10 de junho de 2020

Dicas importantes para gestão dos negócios das pequenas e médias empresas

por Edson Cordeiro da Silva

Veja dicas importantes para gestão dos negócios das pequenas e médias empresas com Edson Cordeiro:

Como gerenciar pequenas e médias empresas

 
1- Saiba precificar corretamente seus produtos ou serviços prestados.

1.1 Não esqueça de incluir no preço o frete e seguro, se houver.

1.2 Atenção com a formação do preço de venda (custo da mercadoria + despesas + impostos + pró-labore e margem de lucro).

1.3 Aprenda a calcular na prática o Mark-up de venda dos produtos. Mark-up é um índice aplicado sobre o custo total de um produto ou serviço para a formação do preço de venda.

2- Fique de olho na estratégia, promoção, vitrines e preços praticados pelos seus potenciais concorrentes no seu dia a dia.

3- Faça uma projeção de suas receitas, despesas e investimentos para desenvolvimento e integração do seu futuro plano de negócios.

3.1 Acompanhe seu EBITDA (potencial gerador de caixa) Significa Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, que é a tradução da expressão em inglês Earnings before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. O cálculo do EBITDA permite conhecer quanto a companhia está gerando de caixa com base exclusivamente em suas atividades operacionais, desconsiderando os impactos financeiros e dos impostos. É um indicador muito importante.

4-Erros Grosseiros:

4.1 Não saber os saldos de caixa (entradas e saídas), contas a receber (vendas e recebimentos), contas a pagar (compras e pagamentos) e o valor e giro dos estoques (não tem controles?).

4.2.1 Um grande pecado empresarial é não saber analisar seus custos e despesas de forma inteligente. Precisamos evitar desperdícios, conhecer a qualidade dos gastos e seus impactos na absorção das receitas e no lucro.

4.3 O empreendedor está tão envolvido com a rotina operacional do seu negócio que esquece de verificar se o negócio está dando retorno. Atenção: Lucro é diferente de caixa.

4.4 Não saber o valor e a origem dos recebimentos e destino dos pagamentos.

4.5 Qual é o produto que vende mais? Quais são os serviços mais prestados? Quais são os principais clientes e fornecedores?

4.6 Não fazer um fundo de reserva para demissões de funcionários (direitos trabalhistas), 13ºsalário e férias.

4.7 Discuta com seu contador os impactos da medida provisória 936/20 que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e dispõe sobre medidas trabalhistas complementares para enfrentamento do estado de calamidade públicaCovid19.

4.8 Não possuir registros contábeis das operações diárias.

4.9 Ter um gasto com folha de pagamento superior a 30% do faturamento (Normalmente fica entre 10% a 20%, dependendo do tipo de atividade e ou complexidade do negócio).

4.10 Não administrar corretamente sua necessidade de capital de giro (caixa, contas a receber, estoques e o contas a pagar).

4.11 Não cuidar com carinho da imagem e reputação do seu negócio.

4.12 Não cuidar da preservação do caixa. Na crise o caixa é o rei.

4.13 Dica: A taxa de retorno dos investimentos. Deve ser sempre maior que o custo de capital dos empréstimos. Na dúvida entre o Valor presente líquido-VPL versus a TIR taxa interna de retorno do projeto. Fico com o VPL positivo.

5-Os ciclos de operacional (Ele representa o tempo que transcorre entre a compra e recebimento do produto e o recebimento do pagamento pela venda) e o ciclo de caixa (É o prazo desde o pagamento aos fornecedores até o recebimento da venda do produto final) devem estar alinhados com seu planejamento e orçamento anual. Fique esperto!

6- Elabore um fluxo de caixa (saldo inicial + recebimentos- pagamentos = saldo de caixa) com todos os recebimentos e pagamentos. Fique atento com os descasamentos entre prazos médios de recebimentos e pagamentos. Faça seu acompanhamento diário, bem como das projeções mensais. Mantenha o fluxo de caixa atualizado.

6.1 O fluxo de caixa operacional FCO apresenta a variação do capital de giro e o dia a dia dos negócios, porém, não leva em conta investimentos, juros monetários, variações de mercado, entre outros. Manter o fluxo de caixa operacional positivo, sem grandes desequilíbrios entre o que você tem a receber dos clientes e o que precisa pagar para os fornecedores, é o que permitirá realizar projeções de longo prazo.

6.2 Fluxo de Caixa Livre-FCL: De forma sucinta, é o saldo de caixa que está livre em um negócio, ou seja, o dinheiro livre depois de realizado todos os pagamentos obrigatórios (inclui os investimentos e a NCG) para o funcionamento da empresa.
Na maioria das vezes, o fluxo de caixa livre é usado para realizar pagamentos de lucros aos sócios, ou para pagar o endividamento da companhia.

