7 de outubro de 2020

Riscos de investimentos em ações: como lidar com eles?

por Juliano Pinheiro

O primeiro passo para investir bem é entender que, na busca pelos ganhos, sempre existem riscos envolvidos. Para muitos, eles representam apenas a possibilidade de algo não sair como esperado. Porém, quando se trata de riscos de investimentos em ações, devemos aprofundar um pouco mais nossa percepção.

Para o investidor comum, risco significa a chance de perder todo ou parte de seu investimento. Em teoria, quanto maior for o conhecimento e a experiência do investidor com os produtos de investimento, maior será sua maturidade para assumir riscos, dado que alguns deles já serão conhecidos.

Para os profissionais de mercado, o risco está relacionado com a incerteza a respeito do seu retorno esperado ao longo do tempo. Portanto, quanto maior for a oscilação dos preços de um ativo, maior será a variabilidade da rentabilidade de uma ação frente à sua rentabilidade média histórica. Ou seja, o “tamanho” do risco do ativo.

De toda forma, quando tratamos de mercado financeiro, sempre há riscos de investimentos em ações. Entretanto, é possível minimizá-los. Para saber como, é preciso, primeiro, entender um pouco mais sobre riscos e retorno esperado.

Qual a relação entre risco e retorno esperado?

Existe uma importante regra no mundo corporativo: “quanto maior o risco, maior deverá ser seu retorno esperado”. Essa regra serve também para a expectativa de retorno dos ativos financeiros. Um investidor somente aceita uma maior exposição ao risco de seus investimentos diante da possibilidade de um ganho maior. Caso contrário, não faria sentido essa exposição.

Baseado nessa relação, podemos definir o conceito de Fronteira de Eficiência. A Fronteira Eficiente pode ser entendida como um conjunto de carteiras ou portfólios de investimentos otimizados que possibilita a obtenção do maior retorno esperado, ou seja, trata-se de um retorno que se espera e não um retorno já ocorrido, para cada nível de risco definido. De forma mais simples, é o conjunto de carteiras que oferecem o menor risco possível fixado o retorno que se espera obter.

Tolerância x Capacidade de assumir riscos

Considerando que o retorno esperado é função do risco assumido (quanto maior o risco, maior o retorno), torna-se muito importante a distinção entre a capacidade versus tolerância a tomar risco.

A tolerância é função de uma curva de utilidade definida por: personalidade do investidor, sua cultura e experiência anterior com investimento em risco. Já a capacidade de assumir o risco está relacionada ao ciclo de vida, nível de riqueza das fontes de renda versus gastos correntes, objetivos futuros e horizonte de investimento.

Como minimizar os riscos na compra das ações?

Como disse, quando tratamos de mercado financeiro, sempre há riscos de investimentos em ações. Entretanto, é possível minimizá-los. Seguem algumas dicas:

  • Entendendo da empresa e seu negócio. Podemos minimizar os riscos quando escolhemos ações de empresas sólidas, com bons fundamentos e boas perspectivas futuras.
  • Diversificando a carteira. Nossos avôs já diziam “nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”. Portanto, devemos sempre procurar a diversificação da nossa carteira, não concentrando grandes volumes em poucos papeis. Porém, cuidado! A quantidade de empresas não é sinônimo de diversificação. O mais importante é escolher empresas que tenham correlação invertida, ou seja, que reagem de forma contrária a eventos do mercado.
  • Diversificando setores da economia. Outra maneira de mitigar o risco é escolhendo setores diferentes que possam neutralizar os impactos dos diferentes eventos que ocorrem no mercado. Se nossa carteira é composta por várias empresas do mesmo setor, provavelmente todas reagirão de forma semelhante aos mesmos eventos do mercado.

FONTE: JULIANO PINHEIRO

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  • Juliano Pinheiro
    Juliano Pinheiro

    Juliano Lima Pinheiro É Doutor e Mestre em investimentos e mercado de capitais, professor e palestrante. Ao longo de mais de 30 anos de uma trajetória profissional abrangente, Juliano Pinheiro passou pela vivência prática como executivo em instituições financeiras e gestoras de investimento, como conselheiro em instituições representativas de mercado como Anbima e Apimec, e também pela área de ensino e pesquisa acadêmica atuando em cursos de MBA, doutorado, mestrado e graduação do Ibmec, FDC, PUC e UFMG. De 2007 a 2018, montou e foi o Diretor de Gestão da Fiere Investimentos, uma Gestora de Recursos, gerindo fundos de investimento e administrando carteiras para clientes. Detentor da Medalha Economista Paulo Camilo de Oliveira Pena em 2013, Juliano é referência na área de Mercado Financeiro e Mercado de Capitais. Atualmente é Vice Presidente Executivo do IBEF-MG, leciona na UFMG nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Ciências Contábeis e realiza palestras por todo o Brasil.