12 de março de 2020

O que faz uma empresa admirada

por Arão Sapiro

Nós admiramos o que julgamos extraordinário nas outras empresas. Porém o que as torna extraordinárias, via de regra, é consequência de muita autoconfiança no exercício de suas atividades. O que elas possuem é um misto de experiência com competência e mesmo dedicação.

Na verdade toda empresa tem essas habilidades, de tempos em tempos. O que ocorre de diferente, é que algumas empresas se entregam de corpo e alma a estas habilidades e outras não. Mas, acreditamos que aquilo que as empresas que admiramos fazem seja muito diferente do que as empresas comuns fazem, como se fossem suas competências únicas. Assim, acabamos julgando que estas empresas sejam “super- heróis”, e por isto capazes de coisas que nós não podemos realizar.

Aí está a magia de uma imagem admirada! Para uma empresa ter uma imagem considerada entre as 150 mais admiradas do país é ser detentora de um diferencial muito significativo no mundo globalizado. Você já pensou o impacto que irá causar no seu negócio e o quanto os seus concorrentes irão admirar sua empresa, quando estiver entre as dez mais admiradas?

Mas ser alvo de admiração é muito mais do que tentar atender rapidamente aos critérios de admiração, que são conhecidos e pesquisados regularmente. Ao se procurar o significado de admiração em nossos dicionários encontraremos conceitos como respeito, estima, aprovação, apreciação, veneração, consideração.

É preciso entender, então, de que estamos falando mais do que simplesmente um elemento do marketing das empresas. A admiração de uma empresa, fruto de sua imagem e reputação, reflete uma dinâmica e profunda afirmação de sua natureza, cultura e estrutura.

Cada vez mais as empresas que entenderem ser seu propósito o ganho ilimitado e que a competição representa a eterna luta pela sobrevivência, onde os mais fortes suplantarão os mais fracos, estará promovendo uma imagem equivocadamente positiva. Na essência, ao invés de produzir lucros ela estará forjando a desconfiança e a má vontade de seus públicos de interesse, além do que a maioria das empresas, por miopia ou desconhecimento, se lança a esse tipo de luta desenfreada e sem fim e quando quase todas fazem a mesma coisa não há por que admirá-las.

Promover a confiança é a regra de ouro para a boa imagem. Não é a simples superioridade técnica que conta. Na verdade é a aura, o ambiente psicológico e outros fatores imponderáveis que determinam a imagem. A imagem neste sentido, mais que uma habilidade reconhecida, é um sentimento, um tipo de vínculo, que gera sinergia e criatividade e que garante sua liquidez e produtividade.

Por isso as empresas de imagem admirada atraem mais compradores para seus produtos e mais investidores para seus projetos. Elas selecionam e recrutam melhor, porque os melhores profissionais as buscam. Seus fornecedores estão mais dispostos a trabalhar em parceria, porque assim se beneficiam de uma imagem positiva e as crises estão mais afastadas e quando elas acontecem seu lastro de admiração as permite sair com menores danos.

A imagem de uma empresa é uma composição de sua autoimagem com a imagem de seus mais diferentes públicos de interesse. É o que dá a direção e significado para toda a empresa. Num contexto onde o poder da marca se deteriora, surgem cada vez mais produtos e serviços análogos, a lealdade de consumidores e colaboradores se reduz drasticamente, a gestão da imagem tem a sua importância consagrada.

A admiração da empresa será o resultado da aplicação de um abrangente processo de relacionamento com todos os seus públicos de interesse. Nesse processo se questionará a essência da organização, tentar-se-á conhecer sua verdadeira alma e coração, procurando responder o porque de sua existência e identificando seu propósito.

O produto desse processo será uma imagem nítida e transparente, traduzida não só por elementos visuais ou comunicacionais, mas aglutinará os elementos comportamentais de seus colaboradores, seus valores e crenças, seu respeito ao meio no qual atua e seu ímpeto por prosperar, fazendo prosperar todos com quem se relaciona.

FONTE: CONSULTOR ORGANIZACIONAL

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  • Arão Sapiro
    Arão Sapiro

    Professor de cursos de graduação e pós-graduação em administração e engenharia de produção. É graduado e mestre pela EAESP-FGV – Escola de Administração de Empresas de São Paulo – Fundação Getúlio Vargas, com certificados de Educação Contínua pela FEA-USP e de Ensino do Método de Estudos de Casos pela Harvard Business School. Suas especialidades profissionais estão focadas em quatro áreas de competência: liderança, planejamento estratégico, mudança & engajamento e negociação & mediação. Realizou nos últimos 25 anos programas de treinamento e conduziu projetos de Desenvolvimento Organizacional, alinhados com os conceitos de Learning Organization, sempre com base em valores humanos e metodologias interativas. Ele tem grande experiência em consultoria graças à trabalhos realizados para organizações governamentais e privadas, nacionais e multinacionais, e sem fins lucrativos. Possui habilidades avançadas de treinamento, comunicação e apresentação, lidando com grupos e desenvolvendo projetos de trabalho em equipe. Com certeza, seu perfil é caracterizado por uma aparência confiante, confiável e autônoma, Coautor do livro Planejamento Estratégico – Fundamentos e aplicações, com Idalberto Chiavenato, em sua edição 3º e publicada em espanhol, também. Revisor técnico do trabalho de Philip Kotler, Administração de Marketing. Autor de inúmeros artigos, ensaios e pesquisas sobre seus temas focais. Como conferencista viajou pelo Brasil, Angola e Estados Unidos, falando em congressos e seminários, abordando temas relacionados à mediação estratégica, change management e cultura de confiança (trust). Criador do INSEC- Instituto de Estudos para a Cooperatividade, uma sociedade civil de interesse público, cujo objetivo é promover as práticas de cooperação entre as organizações e seus stakeholders (partes interessadas), buscando incentivar a competitividade de uma forma construtiva e de longo prazo, com uma visão que vai além do foco de lucro no curto prazo. Atualmente, vem se destacando como facilitador certificado em sessões de mediação, que é uma das práticas chamadas de Resolução Alternativas de Conflitos – RAD, pelas quais se busca promover a comunicação não-adversial e colaborativa, tratando os conflitos, a partir de uma visão positiva e como meio de transformação e evolução, objetivando a harmonia das relações e o respeito aos bons costumes, de modo a manter os relacionamentos duradouros e prósperos, entre as partes, construindo um mundo melhor.