6.3 Caixa mínimo. Já foi feito esse o cálculo para identificar sua demanda mínima? Representa o valor em dinheiro que a empresa precisa ter disponível para cobrir os custos até que as contas a receber de clientes entrem no caixa. Ou seja, o quanto você precisa ter de reservas de dinheiro para pagar suas contas até receber dos clientes. Para obter o Caixa Mínimo Operacional, basta dividir os desembolsos totais previstos por seu giro de caixa. Fique atento.

6.3.1 Giro de Caixa é o indicador financeiro que mostra quantos ciclos financeiros o caixa de uma empresa tem por ano. Ele informa o número absoluto de vezes que o capital circula – ou seja, entra e sai do caixa da empresa, em um período de 12 meses.

7- Controle o prazo e giro de seus estoques, para evitar perda e ociosidade. Tenha um estoque enxuto. Faça um inventário periódico. O dinheiro não pode ficar parado nas prateleiras ou no depósito sem rentabilidade, prejudicando o capital de giro. Comprar bem e obter bons descontos e negociar prazos de pagamento com os fornecedores, é fundamental para desenvolvimento do seu negócio.

8- Não comenta o erro de misturar o dinheiro da Pessoa física(dono) com o da pessoa jurídica (empresa) Programe seu Pró-labore. Abra contas bancárias separadas.

9- Quando da apuração do lucro no final do exercício, não esqueça de reservar(destinar) no mínimo 50% para investimentos futuros em projetos de alta rentabilidade para desenvolvimento do seu negócio.

10- Fique atento quando precisar captar recursos no mercado, pesquise com no mínimo três bancos, financeiras, Fintechs, etc. as taxas de juros (inclusive com créditos e taxas subsidiadas, consignados pela CEF, BB, BNDES, entre outros), prazos, TAC, seguros, se houver e garantias exigidas, etc.). Recorra aos bancos somente depois de esgotar outras opções, menos onerosas, como por exemplo fornecedores e outras parcerias estratégicas com compartilhamento de custos.

11- Acompanhe as novas tecnologias com suporte de diversos canais digitais, mídias sociais e plataformas inteligentes disponíveis no mercado para venda dos seus produtos e serviços, bem como apoiar o processo inovação para buscar um diferencial de qualidade, entrega, preço e assistência técnica, se houver, junto aos seus clientes. Fique atento as estratégias e ações de marketing da concorrência.

12- Estude uso do home office como economia de custos administrativos e também verifique a viabilidade como ampliação do seu negócio comercial para aumento das vendas (duas pontas).

13- Reveja os prazos de suas vendas a prazo e a inadimplência da carteira de contas a receber (cheque pré datado, cartão, etc.), bem como a eficiência da cobrança. Trabalhe a fidelização dos seus clientes antigos e novos.

14- Se for possível, tenha sempre uma reserva financeira na empresa (caixa mínimo operacional) de três meses, no mínimo, para uso em eventuais demandas emergenciais e ou contingencias.

15- Negocie sempre que possível, usar os prazos de financiamento das compras dos fornecedores, ou seja, venda e receba primeiro dos clientes para depois pagar os credores.

16- Tente junto aos seus fornecedores obter mercadorias em consignação com 30,40 ou 60 dias, para pagamento e ou devolução (com custo zero). É difícil, mas tente negociar.

17- Preste atenção nos 4P”s do seu Negócio: 1.Preço (tenha um preço competitivo) 2.Praça (ponto estratégico) 3.Publicidade ( boa divulgação e uso dos canais digitais, plataformas e mídias sociais,etc.) 4.Produto (produto de qualidade e com diferencial em relação ao concorrente).

18- Faça cursos periódicos, por exemplo no SEBRAE e de outras entidades, para desenvolvimento de pequenos e médios negócios e para seu autoconhecimento profissional.

19- Se houver, aplique as sobras de caixa. Não deixe o dinheiro parado. Pagamento antecipado aos fornecedores com taxas de descontos superiores ao mercado é um bom investimento.

20- Você tem conhecimento dessas informações em sua empresa? Caso negativo, fique ligado!

20.1 Overtrading.
Cuidado. Grande expansão no volume de atividades de uma empresa, não havendo recursos disponíveis para bancar as necessidades adicionais de giro. De uma forma mais didática, o overtrading acontece quando uma empresa vende muito e utiliza margens inadequadas, que não geraram lucro suficiente para sustentar o negócio. Normalmente os problemas estão ligados a rentabilidade e à liquidez, que futuramente ocasionam a deficiência econômico financeira que por sua vez, se não for detectada e analisada a tempo, pode levar a sociedade a falência.

