18 de junho de 2020

Planejamento de um programa educacional: alinhamento entre objetivos e resultados (AI)

por Hong Yuh Ching

Nessa etapa, os alunos vivenciam o objetivo de aprendizagem proposto alinhado com o currículo. Não se podem imaginar as atividades dissociadas dos objetivos de aprendizagem. Elas são estratégias de ensino que possibilitam a aprendizagem dos alunos. Elas estimulam o engajamento dos alunos e o desenvolvimento das suas competências.

Planejamento cuidadoso e a implementação das atividades/dinâmicas irão ajudar seus alunos a produzirem o que se espera. Para isso, alguns estágios devem ser obedecidos.

Estágio 1: Planejando a atividade

 
Decida nesse momento como isso pode:

• Desenvolver as competências requeridas no seu programa/curso.
• Alinhar-se com os objetivos de aprendizagem do programa ou do curso, bem como seu nível cognitivo esperado.
• Relacionar-se com a atividade anterior feita.
• Ser realizado, se em grupo, em dupla ou individualmente.
• Ser quebrado em atividades menores para evitar sobrecarregar os alunos.
• Ter valor para o aluno e para você. A atividade deve ser significativa a ponto de despertar motivação, interesse e engajamento. O professor pode fazer uma consulta prévia com os estudantes para ouvir deles quais dinâmicas eles acham mais interessantes e motivadoras. Atente para o fato de que cada objetivo educacional demanda uma dinâmica diferente.

Você também deve decidir nesse estágio:

• A duração da atividade/dinâmica e as datas de entregas parciais de trabalhos dos alunos.
• Os componentes de avaliação e seu peso.
• Tipo de rubrica, se nota, conceito, passa/repete.
• Tipo de feedback a ser dado, oral, escrito.
• Políticas a serem adotadas em caso de problemas como plágio, entrega fora do prazo etc.
• Os recursos a serem utilizados para a aplicação da atividade.

Um fator que pode restringir a aprendizagem do aluno é o grau de segurança que o professor tem no emprego de algumas atividades. Ele pode deixar de escolher uma atividade mais eficaz porque o grau de segurança na sua adoção é baixo ou ele tem medo de inovar. Pode se
desenvolver para o emprego dessas estratégias ou dinâmicas por meio de cursos educacionais presenciais ou on-line (por exemplo, Coursera) ou vídeos de instituições de ensino. Outros fatores que podem influenciar a escolha da atividade são a disponibilidade, a formação ou a
experiência do aluno.

Estágio 2: Implementando

 
Prepare uma descrição da atividade que considere as seguintes partes: situação com a relevância e informações antecedentes, a tarefa, estágios e as datas, critérios de avaliação. Coloque também referências e fontes de informação para ajudar o aluno a executar a atividade ou a dinâmica quando for necessário. Quando você for distribuir a atividade, certifique-se de que os alunos entenderam o que deve ser realizado e o que é esperado deles.

A seguir, listamos alguns exemplos de atividades de aprendizagem. Lembre-se de que a escolha de uma atividade deve ser adequada à complexidade do objetivo a ser avaliado.

• Estudo de caso: requerer do aluno análise e tomada de decisão.
• Mapas conceituais: representação gráfica de um conjunto de conceitos construídos de tal forma que as relações entre eles sejam evidentes. Um bom mapa deve ter quatro critérios: agrupamento, conceitos bem definidos nas caixas, hierarquia em que os conceitos mais
amplos se situam nos níveis superiores e conceitos mais específicos nos níveis inferiores do mapa e, por fim, elementos de ligação que conectam os conceitos entre si.
• Ações resolutivas: alunos interagem na construção do conhecimento por meio de debates, seminários e pesquisas.
• Aproximação entre teoria e prática: estudos de exemplos reais; filmes ilustrativos ou notícias de jornais correlacionando a teoria com o ambiente empresarial em termos das estratégias, ferramentas de gestão e tecnologia utilizadas pelas organizações.
• Trabalho interdisciplinar: visão integrada dos conhecimentos, habilidades e bases tecnológicas, científicas e instrumentais que levam o aluno a construir e desenvolver determinadas competências.

O Quadro 1.2 demonstra como diferentes estratégias e dinâmicas se alinham aos diversos níveis cognitivos da Taxonomia de Bloom.

