1 de maio de 2019

O que é gestão baseada em valor? Tire suas dúvidas

por Alexandre Assaf Neto

Você sabe o que é Gestão Baseada em Valor (GBV)? Ela direciona a administração de uma empresa para seu principal objetivo, representado pela criação de valor para seus acionistas. O modelo da GBV apoia-se em diferentes medidas de valor agregado aplicadas às diversas decisões tomadas pelas empresas.

O que é gestão baseada em valor? Tire suas dúvidas

 
A empresa agrega valor quando produz um resultado que supera o seu custo de capital. Em outras palavras, o valor é criado quando o retorno dos investimentos é maior que a remuneração exigida pelos fornecedores de capital. O excesso de lucro em relação ao custo de oportunidade é o que se denomina de valor econômico agregado.

O custo de oportunidade é um conceito econômico indispensável a todo processo de decisão. A ideia básica dessa medida é quanto se deixou de ganhar por não se aproveitarem outras oportunidades disponíveis, ao se decidir por determinada alternativa financeira. Nessa linha de pensamento, esse custo é entendido também como uma oportunidade renunciada. De outra forma, o custo de oportunidade nada mais é do que atribuir um custo de capital ao retorno produzido por um investimento.

É importante destacar que essa comparação deve considerar sempre alternativas de mesmo risco. Não há como considerar que o custo de oportunidade de um negócio seja a taxa de retorno não aproveitada de uma caderneta de poupança, por exemplo. São dois ativos de natureza e riscos bastante diferentes.

De maneira mais simplificada, o custo de oportunidade abrange o retorno de uma alternativa sem risco (ou de risco mínimo da economia), como a remuneração de um título público federal, acrescido de um prêmio pelo risco definido pela decisão. Equivale à remuneração mínima exigida por um investidor que remunera adequadamente o risco do capital aplicado.

Esse lucro em excesso constitui-se ainda em uma medida de desempenho da empresa, refletindo a criação ou destruição de valor. Deve ser destacado que o principal objetivo de uma empresa é o de maximizar a riqueza de seus acionistas. Isso equivale a elevar, tanto quanto possível, o valor econômico agregado ao investidor. Nesse objetivo básico, as decisões financeiras devem estar voltadas a produzir resultados que ultrapassem o custo de oportunidade do capital.

Se o valor agregado for positivo, entende-se que a empresa produz riqueza. Empresas que transmitem ao mercado uma perspectiva contínua de resultados econômicos positivos são classificadas como empresas de valor, capazes de promover a maximização da riqueza de seus proprietários. Essa situação costuma refletir-se na valorização dos preços de mercado das ações da empresa.

Importante!

 
A atratividade de investir em uma empresa é baseada em sua capacidade futura de gerar riqueza. Em operações de fusões e aquisições de empresas, por exemplo, o fundamento da avaliação recai sobre os benefícios econômicos positivos esperados, ou seja, sobre os valores agregados futuros que excedem o custo de capital.

A aplicação do modelo de GBV permite ainda que se destaque a cadeia de valor de uma empresa, identificando os principais direcionadores de valor e estratégias financeiras que promovam a maximização da riqueza dos acionistas. A adoção de um modelo focado em valor é incentivada especialmente pela pressão de investidores, acionistas e conselhos de administração das empresas por resultados que promovam o aumento da riqueza.

A gestão baseada em valor deve orientar as decisões da empresa no sentido de criação de valor (aumento de riqueza) aos acionistas. É um sistema que exige uma mudança de postura da empresa e de sua administração, motivando a que todos os agentes participem do processo de criação de valor. O objetivo de criação de valor deve estar presente em todos os níveis organizacionais, priorizando todas as decisões que interferem no valor econômico da empresa, privilegiando a gestão a partir de direcionadores de valor.

Na avaliação do processo de criação de valor, o modelo da GBV incorpora diversas métricas para identificar o valor criado. Uma importante contribuição do modelo é de contribuir para conciliar os interesses econômicos dos acionistas com os dos stakeholders (funcionários, fornecedores, credores, clientes etc.). Por exemplo, um sistema de remuneração variável dos empregados com base no valor econômico criado, e não a partir do lucro contábil, permite que todos os funcionários da organização passem a decidir como acionistas, reduzindo o conflito de interesses entre os agentes da empresa. Nesse caso, quanto maior o valor criado aos acionistas, mais elevada será a remuneração dos funcionários.

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  • Alexandre Assaf Neto
    Alexandre Assaf Neto

    Economista e pós-graduado (mestrado e doutorado) em Métodos Quantitativos e Finanças no exterior e no país. Possui o título de livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP). Professor Emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP e atua como professor e coordenador de cursos de desenvolvimento profissional, treinamentos in company e cursos de pós-graduação lato sensu – MBA. Autor e coautor de vários livros e mais de 70 trabalhos técnicos e científicos publicados em congressos e em revistas científicas com arbitragem no país e no exterior. Consultor de empresas nas áreas de Corporate Finance e Valuation e parecerista em assuntos financeiros.