2 de setembro de 2019

Liderança e política: como se entrelaçam e como fazer bom uso delas

por João Pinheiro de Barros Neto

O que todos os líderes – pequenos, médios ou grandes – têm em comum? O que toda organização – pública, privada ou do terceiro setor – também tem em comum? O título deste artigo já diz tudo, política e liderança são constantes na vida do líder e das organizações.

Até na religião encontramos situações em que a política e a liderança andaram de mãos dadas para alterar o rumo da História. O caso do Rei Henrique VIII (1491-1547) é emblemático. Muito sucintamente o caso era que a igreja católica não admitia o divórcio, e Henrique era casado com Catarina de Aragão em um matrimônio arranjado para forjar uma aliança com a Espanha do Rei Fernando II, porém, apaixonou-se pela jovem Ana Bolena. Como Henrique e Catarina não tinham filhos homens, o Rei inglês solicitou ao Papa a anulação do casamento, no que não foi atendido. O resto da história todos sabemos: a mistura da liderança de Henrique com as questões políticas do reino, e o interesse pessoal do monarca levaram à fundação da igreja anglicana.

Assim, Thomas Cranmer (amigo do Rei) tornou-se Arcebispo de Canterbury, Henrique aboliu a supremacia papal e declarou-se o chefe da igreja na Inglaterra. Antes que você pergunte, sim, o Papa excomungou Henrique, mas aí de nada mais adiantava, pois Henrique já tinha sua própria igreja. E a partir daí, quem se opunha a Henrique não era mais excomungado, mas executado!

Como liderança e política se entrelaçam

 
Este é um exemplo muito eloquente de como liderança e política se entrelaçam. De fato, todo líder em algum momento terá que atuar no ambiente político ou, pelo menos, interagir com políticos. Alguns dos leitores já devem estar pensando que liderança é coisa suja, pois tem a ver com política. Muitos de nós temos verdadeira aversão à política, justamente por causa da péssima imagem dos políticos de nosso país e do exterior (e do exemplo que dei). Temos a tendência a achar que tudo que é relacionado com política traz consequências devastadoras, mas não é bem assim.

Primeiro não devemos confundir política com politicagem, nem líder com político. Qualquer que seja o entendimento sobre política, não podemos esquecer que o homem é um animal político, no sentido de que viver em sociedade implica em relacionar-se com os outros para obter os resultados desejados. Devemos saber ser governados e saber governar.

Liderança e política: como se entrelaçam e como fazer bom uso delas

Desta forma, o líder precisa relacionar-se com outros constantemente, em um nível mais efetivo que a maioria. O bom líder é aquele que sabe ser político, sem ser politiqueiro. O campo da política não só interessa como faz parte da liderança. Ou seja, não adianta fugir da política se você quer ser um líder melhor. Antes, é preciso entender o que é política, e como ela pode ajudar a mudança.

Política (acredite se quiser) tem a ver com o bem comum. O problema é que bons lideres acreditam sinceramente que estão fazendo o que é bom para todos, quando na verdade estão fazendo o que é bom para si mesmos. Além, é claro, dos que sabem que estão fazendo o que é errado, por puro egoísmo ou desonestidade. E, verdade seja dita, muita gente erra achando que está acertando.

Como fazer bom uso de liderança e política

 
Este é um grande problema, às vezes, é muito fácil perder a perspectiva e achar que o bom para você é bom para todos. Política significa visão ampla. Não entenda a sua parte da missão, como a Missão. Somente quando a situação está a ponto de explodir é que a visão do contexto se esclarece e, às vezes, nem assim. São muitas as histórias das pessoas que dizem: “mas não era assim que eu queria“, ou “não era isto que eu esperava“. Ou “nunca pensei que ele ou ela fosse capaz disto“. Então, o que fazer para não deixar a politicagem confundir-se com a política, necessária à melhoria da liderança? No próximo artigo, daremos algumas sugestões!

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  • João Pinheiro de Barros Neto
    João Pinheiro de Barros Neto

    João Pinheiro de Barros Neto possui Pós-Doutorado (PUC SP), é Doutor em Sociologia/Relações Internacionais (PUC/SP), Mestre em Administração/Organização e Recursos Humanos (PUC/SP), Especialista em Administração da Produção e Operações Industriais (FGV), Bacharel em Administração com Habilitação em Comércio Exterior (FASP). Administrador profissional desde 1986 atuando em organizações públicas e privadas. Professor de Graduação, Pós-graduação e Coordenador de Cursos de Administração presenciais e EaD. Atualmente é membro do Grupo de Excelência em Instituições de Ensino Superior - GIES do Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA SP. Professor Assistente-Doutor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC SP na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária - Departamento de Administração, Área Epistemológica de Gestão de Pessoas. Coordenador do Curso de Extensão em Liderança Aplicada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC (COGEAE). Professor na Universidade de Santo Amaro (EaD). Facilitador do MBA em Liderança e Gestão Organizacional da FranklinCovey Brasil/UNISUL. Tem vinte e seis livros publicados como autor, coautor e organizador, além de vários artigos. Membro da Banca Examinadora do Prêmio Nacional da Qualidade (2002, 2004, 2007, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016). Premiado no 10o Concurso Inovação do Governo Federal teve seu projeto QFD publicado em livro pela Escola Nacional de Administração Pública – ENAP. Premiado no II Prêmio DEST de Monografias do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Áreas de pesquisa: Gestão e Comportamento Organizacional, Liderança, Competências, Empreendedorismo, Retórica Organizacional.