11 de junho de 2018

Inteligência Artificial: discussões sobre a era da incerteza e imprevisibilidade

por Martha Gabriel

Era da incerteza e imprevisibilidade: estive nesse mesmo evento há 3 anos, e é interessante observar que, apesar de a Inteligência Artificial dominar a cena hoje, em 2015 não era assunto e não fazia parte das tecnologias emergentes discutidas então. Isso mostra a complexidade dos nossos tempos, a incerteza e a imprevisibilidade: no cenário acelerado em que nos encontramos, é impossível prever o futuro, até mesmo para a MIT Tech Review.

AI é “A” tecnologia emergente

 
Enquanto no passado esse evento tratava de inúmeras tecnologias que emergiam como tendências, como vídeo, RA e RV, desde 2017 ele tem focado quase totalmente em Inteligência Artificial. As demais tecnologias apresentadas gravitam em torno de AI: robótica, IoT etc.

Ciências da Computação vs. Ciências Humanas

 
Uma ideia comum, mas equivocada, é a de que Inteligência Artificial é tecnologia e, portanto, refere-se apenas às ciências da computação. Na realidade, o desenvolvimento estratégico da área envolve pensamento crítico, linguagem, negociação, ética e inúmeras outras áreas de humanidades – ou seja, ciências humanas. Assim, o diálogo entre os mais diversos campos do saber é essencial para o nosso futuro. Uma frase que resume de forma brilhante essa questão é:

“Descobrir COMO otimizar é um problema das Ciências da Computação. Descobrir O QUE otimizar não é.” – Nate Silver

AI hoje: muita inteligência, pouca autonomia

Frequentemente vemos acontecer a confusão entre os termos “inteligente” e “autônomo”. No entanto, saber a diferença entre eles é essencial para entender onde estamos, pois a Inteligência Artificial hoje tem alta inteligência, mas baixa autonomia.

O CEO do Allen Institute for AI, Oren Etzioni, traz um exemplo extremamente didático que mostra isso: um adolescente que se embebeda insanamente com amigos possui alta AUTONOMIA, mas baixa inteligência; um sistema como o AlphaGo (que vence o melhor jogador humano de GO tem alta INTELIGÊNCIA, mas baixa autonomia (pois não consegue fazer nada mais além de jogar GO).

Mundo sem leis

 
Atualmente vivemos com a AI o mesmo cenário que a sociedade enfrentou com o surgimento dos carros no início do século passado: as pessoas simplesmente podiam dirigir sem possuir habilitação, não existiam semáforos, sinais de trânsito, cintos de segurança, leis etc.

Muitos acidentes e mortes aconteceram antes que surgisse e se consolidasse uma regulamentação. As discussões atuais em torno de inteligência artificial buscam encontrar os melhores caminhos para regular seu uso. No entanto, como AI é uma tecnologia genérica, que pode ser aplicada a qualquer área, a regulamentação precisa ser criada por campo específico de aplicação: carros, brinquedos, robôs etc. para ser eficiente.

Dados são o combustível para Inteligência Artificial

 
O cérebro humano aprende com dados: sejam dados existentes (provenientes das experiências de outras pessoas) ou dados que geramos com nossas experiências (provenientes de tentativa e erro). Assim, o primeiro passo para ter inteligência é ter dados. AI sem dados é como um cérebro vazio, sem memória – não tem o que processar. Ambientes ricos em dados são altamente propícios para a aplicação de AI.

Inteligência Humana vs Inteligência Artificial

 
Brenden Lake, professor assistente da NYU, apresentou alguns dados interessantes comparando o estado atual da AI e a inteligência humana, auxiliando a compreensão da evolução da tecnologia:

  • pessoas aprendem com menos dados que os melhores sistemas de AI;
  • humanos constroem os modelos mais ricos e flexíveis do mundo, enquanto a AI atual é movida por reconhecimento de padrões;
  • ingredientes cognitivos essenciais ainda estão ausentes ou são subutilizados na AI atual.

Essas questões são apenas alguns dos inúmeros insights e tendências sobre Inteligência Artificial que impactam a sociedade, os negócios e a economia. Estamos literalmente construindo o futuro e a responsabilidade de cada um de nós – indivíduos, empresas e instituições –, e é enorme esse processo.

Para os interessados, o meu livro Você, Eu e os Robôs: Pequeno Manual do Mundo Digital trata de todos esses assuntos de maneira mais aprofundada. Vale a leitura!

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Fonte: Martha Gabriel

 

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  • Martha Gabriel
    Martha Gabriel

    É considerada uma das principais pensadoras digitais no Brasil, referência em inovação, transformação e educação digitais. Autora de dois best-sellers e finalista do Prêmio Jabuti, é também premiada palestrante keynote internacional, tendo realizado mais de 70 apresentações no exterior, além de 4 TEDx. É uma das palestrantes mais requisitadas do Brasil, realizando mais de 100 palestras por ano. Apresentadora da websérie “Caminhos da Inovação” da Desenvolve SP e do Mundo Digital e “SEBRAE Digital” na Rádio Jovem Pan. Rankeada entre os 50 profissionais mais inovadores do mundo digital brasileiro pela ProXXIma, entre os Top 50 Marketing Bloggers mais influentes do mundo pelo KRED e Homenageada Especial do Prêmio Profissional Digital ABRADi 2017. Executiva e consultora nas áreas de business, inovação e educação. Engenheira pela Unicamp, pós-graduada em marketing pela ESPM-SP e em design pela Belas Artes-SP, mestre e Ph.D em artes pela ECA-USP e educação executiva pelo MIT. Professora de pós-graduação na PUC-SP, no TIDD – Tecnologias da Inteligência e Design Digital, de MBAs, e de Faculty Internacional da CrossKnowledge. Sócia da Martha Gabriel Consulting & Education e da startup Nethics Educação.