12 de agosto de 2020

Investimento em ações: estratégias x prazos

por Juliano Pinheiro

O novo cenário de taxa de juros baixa, com a Selic a 2,25% ao ano, tem levado muitos investidores a se interessarem pela renda variável, especificamente pelo mercado de ações. Diante disso, decidi esclarecer um pouco sobre as estratégias que envolvem o investimento em ações em função do seu prazo.

Investimento em ações: prazos

 
Vamos começar tratando de um tema simples, mas de grande relevância para a definição das operações de trading no mercado: a importância do prazo nas estratégias de investimentos.

O investimento em ações deve sempre ser realizado considerando o perfil do investidor. Portanto, antes de executar uma estratégia, é fundamental a definição do apetite ou tolerância ao risco do investidor, que pode ser mais conservador ou agressivo, em função de suas necessidades ou momento de vida. Com base neste perfil, podemos definir diversos prazos para sua execução, principalmente quando estamos objetivando obter ganho através da valorização da ação, como nas estratégias de trading.

O trader pode ser comparado a um comerciante. Ele compra uma ação por determinado preço na expectativa de que irá se movimentar e gerará oportunidades de ganho. Ou seja, seu foco está no preço, o que exige uma necessidade maior de acompanhamento do mercado e controle emocional nas operações.

As três principais operações realizadas pelos traders são: Day Trade (operações de compra e venda no mesmo dia), Swing Trade (operações que levam, em geral, até uma semana) e Position Trade (operações que se finalizam após mais de uma semana e podem durar até seis meses).

Operações de curtíssimo prazo: Day-trade

 
Day-trade é uma operação de compra e venda de:

  • uma mesma quantidade de ações;
  • uma mesma empresa;
  • realizada no mesmo dia;
  • pelo mesmo cliente;
  • através da mesma corretora;
  • liquidada através do mesmo Agente de Compensação.

Os day traders não estão preocupados com os fundamentos da empresa (crescimento, perspectivas de negócios futuros etc.). Portanto, estão expostos a riscos maiores em busca de possibilidades de ganhos maiores. A operação de day trade é liquidada por diferença de saldos em D + 2. Dessa forma:

  • Se o cliente vendeu ações de uma empresa em um determinado dia, a um preço superior ao da compra, também realizada no mesmo dia, ele recebe um crédito em D + 2 na compensação financeira.
  • Se o cliente vendeu ações de uma empresa em um determinado dia a um preço inferior ao da compra, pagará o prejuízo da operação em D + 2 sofrendo um débito na compensação financeira.

Operações de curto e médio prazos: Swing Trade e Position Trade

 
Swing Trade

São investidores que buscam a valorização em poucos dias. Nesta modalidade, o investidor tem objetivo de ganho no curto prazo em uma operação que tem duração de alguns dias ou, no máximo, algumas semanas.

Não há prazo pré-definido, mas, geralmente, a venda das ações ocorre em até 10 dias de sua aquisição.

Position Trade

Para um investidor um pouco mais conservador, o position trade consiste na operação mais recomendada, dado que possui um prazo de maior duração (envolvendo, em média, de uma semana a seis meses). A partir de Análises Fundamentalistas e Técnica, o investidor realiza a aplicação.

Como o objetivo é de médio-longo prazo, não é preciso acompanhar o mercado constantemente. Esta modalidade é praticada, por exemplo, por fundos de investimentos e fundos de previdência privada.

Esses investidores tomam suas decisões com base nos fundamentos da empresa, esperando uma valorização do preço das ações e/ou pagamentos de dividendos ou juros sobre capital próprio, sempre resultante do bom desempenho da empresa no período.

Investimento em ações: qual a melhor estratégia para operar?

 
Não existe uma estratégia melhor ou pior, cada uma possui vantagens e desvantagens que as tornam mais ou menos adequada a cada perfil ou demanda de cada investidor. Se a necessidade é obter ganho rápido, o day trade e o swing trade são as operações indicadas. Porém, possuem alto risco e exigem bom equilíbrio emocional e tempo de dedicação. Por outro lado, caso queira manter uma posição mais segura, usufruindo de ganhos que podem ser dados no médio e longo prazo, o position trade é a alternativa mais adequada.

Por último, gostaria de falar sobre as Operações de Stop. Em muitos casos, a execução de uma estratégia envolve grande disciplina, com muita racionalidade e pouco envolvimento emocional. Por isso, existe uma ferramenta que nos permite limitar as perdas e os ganhos: as Operações de Stop. Elas nos salvam de impulsos ou inseguranças na hora da decisão mais difícil da estratégia, a venda das ações. Por isso, devemos sempre considerar a sua utilização na hora da montagem da estratégia, principalmente para os iniciantes.

As operações de Stop podem ser de dois tipos:

  • Stop Loss: Ordem automática de venda sempre que uma ação cai abaixo de um determinado valor. Previne perdas maiores.
  • Stop Gain: Ordem automática de venda sempre que uma ação sobe acima de um determinado valor.

Independente da estratégia a ser adotada, é importante contar com o suporte e know how de um estrategista de investimentos. Esse profissional poderá te auxiliar na tomada de decisões sobre onde e como investir, minimizando riscos e otimizando resultados.

FONTE: JULIANO PINHEIRO

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  • Juliano Pinheiro
    Juliano Pinheiro

    Juliano Lima Pinheiro É Doutor e Mestre em investimentos e mercado de capitais, professor e palestrante. Ao longo de mais de 30 anos de uma trajetória profissional abrangente, Juliano Pinheiro passou pela vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento, como conselheiro em instituições representativas de mercado como Anbima e Apimec, e também pela área de ensino e pesquisa acadêmica atuando em cursos de MBA, doutorado, mestrado e graduação do Ibmec, FDC, PUC e UFMG. De 2007 a 2018, montou e foi o Diretor de Gestão da Fiere Investimentos, uma Gestora de Recursos, gerindo fundos de investimento e administrando carteiras para clientes. Detentor da Medalha Economista Paulo Camilo de Oliveira Pena em 2013, Juliano é referência na área de Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Atualmente é Vice Presidente Executivo do IBEF-MG, leciona na UFMG nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Ciências Contábeis e realiza palestras por todo o Brasil.