16 de agosto de 2019

Conheça as principais escolas da administração

por Antonio Cesar Amaru Maximiano

Escola é linha de pensamento ou conjunto de autores que usaram o mesmo enfoque, escolheram o mesmo aspecto específico para analisar, ou adotaram o mesmo raciocínio, por exemplo, escola das relações humanas, escola japonesa, escola do processo administrativo etc.

Os autores que formam uma escola, muitas vezes, vivem ou viveram em épocas e locais distintos.A mesma ideia pode ser, e normalmente é, designada de diferentes maneiras: teoria, escola, pensamento ou enfoque e assim por diante. Nesta aula e no restante do curso, esses termos serão usados alternativamente. Às vezes um, às vezes outro, dependendo do contexto.

Escolas da administração: conheça o mapa da selva das teorias

 

Mapa da selva das teorias

 
O mapa da selva ajuda você a não se perder no meio de tantas teorias – também podemos dizer ideias. Afinal, o que é uma teoria? Se você acha que a palavra teoria tem significado negativo, pense novamente. Uma teoria (ou ideia) é uma explicação da realidade. “Nada mais prático do que uma boa teoria” é uma frase atribuída a Leonid Brejnev. Sem teorias ou ideias, seria impossível entender e lidar com a realidade. Uma situação absurda, certamente. Mais uma vez, as ideias são tantas que precisamos de orientação, para que possamos usá-las e entender a realidade. Neste livro, propomos quatro trilhas principais no mapa. Essa classificação em quatro trilhas ou escolas é a mais simples. Outros autores poderão ter interpretações diferentes. Afinal, teoria é explicação, não é lei científica.

As quatro trilhas ou escolas são: (1) escola clássica, (2) escola do comportamento, (3) pensamento sistêmico e (4) enfoque ou escola contingencial (ou situacional). Veja na Figura 3.2 um esquema do mapa:

Conheça as principais escolas da administração

Escola clássica

 
Escola clássica – ande nesta trilha para conhecer e aplicar concei-tos e ferramentas de gestão da eficiência, processos administrativos, papel dos gestores, natureza das organizações (Figura 3.3).:

Conheça as principais escolas da administração

A escola clássica tem esse nome porque seus integrantes criaram e sistematizaram os conceitos fundamentais da gestão, na transição para o século XX. Esses conceitos, mais que perenes, são atemporais: eficiência, organização e processos produtivos são os principais conceitos da escola clássica. Os clássicos fizeram as primeiras experiências, criaram as primeiras soluções e apresentaram as primeiras ideias. Uma de suas principais preocupações, provavelmente a principal, era entender e fazer funcionarem as organizações e os sistemas produtivos que nasceram com a revolução industrial.

Conheça os gurus da escola clássica

 
Pense na escola clássica como um grupo de pessoas cujas ideias são perenes. Essas ideias lidam com questões recorrentes na gestão das organizações: qualidade, eficiência, estratégia, papel dos dirigentes, ética, organização etc.As ideias clássicas vêm desde a Antiguidade, mas, neste livro, focalizaremos as contribuições no século XX.Conheça os gurus dessa escola na Figura 3.4:

Conheça as principais escolas da administração

Taylor e o Movimento da Administração Científica

 
O movimento da administração científica, que se desenrolou na passagem para o século XX, teve a participação de muita pessoas. A mais importante foi Frederick Winslow Taylor. Ele, seus seguidores e outros participantes transformaram a administração da eficiência do trabalho em um corpo de conhecimentos com vida própria.

Taylor cronometrava os movimentos dos trabalhadores, dividindo-os nas tarefas que os compunham, chamando-as de unidades básicas de trabalho. Em seguida, analisava as unidades básicas de trabalho, procurando encontrar a melhor maneira de executá-las e de combiná-las para a tarefa maior. As tarefas que passavam por esse processo estavam “taylorizadas”. Essa era a essência do taylorismo.

