22 de novembro de 2016

Liderança doente se trata com motivação

por Cecília Whitaker Bergamini

Predomina, no mundo todo, a preocupação sobre a falta de líderes eficazes. Essa impressão nasceu do mito de que a eficácia para dirigir pessoas dependa de talento e carisma pessoal. A influência é a essência da liderança, sendo espontaneamente procurado. O líder é quem consegue comprometimento daqueles que o seguem sendo espontaneamente aceito. “A eficácia do líder repousa na percepção positiva que o seguidor tem dele. Essa percepção conferirá ao líder credibilidade e culminará com o envolvimento espontâneo do seguidor”. A liderança eficaz é exercida de maneira que o próprio seguidor autoriza seu líder a exercer influência sobre ele, trata-se de uma predisposição que não tem ligação com qualquer tipo de submissão ao controle.

Foram pesquisados traços e estilos comportamentais dos mais variados tipos como os responsáveis pelo sucesso em liderança para no final descobrir que essa competência não é inata nem fabricada pelo treinamento.

Como realizar uma liderança eficaz

 
Thomaz, K. W. (2010, p. 5) acredita que no momento as organizações já não “podem se dar ao luxo de usar as pessoas apenas para obedecer regras”. Os líderes devem capitalizar sobre a motivação intrínseca do seu pessoal, deixando de lado “as recompensas extrínsecas que eram a solução fácil para a motivação na era da obediência” o que exigiu melhorar a competência dos líderes. Esse acordo já não existe, o relacionamento líder-seguidor “foi substituído por uma abordagem transacional” na qual se transaciona obediência versus ameaça de castigos ou promessa de recompensas .O líder precisa estar motivado e querer liderar aquele que deu a ele autorização explícita para assim o fazer.

É indispensável que ao conhecer-se o líder não cometa aquilo que Rowley, (2009, p. 126) condena como a confiança excessiva que “anda de braços dados com o narcisismo, sendo caracterizado por um inabalável egocentrismo”. O líder é aquele que surge em momentos difíceis. Halvorson, H. G. e Higgins, E. T. (2013, p. 82-85) sugerem que “há uma maneira de classificar as pessoas em tipos com base em um traço de personalidade que serve […] para prever o desempenho”. É isso que os autores chamam de “foco motivacional”. Existem dois tipos deles: foco na promoção e foco na prevenção.

A pessoa que adota o foco da promoção “está sempre disposta a correr riscos, acelerada na hora de trabalhar, que sonha alto e pensa de forma criativa”. Elas identificam mais as características do perfil de líderes. Já a pessoa que adota o foco da prevenção “encara suas metas como responsabilidade e prefere segurança”. Trata-se de “gente vigilante, que joga para não perder, para preservar o que tem, para manter a ordem estabelecida”. Ao privilegiam a prevenção aproximam-se mais do perfil do administrador ou gerente.

Sem colaboradores as organizações passam a existir como entidades abstratas que existem apenas nos manuais de Administração Geral. Há fortes evidências que líderes bem-sucedidos não procuram mudar comportamentos. Os líderes têm respeito pela individualidade daqueles que o cercam.

Tjosvold e Tjosvold , apontam que “os líderes criam organizações nas quais as pessoas percebem como os seus interesses e aspirações podem ser atingidos por meio do seu trabalho. Essas organizações desenvolvem autoestima e apoio social que são considerados como vitais à saúde psicológica”. O poder do líder é conferido a ele na medida em que o seguidor o coloca como seu parceiro. Ficando livres para escolher autonomamente o melhor percurso que levará até o seu pleno desenvolvimento pessoal.

Numa entrevista exclusiva, Jayme Garfinkel, (2012, p. 20-24), diretor-presidente da Porto Seguro, hoje membro do seu Conselho, endossa os parâmetros da eficácia em liderança propondo que “não adianta apenas treinar, nós precisamos que cada funcionário tenha uma visão maior do mundo e das outras pessoas”. Por isso “é essencial que seja feliz”. Essa talvez seja a importante explicação das organizações de sucesso.

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Foto: Istock/Getty Images

A nova caracterização da eficácia do líder

 
A nova caracterização da eficácia do líder faz com que a imagem do seguidor estigmatizado como um ser passivo sobre a influência do líder fique cada vez mais distante, como também a imagem de um tipo de líder ideal capaz de comandar qualquer grupo.

Diferente de algumas drogas farmacológicas, cujo resultado independe do grau de consciência do paciente para surtirem seu efeito, a formação do vínculo líder/seguidor demanda consciência e motivação. Os dois precisam procurar e querer conscientemente atender expectativas mútuas.

Falar em credibilidade de um líder exige respeito de cada um à subjetividade dos seguidores. Como diz Chanlat, J. F. (2010, p. 110-131): Os seguidores procuram “participar na construção da sua existência”. Isso exige aceitar que “uma pessoa tenha desejos, sonhos e ambições”. O líder permite a cada um exercer o seu papel de ser humano, sem se sentir incompetente. Com certeza, é isso que cada um mais valoriza dentro de si mesmo.

Chegar à envergadura de líder eficaz demanda aprendizagem ao longo de uma história de vida, autoconhecimento, autorrespeito e autogerenciamento. É preciso liderar a si mesmo antes de tentar liderar qualquer outra pessoa.

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  • Cecília Whitaker Bergamini
    Cecília Whitaker Bergamini

    É mestre, doutora e livre-docente em Administração de Empresas pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Especialista em Psicologia Clínica pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e em Psicopatologia Organizacional pelo Instituto Henry Pieron da Universidade de Paris. Professora titular pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV). Professora da EAESP-FGV e consultora de empresas na área de Comportamento Organizacional – motivação e liderança.