1 de junho de 2021

Uma experiência em inclusão social

por José Osmir Fiorelli

As dificuldades apresentadas, nas edificações mais recentes, inexistem. Os projetos arquitetônicos e de ambientação asseguram as necessárias facilidades para as pessoas que apresentam dificuldades de locomoção.

Contudo, em muitos edifícios antigos, construídos sob outras concepções, persistem dificuldades: acesso exclusivamente por degraus, ausência de elevador, instalações sanitárias acanhadas e pouco funcionais. Ocorrem, particularmente, naqueles com até quatro pavimentos.

Neste relato, trata-se de uma Organização que ocupa o último pavimento de um pequeno edifício com essas características.

Uma experiência em inclusão social

 
Construção da década de 1940, em excelente estado de conservação. Nela, um empresário instalou uma área para contato com clientes: basicamente, telefonistas e uma pequena equipe para suporte. Local de trabalho muito apreciado pelos colaboradores, pela facilidade de locomoção até ele.

Estimulada pelas notícias de outras Organizações, a Gerência de uma área de atendimento a clientes decidiu abrir espaço para a contratação de um deficiente físico, para trabalhar na área de apoio.

Atividades: conferências de documentos; registro de feedback de outras áreas; contatos pela Rede de Comunicação Interna esclarecendo dúvidas, alterando prioridades; elaboração de relatórios para a Supervisão.

Selecionou-se profissional com as qualificações adequadas. O processo seletivo transcorreu em local próximo, em que se realizavam as entrevistas. Portanto, um ambiente completamente diferente daquele em que aconteceria o trabalho.

Chegou a data de início. Usuário de cadeira de rodas, sem mobilidade dos membros inferiores. A esposa levou-o de automóvel. No horário combinado, um colaborador da equipe aguardava para recebê-lo, na entrada do edifício.

Primeiro obstáculo: cinco degraus. Precisaria de ajuda todos os dias. Solução: colaborador e vigilante passaram a carregar a cadeira de rodas.

Segundo obstáculo: desnível do piso do elevador. O velho equipamento, rotineiramente, apresentava defeitos. O uso de escada para o acesso tornou-se um suplício eventual.

Terceira dificuldade: banheiros. Nenhum preparado para deficientes. Um deles foi, às pressas, reformado.

Quarta dificuldade: pias. Altas demais. Uma delas foi rebaixada.

O contratado revelou-se um bom colaborador; conquistou o bem-querer de todos; a seleção mostrou-se correta e, como se previu, suas dificuldades em nada interferiram no trabalho.

Para as empresas instaladas em edifícios antigos, fica o desafio: compatibilizar as necessidades da pessoa com as condições do local de trabalho.

Essas pessoas merecem a oportunidade de trabalhar. Isso proporciona, a elas e aos familiares, realizações e felicidade. Nota-se, também, um efeito muito positivo no ambiente de trabalho. Os colaboradores sentem-se participantes da iniciativa! Vale a pena!

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  • José Osmir Fiorelli
    José Osmir Fiorelli

    Engenheiro e psicólogo, com especialização em Administração de Empresas. Atuou na iniciativa privada e na Universidade Federal do Paraná, como professor de Economia para Engenharia. Autor de Psicologia para Administradores e co-autor de Psicologia Jurídica, pela GEN/ATLAS.