Com o taylorismo, havia ganho de eficiência: menor quantidade de movimentos e maior volume de produção por unidade de tempo. Um exemplo dos métodos de Taylor foi a experiência na qual demonstrou que a produtividade mais elevada resulta da minimização do esforço muscular. Essa é uma das ideias fundamentais da administração científica: a produtividade resulta da eficiência do trabalho e não da maximização do esforço. A questão não é trabalhar duro, nem depressa, nem bastante, mas trabalhar de forma inteligente.

Henry Ford e a Linha de Montagem Móvel

 
Foi Henry Ford quem elevou ao mais alto grau os dois princípios da produção em massa, que é a fabricação de produtos não diferenciados em grande quantidade: peças padronizadas e trabalhador especializado.

Peças e componentes padronizados e intercambiáveis. Na produção massificada, cada peça ou componente pode ser montado em qualquer sistema ou produto final.

Especialização do trabalhador. Na produção massificada, o produto é dividido em partes e o processo de fabricá-lo é dividido em etapas. Cada etapa do processo produtivo corresponde à montagem de uma parte do produto. Cada pessoa e cada grupo de pessoas, num sistema de produção em massa, têm uma tarefa fixa dentro de uma etapa de um processo predefinido.

A linha de montagem é solução prática. Não corresponde nem tem amparo em nenhuma teoria, mas se aproxima da administração científica em seus princípios. Apesar de suas imensas vantagens na produção de bens em grandes quantidades, suas deficiências levaram ao desenvolvimento do modelo da gestão enxuta, que é, dessa forma, sua descendente.

Henri Fayol e os Processos da Administração

 
O engenheiro francês Henri Fayol é o autor que criou o conceito de administração que estudamos hoje. Toda a organização do conhecimento e a maneira como se estuda a administração, em praticamente todo o mundo, têm suas raízes e uma dívida com as ideias de Fayol. Com justiça, deve-se considerá-lo um dos construtores do moderno conhecimento sobre a gestão das organizações.Em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, aos 75 anos, Fayol publicou o livro Administração industrial e geral (AIG).

Nesse livro, Fayol distingue o governo (gouvernement) da empresa da administração da empresa. Segundo Fayol, o governo (hoje diríamos governança ou administração estratégica) consiste em conduzir o empreendimento na direção de seus objetivos, com o melhor uso dos recursos disponíveis. A administração consiste em dar apoio a esse propósito principal (na edição brasileira, a palavra francesa gouvernement foi traduzida como direção).Segundo Fayol, para assegurar o cumprimento de sua responsabilidade fundamental, que é a condução do empreendimento, o executivo principal conta com seis funções interdependentes. Uma delas é a função administrativa (Figura 3.5).

Conheça as principais escolas da administração

A função administrativa compreende: previsão (em francês, prevoyance – literalmente, “previdência”), organização, comando, coordenação e controle. “Nenhuma das cinco funções precedentes tem o encargo de formular o programa geral de ação da empresa, de constituir o seu corpo social, de coordenar os esforços, de harmonizar os atos. Essas operações… constituem outra função, designada habitualmente sob o nome de administração”.

Esses elementos de administração estão no final do livro e ocupam sua maior parte – mais da metade do livro é dedicada a explicar as funções do processo administrativo. Em nenhum momento ou passagem, Fayol indica algum tipo de ordem ou sequência para essas funções. Ele trata todas como partes do mesmo conjunto, mas cada uma de forma independente.

Max Weber e a Burocracia

 
Economia e sociedade é o livro mais famoso e abrangente de Max Weber. Essa obra trata da burocracia em diversas passagens. Burocracia é ideia associada à administração pública e sempre com conotação negativa. No entanto, essa imagem desfavorável é consequência das disfunções da burocracia. Segundo Weber, em seu sentido original, a burocracia é forma evoluída de organização – superior aos modos tradicionais e patriarcais de dominação. Burocracias são todas as organizações formais modernas, públicas e privadas.