Planejamento de um programa educacional: alinhamento entre objetivos e resultados (AI)

Uma vez estabelecidos os objetivos de aprendizagem e as respectivas atividades com os alunos, os docentes devem assegurar que esses objetivos estejam ocorrendo também em outros cursos/programas ou disciplinas. Por exemplo, os objetivos que tratam de competências como resolução de problemas, trabalho em equipe, raciocínio crítico e analítico podem estar ocorrendo em uma variedade de outros cursos/programas, independentemente da área de conteúdo. Assim, quanto mais essas competências estiverem sendo desenvolvidas, maior a probabilidade de sucesso do aluno. As atividades podem ser adotadas de forma diversa para cada área de conteúdo, porém sempre suportando o desenvolvimento das competências.

Resultados (R)

 
Como dito anteriormente, a escolha de uma atividade de aprendizagem deve ser adequada à complexidade do objetivo a ser avaliado. Se o docente pretende avaliar nos alunos o desenvolvimento da competência visão sistêmica, ele deve escolher uma atividade que permita atingir esse objetivo. Nessa etapa, o docente irá pensar nas medidas para avaliar a aprendizagem.

A avaliação pode ser distinta de acordo com sua finalidade. Pode ser do tipo diagnóstica, em que o professor coleta evidências dos seus alunos logo no início do processo de aprendizagem, normalmente no início do curso ou do programa. O outro tipo é a formativa ou de processo, em que o professor colhe evidências da aprendizagem do aluno mediante atividades que ele deve desenvolver ao longo do curso ou do programa.

Dessa forma, o professor pode fazer intervenções, se necessárias, modificando suas atividades e/ou fornecendo feedback aos alunos. Finalmente, temos a somativa ou de resultado, aplicada ao final do curso/programa. Ela possibilita ao professor obter insumos para analisar e revisar o planejamento do curso, em partes ou no seu todo.

Os instrumentos de avaliação devem ser capazes de medir o nível de aprendizagem do aluno e seu desenvolvimento quanto aos objetivos de aprendizagem propostos. Eles são os mesmos utilizados nas atividades de aprendizagem.

Rubrica é uma ferramenta de avaliação que claramente indica os critérios de realização ao longo de todos os componentes de qualquer tipo de trabalho. Ela serve para auxiliar a avaliação das atividades e identificar os diferentes níveis de aprendizagem dos alunos. Também serve como instrumento de feedback aos alunos.

Um tipo de rubrica, a analítica, separa diversos componentes de avaliação na vertical de uma matriz e na horizontal os valores de avaliação, que podem ser expressos numericamente ou por letra, ou em escala que vai do pobre para o excepcional. Esse tipo de rubrica pode também
permitir diferentes pesos para diferentes componentes. No Quadro 1.3, temos um exemplo de rubrica e critérios sugeridos para avaliação de um mapa conceitual.

Planejamento de um programa educacional: alinhamento entre objetivos e resultados (AI) Planejamento de um programa educacional: alinhamento entre objetivos e resultados (AI)

Os componentes de avaliação são transformados em critérios nesse exemplo e os valores de avaliação são expressos em quatro níveis, cada um correspondendo a uma nota. O docente deverá avaliar o mapa conceitual dando nota para cada critério de forma individual e somar
essas quatro notas para chegar à nota final dessa atividade. Assim, se ele der nota 5,0 para agrupamento, nota 6,0 de conceito, nota 7,0 de hierarquia e 3,0 de elementos de ligação; se todos os critérios tiverem o mesmo peso, a média aritmética será de 5,25.

O docente pode sofisticar dando pesos diferentes para cada critério de acordo com a importância dada por ele. Você pode realçar a experiência de aprendizagem dos alunos envolvendo-os no processo de desenvolvimento das rubricas. Isso pode resultar em maior experiência de aprendizagem, mas também possibilita a eles terem um maior sentido de propriedade e inclusão no processo de tomada de decisão.

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  • Hong Yuh Ching
    Hong Yuh Ching

    Formado em Administração pela FGV/SP, especialização em finanças por CEAG/FGV, Mestrado em Contábeis pela PUC/SP e Doutorado em Engenharia pela Unicamp. Professor titular do Centro Universitário FEI, desde inicio de 2010 ocupa cargo de Coordenador do curso de ADM, campus SBC. Autor de diversos livros e artigos em periódicos nacionais e internacionais. Suas linhas de pesquisa são em finanças, sustentabilidade e educação em gestão.