e intervir no processo e comunicar aos alunos o seu desempenho e evolução no curso ou no programa. A comunicação ao aluno é parte essencial da aprendizagem e ligada à avaliação, notadamente a comunicação avaliativa. O uso de rubricas pode eliminar feedbacks subjetivos e focar nos aspectos de aprendizagem que necessitam de melhoras.

Uma dica pode ser listar cinco pontos fortes e cinco pontos fracos da atividade/dinâmica recebida dos alunos e sugerir mudanças para a próxima vez. Peça também que os alunos deem feedback avaliativo e apontem o que  funcionou bem, o que pode ser melhorado, onde eles tiveram mais dificuldades e como você pode facilitar melhor o processo da próxima vez. Dar e receber feedback é uma arte. Listo abaixo algumas dicas de como isso pode acontecer de maneira efetiva.

Recebendo feedback:

• Escute o feedback dado com atenção. Essa atitude faz você absorver e entender melhor a informação do que agir de forma defensiva e focando na sua resposta.
• Tome cuidado com sua linguagem corporal.
• Esteja aberto e receptivo a novas ideias e posições.
• Assegure-se de que entendeu bem a mensagem antes de responder.
• Avalie o valor do feedback e as consequências de adotá-lo ou não.

Dando feedback:

• Avalie a partir de uma evidência objetiva em mãos, como resultado de uma prova, trabalho ou atividade.
• Limite seu feedback para os itens mais importantes e que podem ser de valor para o aluno.
• Concentre-se no comportamento e não na pessoa.
• Prefira reforçar as coisas que o aluno fez bem para só então identificar as áreas de melhoria e maneiras/sugestões de fazer as mudanças.
• Procure ilustrar com situações ou exemplos seu feedback e ofereça alternativas para o aluno decidir o que fazer com ele.
• Esteja disponível para futuras conversas e mostre interesse pela melhoria do aluno.

Fechar o loop (F)

 
O último passo da Gestão de Aprendizagem é fechar o loop (F) desenvolvendo um plano de ação de melhoria como resultado de uma reflexão crítica. Engajar-se nessa reflexão crítica a partir do feedback avaliativo ajuda a pensar com mais clareza e sem viés o que pode ser melhorado.Isso vale tanto para o professor quanto para o aluno.

A nossa curiosidade pode nos motivar a engajarmo-nos em um processo refletivo, conforme os modelos ilustrados nos Quadros 1.4 e 1.5:

Gestão da aprendizagem: resultados, avaliação e "fechar o loop"

Gestão da aprendizagem: resultados, avaliação e "fechar o loop"

Com base nos modelos ilustrados e a partir do feedback avaliativo dos alunos e da sua própria avaliação dos resultados, o professor deve desenvolver finalmente um plano de ação de melhorias que passa por:

• Melhorar na dinâmica ou pensar em outra para motivar melhor os alunos ou desenvolver melhor a competência.

• Melhorar a forma de avaliação e as rubricas ou a maneira como a aula é conduzida em sala, adotando outros métodos de ensino.

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  • Hong Yuh Ching
    Hong Yuh Ching

    Formado em Administração pela FGV/SP, especialização em finanças por CEAG/FGV, Mestrado em Contábeis pela PUC/SP e Doutorado em Engenharia pela Unicamp. Professor titular do Centro Universitário FEI, desde inicio de 2010 ocupa cargo de Coordenador do curso de ADM, campus SBC. Autor de diversos livros e artigos em periódicos nacionais e internacionais. Suas linhas de pesquisa são em finanças, sustentabilidade e educação em gestão.