20.2-Margem de contribuição do negócio. Essa informação está disponível e é analisada?
A margem de contribuição é a diferença entre a receita obtida e os custos e despesas variáveis, que servirá para pagamento dos custos e despesas fixos. Ela é fundamental para entendimento da viabilidade e saúde financeira do negócio. Se a margem de contribuição for muito baixa, você consegue chegar ao ponto de equilíbrio, porém não tem lucro. Se ela for negativa, seu negócio está no prejuízo. Poderá ficar insolvente.

20.3-Ponto de Equilíbrio. Essa informação está disponível?
Ponto de equilíbrio é quando a receita total da empresa é exatamente igual à soma de custos e despesas. Ele é calculado para saber quanto, em número de transações ou dinheiro, é preciso vender para bancar as operações sem ter prejuízo.
Vale ressaltar que o ponto de equilíbrio não é a meta de nenhuma empresa, e sim uma referência – o objetivo é ter lucro.

Alguns dos itens acima citados de forma sugestiva, devem ser selecionados pelos empresários como indicadores de topo no processo decisório da empresa. Fiquem atentos.

Finalizando, “Galera, em tempos de crise, o CAIXA é o REI!”.

Essa é uma modesta contribuição aos micros e pequenos empresários num momento tão difícil que estamos passando no Brasil e no Mundo com essa tamanha crise sanitária, política e econômica (impacto financeiro nos negócios).

Boa sorte a todos.

Mais conteúdo no livro Como Administrar Fluxo de Caixa

newsletter

LEIA TAMBÉM

 

Tags: , , , , , , , , ,

3 respostas para “Dicas importantes para gestão dos negócios das pequenas e médias empresas”

  1. Avatar Marly Rodrigues disse:

    Amei pé livros do autor. Sr Edson Cordeiro da Silva. Ótimos!

  2. Avatar Marly Rodrigues disse:

    Amei todas as edições do Autor. Como poderia ter o contato dele. Email dele

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Edson Cordeiro da Silva
    Edson Cordeiro da Silva

    Edson Cordeiro da Silva, Graduado em Contabilidade e Economia, Doutor, Mestre em Sistema de Gestão pela Escola de Engenharia de Produção (Latec) da Universidade Federal Fluminense (UFF), com MBA em Finanças e Mercado de Capitais e Pós-graduado em Ciências Contábeis pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). Ex-diretor do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), Ex-Vice Presidente da ANEFAC-RJ (1991\1992), ex-diretor do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IAIB/Ibracon- RJ), ex-Auditor Independente-Pessoa Física (CVM) 1984, ex-membro efetivo da Câmara de Fiscalização (1990/1993) do Conselho Regional de Contabilidade - CRC-RJ, ex-membro da Associação dos Peritos Judiciais do Estado do Rio de Janeiro, ex-membro do Conselho Empresarial de Varejo e Governança Corporativa da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ, membro da Academia Nacional de Economia-ANE (cátedra nº 050), e Certificate of Membership – The Institute of Internal Auditors Inc. New York (1978). Possui experiência de mais de 20 anos em cargos de gerência e diretoria nas áreas de Controladoria e Finanças em empresas de grande porte nas atividades de Varejo, Serviços, Seguros, Indústria, Mercado de Capitais, Governo e Informática. Atua também como consultor financeiro nas áreas de Finanças, governança corporativa, Gestão Empresarial, Controladoria e Projetos para Investimentos. Ex-Professor colaborador da Universidade Federal Fluminense-UFF, credenciado junto ao Curso de MBA - Desenvolvimento Gerencial Avançado com ênfase em Gestão de Negócios para ministrar a disciplina Governança Corporativa. No período de 1986 á 2000 foi Diretor de Controladoria do GRUPO GLOBEX UTILIDADES S/A (Companhia de capital aberto) e de 2001 á 2006, foi Diretor Financeiro da IPLANRIO (Empresa Municipal de Informática S/A.) e Presidente do Conselho Fiscal da RIOURBE (Empresa Municipal de Urbanização S/A). Conselheiro de Administração certificado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, IBGC, SP, 2010. Atualmente trabalha como consultor na empresa Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS na Diretoria de Governança e Conformidade-DGC na área de Governança Corporativa. Autor dos livros: Como Administrar o Fluxo de Caixa das Empresas, 9ºedição 2005/16, Governança Corporativa nas Empresas, 4ªedição 2006/16, Relação com Investidores-(RI) e Governança Corporativa nas empresas, 1ª. edição, 2012, publicados pela Editora GEN/ATLAS.