2 de agosto de 2019

Resenha: Contabilidade Ambiental – Relato Integrado e Sustentabilidade

por GEN.N&G

O livro Contabilidade Ambiental retrata as discussões abordadas na disciplina optativa Relato Integrado e Sustentabilidade, oferecida na FEA/USP desde 2011, e registra testemunhos e experiências desde os primeiros eventos realizados. Assim, este livro promove discussões em relação à integração dos relatórios financeiros e não financeiros (2010), aos principais debates da comissão internacional (IIRC) e à divulgação do primeiro documento oficial (2013).

Além disso, o livro analisa o conteúdo do Integrated Reporting Framework, incluindo um vasto levantamento de conceitos de sustentabilidade, sob a linha das mudanças climáticas globais, e tem acesso a quiz e glossário de termos utilizados.

Detalhes sobre o livro Contabilidade Ambiental

 
Resenha: Contabilidade Ambiental - Relato Integrado e Sustentabilidade

Este livro aborda o conteúdo básico da disciplina Relato Integrado e Sustentabilidade, oferecida na FEA/USP por iniciativa do Núcleo de Estudos em Contabilidade e Meio Ambiente (NECMA/USP) e com o apoio de diversos parceiros que atuam em prol do desenvolvimento sustentável, dentre eles o International Integrated Reporting Council (IIRC), a Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado (CBARI), o Global Reporting Initiative (GRI) e a Bolsa de Valores (Brasil, Bolsa, Balcão – B3).

É uma disciplina de graduação, mas tem recebido a participação de alunos de pós-graduação, especialistas e ouvintes interessados neste tema que acreditamos ser o próximo passo evolutivo dos relatos corporativos. Nesse novo padrão de relatos corporativos, as organizações deixarão de produzir comunicações volumosas, desconexas e estáticas e passarão a comunicar o seu processo de geração de valor como alicerce para um futuro sustentável. É um desafio e ao mesmo tempo uma grande oportunidade para as empresas, pois essa predisposição em se tornar mais transparente é um dos atributos de geração e valor ou do seu goodwill.

As primeiras iniciativas internacionais sobre o Relato Integrado, ao nosso ver, surgiram em 2002, por ocasião da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), realizada em Joanesburgo e por iniciativa de Mervyn King (membro fundador do IIRC) quando lançou a segunda versão do Código King de governança corporativa da África do Sul, denominado “King II”, incluindo o termo Integrated Sustainability Reporting e baseado no modelo da GRI e na abordagem Triple Bottom Line (TBL).

A versão “King I” foi lançada em 1994. Já a versão “King III” foi lançada em 2009 com a proposição de integração de informações financeiras e de sustentabilidade e passou a ser obrigatória em março de 2010 para as empresas listadas na bolsa de valores de Joanesburgo. A versão “King IV” foi lançada em 2016, consolidando o Relato Integrado e governança corporativa baseada na transparência.

Como começou a iniciativa brasileira? Vamos contar.

O Brasil foi um dos países pioneiros na implantação das normas internacionais de contabilidade (IFRS) com a mudança da lei das sociedades anônimas (2007-2010), e, nessa fase de promover maior transparência nos novos relatórios contábeis, os profissionais ligados às questões de sustentabilidade contribuíram com provocações no sentido de se incluírem também informações de natureza ambiental e social, haja vista as discussões que já ocorriam em ações como o Global Reporting Initiative (GRI), o Carbon Disclosure Project (CDP), o Instituto IBASE, o Instituto Ethos e os questionários de avaliação do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE/B3).

Após diversas reuniões, consultas e discussões, foi realizado na FEA/USP, no dia 12 de maio de 2010, um evento para tratar da integração de relatórios financeiros e não financeiros, intitulado “Diálogo IFRS e GRI”, que se supõe ser o primeiro evento desta natureza no país. Ele contou com a colaboração dos amigos Fernando Eliezer Figueiredo, Roberto de Souza Gonzales, Carlos Eduardo Lessa Brandão, Gláucia Térreo, Ernest Ligteringen, Ariovaldo dos Santos, Eliseu Martins, Nelson Carvalho, Henry Robert Srou, Yara Cintra, Alexandre Foschine e diversos alunos. Estiveram presentes 168 participantes na Sala da Congregação da FEA/USP, entre profissionais de relatos corporativos, alunos e professores.

Os vídeos desse evento estão disponíveis na videoteca da USP e a conclusão a que se chegou foi de que “se não houver uma iniciativa por parte da contabilidade e de finanças, que é a linguagem que os mercados entendem, de nada adianta a retórica dos ambientalistas, socialistas, economistas etc.”. (NECMA, 2010).

O próprio presidente internacional do GRI que participou deste evento, o Sr. Ernest Ligteringen, confidenciou que eles foram vítimas do próprio sucesso, ou seja, que os quase duzentos indicadores e diretrizes de sustentabilidade, por si só, são insuficientes para promoverem as mudanças necessárias para se atingir um mercado mais sustentável; seria necessário integrar os relatórios não financeiros com a contabilidade que já possui know-how e tradição no reporte empresarial, em auditorias, normas e regulamentações.

