4 de junho de 2020

Investimentos: alta do dólar e a importância da diversificação de moedas

por Juliano Pinheiro

A construção de uma carteira de investimentos deve ser realizada considerando diversos aspectos, como os objetivos do investidor, seu horizonte de investimento, suas necessidades de liquidez, seu apetite ao risco, entre outros. Porém, é fundamental o papel da diversificação na alocação dos recursos, e essa não se limita a questões como renda fixa e renda variável. Deve-se também considerar o impacto da variação cambial na destruição ou construção da riqueza.

Na semana passada, a cotação do dólar americano alcançou seu valor máximo desde seu lançamento com cotação inicial de R$ 1 por US$ 1, no lançamento do Plano Real, em 01/07/1994. A moeda americana alcançou, em 07/05/2020, o valor de R$ 5,85. Tal fato nos faz pensar sobre a importância de diversificação de moedas na composição de um portfólio de investimentos. Mas, por que?

Os ativos básicos podem estar crescendo rapidamente, enquanto a desvalorização da moeda nacional pode minimizar o desempenho do portfólio. Ou seja, os investimentos podem estar aumentando de valor, mas se o poder de compra do Real cai, esse aumento pode não acompanhar a alta do dólar. Com isso, a riqueza diminui. A diversificação de moeda ajuda a suavizar essas subidas e descidas.

Além disso, a teoria nos diz que a inclusão de ativos internacionais às carteiras de investimentos pode reduzir o risco quando comparado com uma carteira 100% em ativos domésticos. A razão é que os ativos internacionais não se movem em perfeita sintonia com os ativos domésticos. As recentes mudanças no mercado financeiro local e internacional tornaram acessíveis instrumentos que estavam restritos apenas a investidores de alto patrimônio, hoje há alternativas para os pequenos investidores.

Mas é importante ressaltar: a tarefa de escolher ativos ou produtos internacionais não é para qualquer um. O processo de seleção ou recomendação de um produto de investimento que tenha exposição a ativos no exterior não se limita a uma simples verificação da rentabilidade histórica. Deve-se considerar impactos na relação risco-retorno da carteira, além de aspectos legais, tanto no país de origem do ativo quanto aqui no Brasil. Por exemplo, ao escolher ou recomendar um produto de investimento que tenha exposição a ativos no exterior, deve-se estar atento se o produto atende à legislação brasileira e tenha os registros nos órgãos reguladores nacionais (CVM e BC, conforme o caso).

Agora que você absorveu essas informações importantes sobre investimentos e diversificação de moedas, continue se informando sobre o futuro do mercado financeiro para fazer escolhas mais vantajosas e bem embasadas. Confira agora esse conteúdo sobre o que esperar do mercado financeiro no Pós-COVID-19.

Fonte: Juliano Pinheiro

Mais conteúdo no livro Mercado de Capitais

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  • Juliano Pinheiro
    Juliano Pinheiro

    Juliano Lima Pinheiro É Doutor e Mestre em investimentos e mercado de capitais, professor e palestrante. Ao longo de mais de 30 anos de uma trajetória profissional abrangente, Juliano Pinheiro passou pela vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento, como conselheiro em instituições representativas de mercado como Anbima e Apimec, e também pela área de ensino e pesquisa acadêmica atuando em cursos de MBA, doutorado, mestrado e graduação do Ibmec, FDC, PUC e UFMG. De 2007 a 2018, montou e foi o Diretor de Gestão da Fiere Investimentos, uma Gestora de Recursos, gerindo fundos de investimento e administrando carteiras para clientes. Detentor da Medalha Economista Paulo Camilo de Oliveira Pena em 2013, Juliano é referência na área de Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Atualmente é Vice Presidente Executivo do IBEF-MG, leciona na UFMG nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Ciências Contábeis e realiza palestras por todo o Brasil.