14 de março de 2019

Teoria da Administração no contexto da gestão ambiental

por GEN.N&G

As organizações nos países ocidentais são decorrência da Revolução Industrial; nesses países, apareceram os três grandes representantes da Escola Clássica, que adotaram uma abordagem semelhante: como criar uma organização que, de forma eficiente, atingisse seus objetivos. Taylor concentrou-se na análise do trabalho, Fayol estabeleceu reflexões sobre a administração e controle e Weber analisou o contexto social e os princípios que fundamentam as organizações. Saiba mais sobre a Teoria da Administração no contexto da gestão ambiental e da responsabilidade social:

Teoria da Administração no contexto da gestão ambiental

 
Os pontos de vista dos autores são complementares e refletem determinados princípios em que se baseia a organização do trabalho; a estrutura de relações de dependência hierárquica e o estilo de gestão que ainda hoje influenciam grande parte de nossas organizações. Entre todos os textos publicados, The wealth of nations, de Adam Smith, é o que melhor evidencia o princípio empresarial da época em que o trabalho deveria ser decomposto em tantas tarefas elementares quanto possível. E que estas deveriam, por sua vez, ser distribuídas por outros tantos operários, de forma que cada um deles se tornasse um verdadeiro especialista em sua tarefa, o que permitiria a obtenção de níveis de produtividade nunca antes atingidos.

Esses princípios de fragmentação do trabalho em tarefas elementares foram inicialmente concebidos para a atividade industrial e, posteriormente, aplicados às atividades administrativas e adaptados para empresas de serviços como bancos e seguradoras. A divisão do trabalho proposta por Smith obrigou à concentração dos trabalhadores em centros produtivos destinados à realização de operações mais ou menos similares e, simultaneamente, à organização dos diversos centros produtivos ao longo de uma cadeia de produção.

O desenvolvimento industrial nos finais do século XIX nos Estados Unidos e na Europa Continental levou à necessidade de aperfeiçoamento dos princípios tradicionais da organização, bem como deu continuidade ao desenvolvimento do capitalismo nas primeiras décadas do século XX, o qual resultou no surto industrial que vem até nossos dias. É exatamente após esse surto industrial e os posteriores avanços científicos que se esboçam os primeiros trabalhos sobre os efeitos da poluição gerada por minas e fábricas, tratados basicamente sob o enfoque da saúde dos trabalhadores.

É nesse ambiente que se torna possível o aparecimento de uma nova visão das organizações, conhecida como Escola das Relações Humanas. Nela, defendia-se o pressuposto de que as organizações não poderiam ser as máquinas conforme definidas pela Escola Clássica. Todavia, não existia uma quebra total com os princípios  clássicos, e é nessa época que surge a preocupação com a responsabilidade social no contexto das organizações. Embora haja alguma dificuldade em considerar o movimento das Relações Humanas como uma escola de pensamento, existem alguns temas, porém, que são comuns a todos os teóricos analisados. Existia a quase total rejeição do tipo de organização mecanicista e racional defendida pela Escola Clássica.

O modelo das Relações Humanas tornou-se muito popular nos anos 50 e 60, quando sublinhava a importância do homem e rejeitava a concepção do trabalhador como peça de uma máquina. Contudo, foi alvo desde seu início de críticas, como de certa corrente que rejeitava o argumento de que os incentivos não materiais pudessem ter importância maior que os incentivos de caráter pecuniário. Criticava-se, ainda, a falta de cientificidade das propostas das Relações Humanas, apresentadas mais como fórmulas mágicas de resolver os problemas do trabalho.

São dessa época as primeiras preocupações da comunidade com a crescente degradação ambiental, provocada pela ação humana, em todo o mundo. Entretanto, tal movimento de preservação da natureza fica restrito a preocupações com a proteção da flora e fauna e preservação das espécies animais e vegetais. Iniciava-se a consciência das implicações das atividades produtivas sobre os seres vivos e o meio ambiente (qualidade do ar, do solo, das águas e conservação dos recursos naturais).

Teoria da Contingência

 
Historicamente, segue-se a Teoria da Contingência, que significava rejeição do best way proposto pela Escola Clássica e pelo movimento das Relações Humanas. Em seu lugar, afirmava que a estrutura e o comportamento de uma organização dependiam de diferentes variáveis situacionais – ambiente, tecnologia e tamanho da organização. Como consequência, a mesma organização poderia ter comportamentos diferentes, dependendo da situação. Assim, the best way para todas as organizações é substituído pelo one best way para cada organização. A abordagem da Teoria da Contingência remonta aos meados dos anos 60, entrando em choque com a Escola Clássica e das Relações Humanas que, respectivamente, incidiam sua análise nas estruturas formais e procuravam estabelecer os princípios gerais da administração, e orientavam sua observação para os aspectos informais da organização e para as necessidades sociais e psicológicas de seus empregados.

Na Teoria da Contingência, adotava-se uma perspectiva diferente, com base na premissa de que as organizações são sistemas abertos, cujo funcionamento dependia de variáveis situacionais. A teoria contingencial evidenciou ser atraente por uma série de razões. Inicialmente, mostrou ser adequada a um tempo de mudança tecnológica e de rápido crescimento e, em segundo lugar, era simples de entender e aplicar. Adicionalmente, tratava-se de uma abordagem racional, que procurava correlacionar a estrutura com variáveis contingenciais – dimensão, tecnologia e ambiente. A teoria contingencial reintroduz, assim, a noção de racionalidade nas organizações. A teoria foi igualmente objeto de críticas.