Logo em seguida, em agosto de 2010, foi constituído em Londres o Conselho Internacional do Relato Integrado ou International Integrated Reporting Council (IIRC), e na primeira reunião presidida diretamente por Sua Alteza o Príncipe de Gales e o seu secretário geral (que é contador), iniciaram-se os trabalhos ao longo de reuniões quadrimestrais, que culminaram na divulgação da primeira norma sobre Relato Integrado, o Framework 1.0 do IIRC, ocorrida no dia 9 de dezembro de 2013.

Segundo relatos pessoais do Professor Nelson Carvalho, Sua Alteza Real o Príncipe de Gales proferiu as seguintes palavras em seu discurso de abertura: “O mundo nunca enfrentou desafios de tamanha magnitude: consumo excessivo de recursos naturais finitos, mudanças climáticas e a necessidade de fornecer água potável, alimento e melhores condições de vida para uma população global cada vez maior.

Decisões tomadas para enfrentar estes desafios devem estar embasadas em informações claras e compreensivas e estamos, no momento, lutando para enfrentar desafios do século 21 com, na melhor das hipóteses, Relatórios Corporativos e de tomada de decisão do século 20 ou anterior”.

Esse conselho internacional (IIRC) foi constituído inicialmente por quarenta pessoas representantes dos principais países do G20 e, além de economistas, investidores, ambientalistas, dentre outros, o Príncipe de Gales achou por bem convocar os contabilistas, incluindo as principais empresas de auditoria.

Do Brasil participaram o Professor Nelson Carvalho, membro fundador do NECMA/USP, e o então vice- -presidente de finanças da Natura, Roberto Pedote, acompanhados pelo presidente internacional da GRI. Desde então, esse tema tem sido discutido internacionalmente.

Na FEA/USP, foi objeto de tópicos especiais em disciplinas de pós-graduação e, a partir de 2011, constituiu disciplina regular e optativa, no
início com base nas anotações pessoais do professor Nelson Carvalho e nas pautas de reuniões do IIRC e depois com base nos rascunhos ou draft exposures; finalmente, em 2014 tomou como base a norma oficial– o Framework Integrated Reporting.

As orientações desta norma internacional estão distribuídas em 38 páginas (37 na versão original, em inglês) e não se trata de um roteiro ou de uma check list, mas sim de um conjunto de princípios que orientam como a empresa deve iniciar o processo de elaboração de seu Relato Integrado. O seu entendimento é de fácil assimilação, como evidenciam os testes de 50 questões aplicados para mais de 1.000 alunos, com uma média de 50% de acertos após uma única e breve leitura (KASSAI et al., 2016).

O conteúdo deste livro, bem como o foco da disciplina oferecida nesses últimos anos, não se limita ao conteúdo dessa norma internacional, pois, conforme o nosso entendimento, não se trata necessariamente de um novo “relatório”, mas de um processo de reporte corporativo baseado no princípio do “pensamento integrado”, uma sinergia entre as áreas e os principais dirigentes de uma corporação. Incluímos também algumas noções básicas de contabilidade e de finanças, a pedido de especialistas em sustentabilidade que participaram das aulas.

O Relato Integrado é, sobretudo, uma mudança cultural nos sistemas de comunicação e de governança de uma companhia para se obter o que é realmente “essencial” a ser reportado, entendido como aquilo que é capaz de agregar (ou destruir) valor ao longo do tempo. Essa predisposição a um nível maior de transparência é uma das características desse novo modelo de negócio e do processo de geração de valor
da companhia sob as dimensões de seis capitais: financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social e de relacionamento e natural.

A justificativa para a escolha desses seis capitais do Relato Integrado baseia-se na premissa de que os valores não tangíveis – ou goodwill – refletidos no preço das ações ou em cálculos internos de valuation representam a maior parcela do valor de uma companhia. Na década de 1960, a maior parcela do valor de uma companhia era predominantemente de natureza tangível (dinheiro, estoques, terrenos, prédios, máquinas); atualmente, a posição se inverteu, sendo que mais de 80% desse valor é oriundo de Ativos Intangíveis e de natureza não financeira.

E não basta juntar os relatórios financeiros e não financeiros elaborados pela companhia para se obter um Relato Integrado; senão seria apenas um “relatório juntado” e, provavelmente, mais volumoso e mais difícil de ser lido ou entendido.

O Relato Integrado deve ser mais do que a junção dos relatórios financeiros com as informações não financeiras; deve incluir uma visão concisa sobre como a estratégia, a governança, o desempenho, o ambiente externo e a postura da empresa diante das externalidades contribuem para redução de riscos e aumento do valor da empresa.

Se no passado a figura do Balanço Patrimonial representava uma “fotografia” estática de um determinado momento da empresa, o Relato Integrado passa a representar um “vídeo”, orientado principalmente para a história futura de criação de valor e as perspectivas de sua perpetuação.

