20 de dezembro de 2017

Peter Senge e as disciplinas de aprendizado

por Ugo Franco Barbieri

Nas atividades que desenvolvo atualmente, principalmente nas áreas de executive assessment e de executive coaching, pode-se perceber a presença ou a ausência de pensamento estratégico e de trabalho em equipe, que estão relacionados com a capacidade de aprendizagem que as pessoas e as equipes demonstram em maior ou menor escala na sua rotina de trabalho. Na década de 1980, Peter Senge realizou pesquisas para descobrir como as organizações desenvolvem a aprendizagem e por que algumas organizações são melhores em aprender do que outras. Os estudos de Peter Senge nos levam a pensar como é importante aprender a aprender, trabalhando juntos, resolvendo problemas, tomando decisões, e desenvolvendo a capacidade de visualizar o futuro de qualquer situação.

As práticas que diferenciam a organização que tem bons métodos de aprendizagem são referidas por Senge, como as Cinco Disciplinas do Aprendizado, todas as quais também contribuem para o pensamento estratégico. Entenda:

Peter Senge e as disciplinas de aprendizado

 
Visão compartilhada: envolve a formulação de uma visão convincente para criar compromisso entre um grupo de indivíduos, para prever o futuro de um problema ou até de uma organização. O risco, quando não ocorre a visão compartilhada, é que cada área ou até cada pessoa tenha sua própria visão de alguma realidade, estudada pela equipe de trabalho.

Modelos mentais: diz respeito aos valores, preconceitos, pressupostos e expectativas que determinam a forma como as pessoas pensam e se comportam. São necessárias ferramentas para garantir que os colaboradores trabalhem juntos, afim de se transformar a visão em realidade. A tomada de decisão é racional e emocional, principalmente porque cada um de nós tem seus próprios valores, preconceitos, pressupostos e expectativas.

Domínio pessoal: implica estabelecer medidas para fortalecer a autoconsciência, percebendo como pensamos, tiramos conclusões, tomamos decisões e gerenciamos conflitos, bem como a forma como gerenciamos e fortalecemos relacionamentos. Nessa categoria, o pressuposto básico da capacidade de aprender é nos conhecermos, sabendo como pensamos e como tomamos decisões, aumentando a percepção de nós mesmos, desenvolvendo nosso potencial e nosso autoconhecimento.

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Foto: Istock/Getty Images

Aprendizagem em equipe: envolve equipes trabalhando juntas para revisar situações e ganhar entendimento mútuo dos objetivos que esperam atingir. Ajuda a se ver como as coisas progrediram e como os membros do grupo trataram eventos inesperados e não planejados. Assim procedendo, podem ser reveladas questões subjacentes e os fatores e as pessoas que contribuíram para o entendimento da questão estudada, identificando as etapas necessárias para aumentar a eficácia e eficiência a longo prazo. Ou seja: as pessoas devem trabalhar juntas para registrar as lições aprendidas e estabelecer novas e melhores práticas. Saber ouvir o outro, valorizar outros pontos de vista e não colocar nosso ego no trabalho de equipe ajuda a se ter uma organização que pratica a aprendizagem em grupo, o que sem dúvida é um diferencial competitivo.

Pensamento sistêmico: ajuda os membros da equipe a reconhecerem os fatores interconectados e as diversas forças que influenciam ou impactam os eventos. Os mesmos eventos são analisados para que se entendam os desafios entrelaçados e as diversas contribuições de pessoas e metodologias, identificando as maneiras de alavancar as oportunidades e mitigar os desafios.

As Cinco Disciplinas de Aprendizagem contribuem para o pensamento estratégico e ajudam as organizações a desenvolver a capacidade de aprendizagem, enfatizando a importância de se utilizar o pensamento planejado visando um propósito, bem como o benefício do trabalho em equipe. As organizações, de diferentes maneiras, utilizam essas disciplinas de aprendizagem que as tornam bem sucedidas e competitivas.

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  • Ugo Franco Barbieri
    Ugo Franco Barbieri

    É sócio da Taplow Brasil Consultores (Taplow Group), consultoria especializada em Executive Search, Assessment, Coaching e Human Capital, presente em 20 países, com cerca de 30 escritórios. Foi coordenador credenciado pela Vistage do Brasil, de grupos de encontro de presidentes e empresários. Foi sócio do InterManagement Group, que coloca presidentes e diretores interinos nas organizações. Como executivo, foi Diretor de Administração e de Recursos Humanos em organizações como Xerox, Cyanamid, Grupo Eluma e Casas Pernambucanas, foi também gerente de RH do Banco Brascan de Investimentos. Como consultor, foi também associado da Boyden, Diretor da Arthur Andersen e sócio da Horton International. Tem participado em comitês de Câmaras de Comércio (Americana, Francesa, Sueca, Suíça e Alemã), em Institutos, como Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) e no Conselho Regional de Administração – SP. Foi diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil) e vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). Tem graduação e registros em Psicologia, Administração, Direito e Filosofia.