26 de março de 2020

Como será o mundo depois da pandemia de Coronavírus?

por José Luis Oreiro

Os acontecimentos dos últimos dias tem me feito pensar que o mundo será muito diferente depois desta pandemia de Coronavírus. Acho que as principais mudanças serão quatro:

1 – As sociedades vão exigir mais políticas públicas, principalmente na área de saúde e prevenção de desastres, o que irá levar a um aumento da participação do Estado na economia, com a possível nacionalização das empresas de utilidade pública em vários países.

2 – O aumento do endividamento do setor público decorrente do imenso esforço fiscal para conter as consequências econômicas da pandemia irá exigir um aumento significativo da carga tributária no futuro. O aumento de impostos será pago pelos mais ricos. Acabou a farra dos bilionários. Eles serão fortemente taxados.

3 – A provável queda dos índices de CO2 na atmosfera ao longo do ano de 2020 devido a redução do nível de atividade econômica e, por conseguinte, da emissão de combustíveis fósseis irá reforçar a convicção nos governos e nas sociedades dos países desenvolvidos de que o aquecimento global é produzido pela economia de alto carbono. Nesse contexto, ganha força o plano do New Deal verde do Senador Bernie Sanders.

4 – A Globalização vai recuar, e muito. Cada país procurará desenvolver suas próprias indústrias para reduzir sua dependência de fornecimento de bens intermediários, bens de capital e bens de consumo final do exterior. É provável que parte das empresas ocidentais que, nos últimos 20 anos, se instalaram no sudeste asiático seja redirecionada para os Estados Unidos e para a União Européia, ficando assim mais próximas dos maiores mercados de consumo. É uma oportunidade única para o Brasil se reindustrializar.

FONTE: José Luis Oreiro

Mais conteúdo no livro Macroeconomia do Desenvolvimento - Uma Perspectiva Keynesiana

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  • José Luis Oreiro
    José Luis Oreiro

    Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 1992), Mestre em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio, 1996) e Doutor em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2000). Atualmente, é professor adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), Pesquisador Nível IB do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e líder do grupo de pesquisa “Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento”. Foi presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB) no período 2013-2015. Tem cerca de 100 artigos publicados em revistas científicas no Brasil e no exterior, como no Journal of Post Keynesian Economics, Cambridge Journal of Economics, Metroeconomica, Investigación Económica, Revista de la Cepal, Revista Brasileira de Economia, Revista de Economia Política e Estudos Econômicos.