13 de outubro de 2017

Ser professor é gratificante

por Reinaldo Dias

O dia do professor deve ser dedicado à reflexão sobre o seu papel e sua condição profissional.

 

Em 2016, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) adotou o lema “valorizar os professores e melhorar a sua situação”.

Lema bastante pertinente ao momento pelo qual passa o Brasil e demonstra mais do que nunca a necessidade de melhorar a educação em todos os níveis.

De acordo com a Agenda da Educação 2030 da Unesco, o papel do professor é fundamental em um país. Destaca que o professor deve ter “as competências necessárias, ser contratado e remunerado de forma adequada, receber uma boa formação, estar profissionalmente qualificado, encontrar-se motivado e receber apoio dentro de sistemas dotados de recursos eficazes e bem administrados”.

O ensino básico é essencial para a formação do cidadão, pois é quando se adquirem os valores fundamentais para uma boa convivência em sociedade, aprendendo a usufruir da liberdade, respeitar os outros sem distinção de qualquer espécie, ter tolerância, ser solidário, honrar compromissos, entre outros.

São os professores que transmitem esse conjunto de valores. E qual a condição para o fazerem no Brasil? Sua situação é precária, para dizer o mínimo. Os professores do ensino básico são desvalorizados, possuem formação deficiente, são mal remunerados e não possuem perspectiva de desenvolvimento profissional continuado, condição necessária para exercerem com dignidade e responsabilidade sua profissão.

De modo geral, o professor é pouco valorizado no país, seu status é baixo, sua importância minimizada, por mais que se alardeie o contrário. É lembrado e louvado no seu dia e só. Na realidade, professores e estudantes são vítimas de um sistema socialmente injusto, com uma estrutura que não permite mudanças e que está a serviço ostensivo do capital, em detrimento da sociedade como um todo.

O aluno de escola pública se vê diante de um professor cansado, pressionado, mal remunerado e sem recursos suficientes para exercer sua profissão. O problema não é o professor e muito menos o estudante. Na realidade, ambos exteriorizam um problema sistêmico que se evidencia pelo cenário de corrupção e má utilização dos recursos para a educação.

De qualquer modo, em que pesem essas dificuldades, o professor abre seu caminho ajudando os alunos a adquirir experiências, a adotar valores identificados com a civilidade, a adquirir as habilidades necessárias para identificar e resolver os problemas cotidianos, a agir, a tomar decisões, a reconhecer, enfrentar e resolver os desafios do mundo atual.

O caminho é difícil, mas ensinar é a profissão mais digna e gratificante, apesar dessas dificuldades que a acompanham. O que dá ânimo para persistir nesse caminho é saber que se está construindo o mundo do amanhã, que deverá ser melhor, mais justo, em que todos terão as mesmas oportunidades.

Saudações a todos os professores, lembrando que, afinal, o que tem de melhor em ser professor é o prazer de aprender, sempre.

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  • Reinaldo Dias
    Reinaldo Dias

    Sociólogo e mestre em Ciência Política e Doutor em Ciências Sociais pela Unicamp. Especialista em Ciências Ambientais. Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) nos cursos de Administração e Direito. Foi professor e coordenador de cursos em várias instituições de ensino, entre as quais: Centro Universitário UNA/MG, Universidade Paulista (UNIP) e Universidade São Francisco (USF). Autor de vários livros nas áreas de Metodologia da Pesquisa, Sociologia, Administração, Turismo e Meio Ambiente. Publicou diversos livros pelo GEN | Atlas.