15 de fevereiro de 2018

Governança em gestão de projetos: como atingir a maturidade

por Roque Rabechini Jr.

Atualmente, o ritmo de trabalho nas corporações possui demandas cada vez mais urgentes, o que leva os gestores a decidir de forma muito pragmática, sem nenhum planejamento prévio. No entanto, para alcançar bons resultados e obter crescimento na estrutura de gerenciamento, é necessário investir em boa governança corporativa, isto é, governança em gestão de projetos.

Para isso, as empresas que querem obter bons resultados devem se profissionalizar investindo em capacitação gerencial. Em geral, o caminho para a maturidade gerencial é longo e seu crescimento pode ser visto por meio de níveis evolutivos.

Governança em gestão de projetos: como atingir a maturidade

 
No primeiro nível, encontram-se as empresas que não possuem organização formal de sua gestão, nem uma cultura empresarial que encoraje esse desenvolvimento, portanto, não há processos organizados nos quais os profissionais possam seguir.

Nesse contexto inicial, diante dos problemas que surgem, os gerentes que fazem a diferença são aqueles que optam pela organização dos processos gerenciais. A partir daí, é possível preparar a equipe para alcançar o segundo nível de maturidade, que se caracteriza por uma linguagem de trabalho comum entre os profissionais, em um ambiente cujos processos são aprimorados e utilizados pelos envolvidos.

Nesse ponto, a organização está pronta para buscar o terceiro nível de maturidade gerencial. As características que o marcam são:

a) processos organizados em uma metodologia implementada;

b) disseminação de uma cultura gerencial própria;

c) profissionais decidem baseados em informações provenientes de processos;

d) existência de um sistema de informação que adeque dados para a tomada de decisão;

e) estabelecimento de um sistema de indicadores gerenciais.

Aqui, acredita-se que haja objetivos mais claros e um sistema de comunicação integrado, que possibilite a utilização de indicadores de desempenho.

Em relação aos indicadores, no primeiro nível, ainda não há o conhecimento necessário para fazer a mensuração adequada. No segundo nível, se for possível situá-los, será conceitualmente. Já no terceiro nível, são utilizados os KPIs (indicadores-chave de desempenho) que possibilitam avaliar a atuação gerencial e que devem evidenciar o sucesso das atividades implementadas.

Para desenvolver e alcançar uma boa governança corporativa, é preciso, fundamentalmente, tempo, e também que todos os profissionais envolvidos compreendam a importância de uma mudança na cultura corporativa. Um gestor deve tomar decisões baseadas em processos que gerem informações consistentes. Dessa forma, seus acertos serão maiores. Ou seja, com maturidade, serão obtidos melhores resultados.

No entanto, existem ainda outros dois níveis que uma empresa pode alcançar em termos de governança. Para se chegar ao quarto nível, a organização poderá fazer comparações gerenciais com outras empresas de setores diferentes (ou quem sabe do mesmo setor sempre que possível). A comparação serve para mostrar aos gestores os caminhos a serem seguidos ou, então, que eles estão no caminho certo.

Por fim, no quinto nível, é possível fazer uma comparação com a felicidade de uma pessoa – há a necessidade de uma busca constante por melhorias.

Mas como identificar se uma empresa é madura em termos de governança?

 
Uma evidência da falta de governança em uma empresa ocorre quando um profissional sai e leva com ele todo o conhecimento. Já uma empresa madura deve organizar o conhecimento por meio de processos e de um sistema de informação, visando manter a inteligência integrada.

Outra característica das empresas que não têm governança é que não existem treinamentos para os novos funcionários ingressantes nos processos que a função exigirá. Já uma empresa com boa governança, pelo contrário, se preocupa com o treinamento do novo profissional.

Para as empresas que não possuem governança e desejam desenvolvê-la, é necessário selecionar um conjunto de processos e buscar a maturação deles. Não é preciso fazer tudo ao mesmo tempo, é possível selecionar apenas alguns processos, torná-los maduros e assim por diante.

Para encerrar esses comentários, faz-se necessário também mencionar que é preciso ter paciência, uma vez que os resultados aparecerão, mas não imediatamente. Embora muitos executivos desejem resultados rápidos, eles devem entender que esse investimento leva tempo e que a longo prazo sua aplicação é muito benéfica. Sendo assim, quando os resultados aparecem, os membros começam a ter maior capacidade para a resolução de novos problemas.

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  • Roque Rabechini Jr.
    Roque Rabechini Jr.

    Consultor de empresas com atuação em implementação de escritórios de projetos, estruturação de processos de lançamento de novos produtos, criação de metodologia de gerenciamento de projetos e gestão de riscos, entre outros. Tem pós-doutorado e mestrado em Administração (FEA/USP), Doutor em Engenharia de Produção (Poli/USP). É Engenheiro de Produção, Professor do Programa de Pós- Graduação em Administração na Universidade Nove de Julho-UNINOVE e Professor da FIA. Autor dos livros "O Gerente de Projetos na Empresa" e "Fundamentos em Gestão de Projetos: Construindo Competências para Gerenciar Projetos" ambos publicados pelo Grupo GEN | Editora Atlas. Além disto, tem diversos trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais, publicados em revistas qualificadas.