Desse modo, o Relato Integrado não consiste apenas em uma banal junção dos relatórios contábeis com os relatórios de sustentabilidade, senão os relatórios GRI já teriam atingido esse patamar, pois armazenam um riquíssimo conjunto de indicadores e medidas de desempenho econômico, ambiental, social, práticas laborais e trabalho digno, direitos humanos, sociedade e responsabilidade pelo produto.

O Relato Integrado se refere a um processo de harmonização e de convergência dos sistemas de gestão organizacional e do processo de comunicação corporativa. Por isso, é fundamental que se respeite o tempo certo para que cada empresa ou profissional possa se adaptar a esse novo modelo de negócio, em sintonia com a sociedade, respeitando a natureza e mantendo o equilíbrio nos seus fluxos de caixa.

Na raiz do conceito de Relato Integrado, há uma profunda mudança mental e de atitudes de membros de conselhos de administração e diretores executivos, em um movimento top-down que incorpora os valores de criação sustentável de riqueza por toda a organização, como parte da estratégia da firma. É um grande esforço para que os relatos corporativos atendam às necessidades do século XXI e também às expectativas de Sua Alteza o Príncipe Charles Philip Arthur George.

Diante dessas considerações, tivemos o cuidado de redigir este livro para atender o interesse dos diferentes tipos de público que se interessaram pelo tema e estão, de alguma forma, envolvidos com as questões financeiras e de sustentabilidade. O nosso objetivo não é ensinar como se faz um Relato Integrado, e nem é esse o objetivo do próprio framework, mas a nossa intenção é contribuir para um processo de mudança mental e cultural baseado no pensamento integrado e tendo como subproduto relatos corporativos cada vez melhores.

Recursos didáticos

 
Os recursos didáticos complementam o conteúdo do livro, facilitando o aprendizado. Este livro conta com os seguintes recursos:

  • Avaliação de aprendizagem: ao final do capítulo, são disponibilizadas questões dissertativas, exercícios e sugestões de pesquisas para melhor absorção do conteúdo.
  • Glossário: ao final do livro, é apresentado um Glossário, em ordem alfabética, com os principais conceitos e terminologias, fornecendo uma consulta rápida sobre os temas discutidos no livro. O Glossário também pode ser acessado em nosso
    Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Basta seguir o passo a passo que consta na 1ª orelha do livro.
  • Quiz sobre o Relato Integrado: no Capítulo 8, junto aos Testes de Avaliação, há um quiz de múltipla escolha com 50 questões e seu gabarito. O quiz também pode ser acessado em nosso Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Basta seguir o passo a passo que consta na 1ª orelha do livro.
  • Boxe Saiba mais: em alguns tópicos do livro, no boxe Saiba mais, os autores sugerem ao leitor alguns vídeos complementares, de conteúdo próprio dos autores. Os vídeos são de responsabilidade da plataforma em que estão hospedados. O acesso aos vídeos é feito via QR Code. Para reproduzi-los, basta ter um aplicativo leitor de QR Code baixado no smartphone e posicionar a câmera sobre o código. É possível acessar os vídeos também por meio da URL que aparece logo abaixo do código.

Material suplementar

 
Este livro conta com o seguinte material suplementar:

  • Respostas dos Exercícios – restrito a docentes.

O acesso ao material suplementar é gratuito. Basta que o leitor se cadastre em nosso site (www.grupogen.com.br), faça seu login e clique em GEN-IO, no menu superior do lado direito.

Sobre os autores

 
José Roberto Kassai é professor da FEA/USP e da UNIVESP, doutor em contabilidade e controladoria, com especializações no Japão e na Bélgica. É membro da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA/USP), conselheiro da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), do Carbon Disclosure Project (CDP) e da FIPECAFI. Autor e coautor de diversos livros e artigos, é coordenador do Núcleo de Estudos em Contabilidade e Meio Ambiente (NECMA/USP).

Nelson Carvalho é professor sênior da FEA/USP e doutor em contabilidade e controladoria. Membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis, é “Ambassador” do International Integrated Reporting Council (IIRC) e do The Prince’s Accounting for Sustainability Project (A4S), coordenador geral da edição Melhores e Maiores da Revista Exame e árbitro perante cortes de arbitragens internacionais (ICC-Paris, Brasil-Canadá). Ex-diretor do Banco Central (Bacen) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ex-membro do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), membro do Conselho de Administração do GPA e ex-membro de conselhos de várias outras companhias abertas ou estatais (PETROBRAS, B3, Caixa Econômica Federal, entre outras). É autor e coautor de diversos livros e artigos.

José Rubens Kassai é membro do NECMA/USP, atua nas linhas de pesquisas “Relato Integrado” e “Indicadores Multidisciplinares de Sustentabilidade”. É engenheiro de som, músico multi-instrumentista e revisor de conteúdos, formado em produção fonográfica pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM) com mérito acadêmico Dean’s Honors List. Estudou no Conservatório Souza Lima e fez curso de gravação, mixagem e masterização com o físico e músico Rodrigo Castro Lopes. Estudou Society and Cultures (2014), Theory and Analysis of Tonal Music (2014-2015) e ESL Academic Writing in English (2015) na University of Minnesota (UMN, EUA).

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