As organizações formais, ou burocráticas, apresentam três características principais, que as distinguem dos grupos informais ou primários: formalidade, impessoalidade e profissionalismo, sintetizadas na Figura 3.6. Essas três características formam o chamado tipo ideal de burocracia, um constructo de Weber. O tipo ideal é um modelo abstrato que procura retratar os elementos que constituem qualquer organização formal do mundo real. Não é uma proposição prescritiva.

Conheça as principais escolas da administração

  • Legalidade ou formalidade significa que as organizações burocráticas são constituídas com base em normas e regulamentos explícitos – como as leis – que estipulam os direitos e deveres dos participantes. Tanto os “súditos” quanto os “senhores” estão sujeitos à lei. As normas são racionais – aceitas porque as pessoas acreditam que são formas legítimas de ordenar a vida da coletividade. As leis criam figuras de autoridade, que têm o direito de emitir ordens. Violar as leis é comportamento passível de punição, que também está prevista e regulamentada. As figuras de autoridade são responsáveis pelo cumprimento das leis, às quais também estão sujeitas. Weber usa palavras como soberano, magistrado (no sentido dos romanos) e autoridade para indicar essas figuras. Na burocracia, o comportamento sempre é regulamentado de forma explícita e vale para todos. Essa é uma das grandes vantagens da burocracia: todos são iguais perante a lei.
  • Impessoalidade significa que, em uma burocracia, nenhuma pessoa é empregada ou vassalo de outra. Nas palavras de Weber, “os membros da associação, ao obedecer ao soberano, não o fazem por atenção a sua pessoa, mas obedecem à ordem impessoal e somente estão obrigados à obediência dentro da competência (ou jurisdição) limitada, racional e objetiva, a ele (soberano ou magistrado) outorgada por essa ordem” A legalidade e a impessoalidade fazem a burocracia permanecer a despeito das pessoas, de tal sorte que, mesmo em caso de revolução ou ocupação por um inimigo, a máquina burocrática continua funcionando normalmente, da mesma forma como o fazia no governo legal anterior. Há casos em que o retorno da legalidade nem sempre implica o desmantelamento do apa-rato burocrático criado no regime anterior.
  • Profissionalismo significa que os cargos da burocracia oferecem a seus ocupantes carreira profissional e meios de vida, além de formação. O integrante de uma burocracia é um funcionário que faz do cargo um meio de vida, recebendo um salário regular em troca de seus serviços. A escolha para ocupar o cargo deve-se a suas qualificações, comprovadas em exames de seleção, e que são aprimora-das por meio de treinamento especializado. A participação nas burocracias tem caráter ocupacional. As burocracias, especialmente as mais antigas, têm sistemas de formação para fornecer a seus profissionais o treinamento especializado. Diplomacia, forças armadas, polícia, instituições religiosas e administração pública são exemplos de burocracias que têm seus próprios sistemas de formação e desenvolvimento de competências.

Nas palavras de Weber, a burocracia oferece “precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiança, consequentemente, calculabilidade, para o soberano e os interessados… e suscetibilidade técnica de perfeição para alcançar os resultados ótimos. (…) Toda nossa vida cotidiana está tecida dentro desse marco. Já que a administração burocrática em geral é a mais racional do ponto de vista técnico-formal, é hoje simplesmente inseparável das necessidades da administração de massas. É preciso escolher: burocracia ou diletantismo. Sem burocracia, estaríamos reduzidos a uma civilização de camponeses. (…) A administração burocrática significa dominação graças ao saber; que é seu caráter racional fundamental e específico. (…) A dominação burocrática tem limitações para quem não é profissional: os burocratas quase sem-pre impõem sua vontade aos ministros não profissionais.”

Mais conteúdo no livro Administração Por Competências

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  • Antonio Cesar Amaru Maximiano
    Antonio Cesar Amaru Maximiano

    É professor e pesquisador do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. É também Coordenador de Programas e Projetos da Fundação Instituto de Administração (FIA). Administração Geral, Administração de Projetos, Qualidade Total e Recursos Humanos são suas áreas de atuação no ensino e na pesquisa.