14 de maio de 2020

Liderança global e coronavírus

por Ugo Franco Barbieri

Há muitos anos convivo com desafios e projetos relacionados com a Gestão de Pessoas e o comportamento humano e organizacional. Cada vez mais percebo a necessidade, no Brasil e no mundo, de termos uma liderança global, e o artigo tenta explicar o que essa expressão significa para mim.

Nós todos somos seres humanos em evolução. Existem indícios e estudos que mostram que o cérebro humano, na evolução da humanidade, também se modificou e está em transformação.

A História da Terra evidencia, que o progresso humano é obtido não somente pela ação de gênios e personalidades de destaque, que atuaram como artistas, cientistas, religiosos e filósofos, mas também das duras lições ocasionadas pelas guerras, geradoras de grande sofrimento, seguidas por intervalos de paz, que também produziram inovações.

O conhecimento humano, nos primórdios da história do planeta, possibilitou o domínio do fogo, da linguagem, da vida em grupos sociais, da domesticação dos animais e da agricultura, entre outras realidades que foram contribuindo para os seres humanos manterem a vida e gerarem descendentes.

Principalmente, nos últimos séculos, 19,20 e 21, a ciência e a tecnologia vem se desenvolvendo, o que hoje culmina na grande influência da tecnologia da informação, e das telecomunicações, na criação de um mundo digital, no conhecimento aumentado do universo e no início da astronáutica e das viagens espaciais.

Em paralelo ao desenvolvimento citado, também continuaram e continuam as guerras militares e comerciais, a destruição do meio ambiente, e o aparecimento de epidemias e pandemias, como o corona vírus, que surgem em um país e se disseminam por outras nações, pois a Terra se transformou numa aldeia global, onde navios e aviões levam vírus e bactérias para longe da região onde surgiram.

No meu relacionamento como consultor, falo com empresários e dirigentes de empresas, que já tinham muito trabalho para gerenciar o capital, a tecnologia e os recursos humanos, na economia brasileira, e agora também têm que lidar com uma pandemia, que surgiu longe do Brasil, afetou várias nações e agora imobiliza o país.

O que a evolução da Terra e o coronavírus nos ensinam? Acho eu que uma das lições é a de que precisamos de líderes, que tenham uma visão global, a qual tento explicar, resumidamente, como segue:

Em primeiro lugar, o exercício de uma liderança é caracterizado pela personalidade de alguém, que tem responsabilidade por seguidores, que consegue aprender com o passado, viver conscientemente e pragmaticamente o presente, e visualizar o futuro. Um líder indica o caminho, e age em sintonia com o que prega, dando o próprio exemplo. Ele tem vontade de obter resultados, ouvindo e desenvolvendo as pessoas, servindo a organização e o mercado onde ela atua, com responsabilidade econômica, social e ambiental.

O líder deve pensar na diversidade de culturas e gêneros, de fornecedores e clientes e mercados da sua empresa. Suas habilidades de visão, estratégia e gestão devem atingir os objetivos e metas da organização que dirige, e contemplar o aprimoramento do capital humano, detentor do conhecimento das várias áreas de uma estrutura organizacional.

Em segundo lugar, vem o conceito de um líder global, ou aquela personalidade de destaque, que pensa e age em forma de 360°: pensa seu mercado e o Brasil, e vê a atuação de competidores, clientes e fornecedores, que sofrem impacto da economia global e da mundial; relaciona-se e dialoga com superiores, pares e subordinados. Foca o mundo corporativo, da iniciativa privada, mas também acompanha a política e a administração pública. Ele sabe ouvir e buscar o conhecimento onde quer que se encontre, seja nos Conselhos de Administração, seja nos diretores e gerentes, seja no chão de fábrica ou no chão do escritório. Ou seja, aprendeu a aprender, e evolui continuadamente, junto com seus liderados, sabendo avançar e recuar, esquecendo de seu ego, e mostrando inteligência emocional, maturidade, garra, e capacidade de agir situacionalmente, de acordo com cada situação, pessoa ou desafio com os quais tem de interagir.

Essa liderança global, conforme acima descrita, soma hard skills e soft skills, e é fruto de estudo e prática, de acertos e erros. Seu campo de atuação ocorre, principalmente, com maior ou menor habilitação, e profundidade, nos conselhos de Administração, nas diretorias e nas gerências sênior e média.

Fora do Brasil, e no Brasil também, as organizações utilizam consultorias que atraem, avaliam e desenvolvem o capital humano, através de ações precisas de recrutamento e seleção, assessment de potencial e performance e coaching e mentoring.

Ou seja, as organizações não utilizam apenas, por exemplo, consultorias especializadas em governança corporativa, auditoria, estratégia, gestão, e tecnologia da informação, já que após a soma dessas ações conjugadas, resta a busca, a atração e o desenvolvimento do talento humano, imprescindível para a concretização de qualquer planejamento, em qualquer tipo de negócio.

Finalizando, é esse talento humano, presente num líder global, que vai viabilizar conhecimento e ações, que irão tirar o Brasil da crise do coronavírus, fazendo-nos retomar a estrada do desenvolvimento social, cultural, ambiental e econômico.

Mais conteúdo no livro Gestão de Pessoas nas organizações

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  • Ugo Franco Barbieri
    Ugo Franco Barbieri

    É sócio da Taplow Brasil Consultores (Taplow Group), consultoria especializada em Executive Search, Assessment, Coaching e Human Capital, presente em 20 países, com cerca de 30 escritórios. Foi coordenador credenciado pela Vistage do Brasil, de grupos de encontro de presidentes e empresários. Foi sócio do InterManagement Group, que coloca presidentes e diretores interinos nas organizações. Como executivo, foi Diretor de Administração e de Recursos Humanos em organizações como Xerox, Cyanamid, Grupo Eluma e Casas Pernambucanas, foi também gerente de RH do Banco Brascan de Investimentos. Como consultor, foi também associado da Boyden, Diretor da Arthur Andersen e sócio da Horton International. Tem participado em comitês de Câmaras de Comércio (Americana, Francesa, Sueca, Suíça e Alemã), em Institutos, como Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) e no Conselho Regional de Administração – SP. Foi diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil) e vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). Tem graduação e registros em Psicologia, Administração, Direito e Filosofia.