22 de junho de 2020

Retomada da Economia no Brasil: o Mercado de Capitais como uma solução

por Juliano Pinheiro

Estamos vivenciando uma das piores crises de saúde das nossas vidas, com graves consequências sobre a economia global. Os desdobramentos da crise ultrapassam o presente e se farão sentir durante muitos anos. Neste contexto, em particular no caso brasileiro, cujo modelo de financiamento é baseado em crédito bancário, necessitaremos de grandes mudanças para fomentar a retomada da Economia no Brasil.

Nossa cultura de financiamento foi, durante décadas, baseada no financiamento bancário e subsídios de linhas crédito das instituições financeiras públicas, como o BNDES. Chegamos ao ponto de o sistema de financiamento subsidiado substituir o papel do mercado de capitais e, consequentemente, inibir seu desenvolvimento.

Bem, este modelo já não estava se sustentando e, após a crise, estará ainda mais fragilizado. As causas são óbvias:

➔ déficit público gigantesco, inviabilizando o aporte de recursos para as instituições públicas de fomento
➔ grande inadimplência por parte das empresas, que dificultará a ampliação das linhas de crédito bancárias.

Desta forma, o mercado de capitais ganhará a relevância que sempre deveria ter tido, podendo ser uma solução viável para a retomada da Economia no Brasil.

Quando ouvimos as histórias de surgimento das grandes corporações norte-americanas, como IBM, Microsoft e Apple, não há relatos de utilização de linhas de crédito subsidiadas, oferecidas por bancos comerciais, para possibilitar a transformação de ideias em empreendimentos. O que elas têm em comum são relatos de investidores de risco, como os Investidores Anjos, Venture Capital e Private Equity, acreditando nos projetos e compartilhando o risco de insucesso.

O mercado de capitais representa um sistema de distribuição que tem o propósito de viabilizar a capitalização das empresas e dar liquidez aos títulos emitidos por elas. Ele aproxima os dois agentes de mercado, alinha interesses e cria vantagens mútuas.

O Mercado de Capitais e a Retomada da Economia no Brasil

 
Os mercados de capitais desempenham a função econômica desejável de direcionar capital para usos produtivos. Por meio dele, temos:

➔ Aplicação e captação direta de recursos (desintermediação); e
➔ Investimentos produtivos de médio e longo prazo.

Para que o mercado de capitais cumpra seu papel é necessária a existência de:

➔ Transparência através da proteção ao investidor, governança e informação.
➔ Flexibilidade através de alternativas de investimento e derivativos.
➔ Liquidez com a clareza de preços.
➔ Harmonia com critérios internacionais para a elaboração de informações econômico financeiras das empresas.

Para superarmos a crise e garantir a retomada da Economia no Brasil e seu crescimento, necessitaremos que as instituições atuem de acordo com seu escopo, possibilitando o financiamento adequado às necessidades das empresas. Assim teremos:

➔ os Bancos captando recursos no curto prazo e aplicando também no curto prazo;
➔ os Bancos de Desenvolvimento atuando em áreas estratégicas para o desenvolvimento, como o saneamento básico;
➔ o Mercado de Capitais financiando ativos de infraestrutura com poupança de longo prazo e aproximando investidores a empreendedores.

Você entendeu a importância do Mercado de Capitais tanto para a retomada da economia no Brasil quanto para remodelar a cultura brasileira de financiamento baseado em crédito bancário. Aprofunde-se agora mesmo no Mercado de Capitais, nas oportunidades de investimento que oferece e entenda como uma empresa pode acessar o mercado de ações.

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  • Juliano Pinheiro
    Juliano Pinheiro

    Juliano Lima Pinheiro É Doutor e Mestre em investimentos e mercado de capitais, professor e palestrante. Ao longo de mais de 30 anos de uma trajetória profissional abrangente, Juliano Pinheiro passou pela vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento, como conselheiro em instituições representativas de mercado como Anbima e Apimec, e também pela área de ensino e pesquisa acadêmica atuando em cursos de MBA, doutorado, mestrado e graduação do Ibmec, FDC, PUC e UFMG. De 2007 a 2018, montou e foi o Diretor de Gestão da Fiere Investimentos, uma Gestora de Recursos, gerindo fundos de investimento e administrando carteiras para clientes. Detentor da Medalha Economista Paulo Camilo de Oliveira Pena em 2013, Juliano é referência na área de Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Atualmente é Vice Presidente Executivo do IBEF-MG, leciona na UFMG nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Ciências Contábeis e realiza palestras por todo o Brasil.