Inicialmente, não se conseguiu com sucesso relacionar estrutura e performance. Ao examinar a relação entre estrutura e contingência, ainda, os investigadores partem de um tipo de organização formal; ora, nem sempre esta existe, já que os objetivos nem sempre são claros e podem mesmo ser contraditórios. As organizações são bem mais complexas do que assume a teoria de contingência. É necessário encarar as organizações como sistemas sociais, com culturas próprias e atravessadas por conflitos entre indivíduos e grupos, cada um lutando para conseguir seus próprios objetivos.

A teoria tradicional ignorava a complexidade das organizações, que eram consideradas entes racionais e não sistemas sociais com culturas específicas e conflitos internos pelo poder. A introdução dessas variáveis na análise veio tornar mais complexo o estudo das organizações e da gestão, dando origem a novos paradigmas. Essas perspectivas têm por objetivo não tanto a construção de novos modelos de análise, mas a procura do êxito empresarial.

O modelo contingencial assumia a racionalidade das estruturas de normas e da autoridade formal, as quais respondiam às influências macroambientais. Ao contrário, a dimensão política acentua a importância dos atores individuais e coletivos, os quais desenvolvem comportamentos e estratégias que estruturam também o funcionamento das organizações. A estrutura organizacional deixa de ser deterministicamente resultante das variáveis ambientais, tecnológicas ou de mercados. Nesse contexto, a eficiência de uma organização é modelada predominantemente pela capacidade de definir internamente estratégias, criar estruturas e tomar decisões com vista na otimização de seus resultados.

Recursos naturais são infinitos?

 
Até a década de 60, prevalece a convicção de que seriam infinitas as fontes de recursos naturais e de que o livre mercado maximizaria o bem-estar social. Como a teoria econômica convencional tratava apenas da alocação de recursos escassos, e a natureza não era considerada fator de limitação, esse paradigma considerava o meio ambiente irrelevante para a economia. Apesar do absurdo de se raciocinar dessa forma nos dias de hoje, percebe-se, ainda, a predominância desse conceito em certos segmentos da sociedade.

As organizações tendem a mudar, tornando ultrapassados os dias da produção em massa e da padronização. As novas organizações passam a sobreviver baseadas na informação, em detrimento do acesso às matérias-primas; o cliente transforma-se no centro da organização, pois a cadeia de produção e o processo de gestão são adaptados por todas as organizações; e, como consequência, existe integração de funções entre empresas e entre produtores e consumidores. Nessa época, fica explícita a percepção de que as mudanças climáticas, a degradação da camada de ozônio, a redução da biodiversidade, entre outros, contribuíam para a necessidade de definição de novos padrões de industrialização e de consumo.

Com a maior visibilidade de efeitos ambientais transfronteiriços e globais, e dadas as novas descobertas científicas relativas às ameaças decorrentes da radiação, resíduos tóxicos de metais pesados, hidrocarbonetos clorinados na água e emissões atmosféricas, o referencial social e ambiental dominante passou a ser contestado mundialmente.

Assim, o novo paradigma da organização é completamente diferente do nascido há cerca de 100 anos que corresponde às teorias clássicas de organização e de gestão. Se estabelecermos um contraste entre as velhas e as novas organizações, verifica-se que o importante agora é a inteligência; a capacidade de fazer uso inteligente da informação e criar ideias que acrescentam valor e aumentam a competitividade. As novas organizações são achatadas na estrutura, a estrutura perde a importância e ganha destaque o posicionamento de áreas funcionais voltadas para o gerenciamento das questões de proteção ao meio ambiente e da responsabilidade social.

Teoria da Administração no contexto da gestão ambiental

Foto: freepik

É oportuno sublinhar que se trata de um paradigma emergente e não de uma realidade concreta. Apesar disso, é necessário não ignorar desde já vários problemas associados com a estrutura, política organizacional e pessoas. Quanto às estruturas, é evidente que nem todas as organizações têm que ser orgânicas; muitas delas, para poderem funcionar com eficiência, devem continuar a ser mecanicistas.

Na década de 90, o conceito de desenvolvimento sustentável consolida-se a partir da constatação de que os sistemas naturais do planeta são limitados para absorver os efeitos da produção e do consumo. Fica clara a inviabilidade de manter as políticas econômicas causadoras de danos ambientais irreversíveis, bem como a necessidade de um sistema de produção que respeite a obrigação de preservar a base ecológica do desenvolvimento econômico do país. A necessidade de fazer mudanças e de aumentar a competitividade suscitou o aparecimento das mais diversas abordagens destinadas a solucionar crises organizacionais, e os novos tempos passariam a caracterizar-se por uma rígida postura dos clientes, voltada à expectativa de interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no mercado, e que atuem de forma ecologicamente responsável.

Complementarmente, a globalização da economia, a universalização de problemas ambientais, a ação organizada de grupos ambientais e de consumidores, os programas de selo verde como iniciativa governamental ou não, e as respostas organizadas de setores econômicos (normas e critérios próprios) marcam a primeira década deste século XXI.

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