19 de fevereiro de 2020

Uma nova onda de desapego nos faz refletir sobre nossos hábitos

por Sandra R. Turchi

O século XXI trouxe à sociedade uma nova ordem, onde o consumo dita tendências, regras e define o “ser” e “estar”. Quem eu sou se não tenho o carro do ano, se não ostentar o celular mais moderno, se não compartilho as fotos daquele restaurante novo que abriu na cidade, se não posso ostentar com a roupa de grife da estação? São tendências que giram em torno do nosso ego e que na última década ganharam “likes” com o advento das redes sociais. A sociedade se condicionou ao consumo, a base fundamental do capitalismo. Mas esse hiperconsumo despertou algo muito maior em nós: onde nossas relações com os bens materiais irão parar?

A falta dessa resposta está direcionando a sociedade por um novo caminho substituindo o consumo excessivo pela economia compartilhada, uma nova forma de nos relacionarmos com os bens materiais e por que não, nossas relações pessoais? Estamos no centro de uma mudança que está gerando uma onda de desapego: reutilize, economize e compre somente o necessário. Nos últimos anos, grupos de trocas e vendas pela internet explodiram nas redes sociais em uma clara indicação de uma nova era. Vender o que não é mais usado por preço simbólico, trocar itens que não são mais necessários ao invés de comprar um novo, são exemplos de desapego que estão ganhando espaço. E não há nenhum problema nisso.

Essa onda vai além de apenas vender ou trocar aquilo que não serve mais. É uma mudança de estilo de vida que tem como objetivo diminuir o consumo e entender o que realmente importa, se livrando de objetos sem importância e manter aqueles com algum significado pra nós. A ausência do desapego em nosso cotidiano pode influenciar até em nossas relações sociais e profissionais, por isso, reflita. Invista na economia compartilhada, olhe em sua volta, quanta coisa que você não usa mais e que poderia servir a outra pessoa.

No fim das contas, desapegar daquelas roupas guardadas no armário pode até gerar uma grana extra para fazer aquele curso que você tanto quer ou investir em uma viagem nas próximas férias. Mas, lembre-se, entrar na onda do desapego não é apenas sair limpando o armário ou vendendo tudo que não serve mais sem nenhum sentido: você precisa entender o significado disso, se não, só estará arrumando espaço para amontoar mais coisas.

E vou além. Essa onda que tomou conta e se espalha por vários cantos do mundo não está gerando apenas uma sociedade mais “desapegada” e/ou “minimalista”, mas ajuda a criar um sentimento tão nobre em todos nós: a empatia. Em tempos onde a individualidade e a solidão ganham espaço, se colocar no lugar do próximo e entender suas necessidades é um exercício diário de que cabe a cada um de nós. Desapegar também é ajudar ao próximo. É preciso valorizar essa tendência para que não tenhamos uma sociedade bitolada no consumismo. Temos que elevar os valores e a preocupação com o próximo, afinal, devemos nos importar com a herança que iremos deixar para a próxima geração.

Fonte: Linkedin/Sandra Turchi

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  • Sandra R. Turchi
    Sandra R. Turchi

    É sócia-fundadora da Digitalents, empresa de Consultoria, Treinamentos e Talentos (hunting, coaching e outsourcing) focada no universo digital. Administradora de empresas formada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School SP e Toronto University. Também cursou empreendedorismo na Babson College. Foi executiva de marketing por mais de 20 anos nos setores de Varejo, Financeiro, Educacional e de Serviços em empresas como Lojas Arapuã, Grupo Zogbi, Finasa-Bradesco, FGV, Associação Comercial de SP e Boa Vista Serviços. Eleita um dos professores de marketing mais influentes nas mídias sociais no mundo pela revista SM Magazine. Leciona nos MBAs em Marketing Digital da FGV, FIA, Saint Paul, entre outras instituições. Coordenadora dos cursos de extensão em Marketing Digital e Mídias Sociais na ESPM-SP desde 2008. Articulista de diversos veículos, como revistas e portais, no Brasil e na Europa.